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Sétima Arte

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Marise Simões
 
   .: Entrevistas  
 

NIZO NETO

"Artista é artista!"

Ele tem o nome do avô e vem de uma família onde todos possuem uma veia artística. Francisco Anízio de Oliveira Paula Neto - o Nizo Neto, é filho da estrela de teatro Rose Rondelli com o humorista Chico Anysio, de quem se orgulha ter herdado muitas virtudes, mas resume todas em uma - a honestidade. Sua trajetória profissional é marcada por personagens inesquecível como o Seu Ptolomeu, da Escolinha do Professor Raymundo (Globo), mas como acredita que nesse ramo tem que se fazer um pouco de tudo, seu momento atual é dedicado ao teatro. Ele está às voltas com a divulgação de seu novo trabalho: Falando Sozinho - show onde mistura com muita versatilidade humor e números de magia, um sucesso por onde passa! E não pára por aí. Nizo também é escritor, dublador e ilusionista e, mesmo com tantas atividades consegue administrar cada uma delas em seu devido tempo. Nas horas vagas, como bom taurino, não abre mão de curtir aquelas coisas simples e gostosas da vida, como por exemplo tomar café na padaria e assistir a um bom DVD no aconchego do lar ao lado de sua Tatiana. Animais de estimação? Ele adora. Principalmente quando se trata da Manonni e do Stinky, dois gatos vira-latas que mantém em casa, além de cavalos, sua grande paixão. "Sou apaixonado por eles desde criança. Tinha, e até hoje tenho, muita vontade de ser jockey. Mas com 1,85m e 80Kg fica impraticável!", confessa. Para suprir essa vontade, sempre que pode vai assistir às corridas no Jockey Club, onde ele e o pai possuem alguns animais. Agora, Nizo Neto fala de carreira, família, projetos e deixa um recado especial para quem deseja ser artista. Confira!

 
PC - Quem é Nizo Neto?
NN:
Nasci no Rio em 1964, na Clínica São José, em Botafogo. Quando meus pais se casaram, cada um já tinha um filho. Minha mãe já tinha o Duda Anysio – filho dela com Carlos Gil. Meu pai já tinha o Lug de Paula com a Nancy Wanderley. Depois de mim veio o Rico, que também é filho da minha mãe. Aí veio o Bruno Mazzeo (com a Alcione), o Cícero Chaves (com a Regina) e Rodrigo e Vitória (com a Zélia). Quando meu pai conheceu minha mãe (Rose Rondelli) ela era uma grande estrela do Teatro de Revista e ele era desconhecido do grande público, porque a TV no Brasil ainda era muito nova e, pela falta do satélite, era muito localizada. Praticamente nasci num camarim. Desde que me entendo por gente convivo com esse meio, o que, de certa forma, responde à pergunta seguinte. Eu, Nizo, sou um cara simples, pai do Rian de 15 anos do meu primeiro casamento com a cantora Márcia Brito, que é músico – toca baixo, bateria e está aprendendo guitarra - e da Isabela que está pra nascer em outubro, de minha união com a psicóloga e empresária Tatiana Presser. Sou muito acostumado com o ambiente artístico e encaro a carreira de uma forma muito profissional e sem grandes “deslumbramentos”. Como bom taurino gosto de conforto e comida boa, adoro sair pra dançar e adoro animais (no caso gatos e cavalos).

PC - Como descobriu sua vocação para o meio artístico?
NN:
Meu primeiro trabalho em TV foi em 1972, num programa mensal que meu pai tinha na Globo, chamado Chico em Quadrinhos.

PC - Por ser filho do ‘mestre do humor’ existiu dedicação redobrada? Você conseguiu lidar com ‘cobranças’ e ‘comparações’?
NN:
Isso não tem como fugir. As cobranças e comparações são inevitáveis e muito comuns. Eu até brinco com isso no meu show. Mas o problema maior não é esse. É que as pessoas associam minha pessoa à declarações que meu pai fez na imprensa. Aí é que está o problema. A maioria das pessoas não sabe separar.

PC - O seu Ptolomeu, personagem marcante da Escolinha do Professor Raymundo, é aquele tipo de aluno que todo professor aprecia – inteligente, dedicado e sempre atento a responder o que os outros não sabem. Chico Anysio se baseou em você para criar o personagem? O que o Nizo e o Ptolomeu têm em comum?
NN:
Absolutamente nada. Eu sou totalmente oposto a ele. Fui péssimo aluno, um aluno problema mesmo. Não por comportamento, mas por notas. E fora que ele é um cara totalmente careta e formal, coisa que não tem nada a ver comigo. O que eu poderia dizer, apesar dele apresentar esse lado de uma forma caricata, é a dedicação. Não me considero um “c.d.f.” na minha profissão, mas me dedico.

PC - E o que você aprendeu na Escolinha?
NN:
Além de algumas datas e fatos importantes, aprendi que para aprender não adianta decorar. Decorar é descartável. Os professores estão certos quando dizem que o aluno deve estudar e não simplesmente decorar. Agora, artisticamente, aprendi uma enormidade de coisas. Só estar ao lado de Chico Anysio, Walter D’Avila, Brandão Filho, Rogério Cardoso, Grande Otelo, Costinha, Zilda Cardoso e tantos outros ícones do humor brasileiro, é uma escola que poucos da minha geração tiveram o privilégio de ter.






PC - Muitas pessoas não sabem que além de ator você também é ilusionista. E mais – está ligado as várias entidades do ramo, muitas delas internacionais. Já viveu da profissão? Como surgiu tudo isso?
NN:
Tive meu primeiro contato com a mágica em outubro de 88, quando fui convidado pelo falecido Régis Cardoso para fazer parte do elenco do Circo dos Astros, no Criança Esperança daquele ano. Aprendi uma meia dúzia de números de mágica para o evento e tomei gosto pela coisa. De lá pra cá venho atuando no ramo como semiprofissional, já que divido essa profissão com outra. Se bem que, pra mim, artista é artista.

PC - Fiquei sabendo que durante três anos você assinou uma coluna na revista portuguesa “O Mágico”. Como foi essa experiência de ser colunista?
NN:
Foi interessante. Era bem tranqüilo, eu não tinha que cumprir nenhum prazo e nem que falar de nenhum assunto imposto pelo editor. Foi uma boa forma de expressar minha opinião sobre várias coisas interessantes na área de mágica e ilusionismo.

PC - E o dom que vem de família? Quem mais se dedica aos textos?
NN:
Tenho pouca experiência nessa área de escrever humor. Minha primeira experiência foi em 2001, no show Descontrole Remoto, em parceria com meu irmão, Bruno Mazzeo, que já escreve há anos. Quando tive a idéia de montar meu show de stand-up, decidi começar a escrever de verdade e até me surpreendi comigo mesmo.

PC - Pelo visto você é uma pessoa bem versátil – de artista a ilusionista, passando por barman profissional e dublador de filmes e seriados. Como consegue administrar todas essas coisas no seu dia-a-dia?
NN:
Nesse ramo a gente tem que fazer de tudo um pouco. Tem várias pessoas muito limitadas - no meio artístico - que se deram bem. Mas acho que, quanto mais recursos você tiver, melhor para se encaixar no mercado. Para mim é muito legal essa variedade. Acho que seria muito chato ficar só fazendo dublagem, mágica ou o que seja.

PC - No momento você está às voltas com a divulgação de seu novo trabalho “Falando Sozinho”. Do que se trata?
NN:
“Falando Sozinho” é um show de humor com um toque de mágica. Foi uma forma que encontrei de estar em cartaz e de me mostrar um pouco mais. O grande público me acha um cara talentoso, mas, ao mesmo tempo, tem uma imagem muito limitada de mim artisticamente. Eu até brinco com isso no show. Por isso resolvi “botar as manguinhas de fora” e me mostrar mesmo. Nesse show mostro não só o lado artístico, mas também um pouco do pessoal. O público sai do teatro sabendo um pouco mais sobre minha pessoa. E isso eu devo muito à Claudia Rodrigues (“A Diarista”), que dirigiu o show e foi quem me alertou sobre isso. Ela disse: “o texto é bom, mas você tem que se mostrar mais”. A intenção do show é pura e simplesmente fazer o povo se divertir. Não tem mensagem, não tem ideologia-cabeça, nada disso. O que eu quero , e tenho conseguido , é que o público saia do teatro de “alma lavada” e com o maxilar doendo de tanto rir.

PC - Você tem dificuldade em conseguir patrocínio e apoio para seus trabalhos? Acredita nessas leias de incentivos?
NN:
Acredito nas leis de incentivo, mas, para a grande maioria, é extremamente complicado conseguir patrocínio.

PC - Quais são amores e desamores da profissão?
NN:
Tudo na vida tem um lado ruim e um lado bom. As pessoas tendem a achar que no meio artístico tudo é só glamour. Não é bem assim. Mas o melhor da minha profissão é poder se fazer o que ama. A missão do artista é linda, é fazer as pessoas felizes. O pior da profissão é a surrealidade do nosso ramo. O meio artístico é totalmente surreal. “Critério” é uma palavra que não existe neste ramo.

PC - Com tantos afazeres, o que faz nas horas vagas?
NN:
Eu levo uma vida simples. Nas horas vagas eu gosto de malhar, cinema, DVD, tomar café da manhã na padaria, Johrei, jantar fora, “bombar” na night, corrida de cavalos, falar besteira com minha mulher Tatiana... Essas coisas simples e gostosas da vida.

PC - Agora vamos falar sobre família. Seu pai revelou em uma entrevista exclusiva ao “Petrópolis em Cena” que gosta de reunir a família em sua casa de Petrópolis (Corrêas), nos fins de semana. Como são esses encontros?
NN:
Engraçados. Todos nós da família temos essa veia cômica. Isso veio do meu avô por parte de pai, também Francisco Anysio, que era uma figura extraordinária. Comediante nato, nunca pisou num palco ou parou diante de um microfone - trabalhava com construção de estradas. Ele era muito inteligente e engraçado e, até onde eu sei, a genética vem daí. Por isso a gente se diverte bastante. E são muitos, né? Quanto mais gente engraçada reunida, mais besteira vai sair.

PC - Qual a maior herança que o Chico Anysio deixou para você?
NN:
Muita coisa. Só pra resumir em uma palavra: HONESTIDADE.

PC - Para finalizar, gostaria que você deixasse um recado para todos àqueles que, como você, estão batalhando na profissão. Obrigada!
NN
: Encarem a profissão de forma séria e saibam que, para a grande maioria, não é nada fácil. Ser conhecido do público é muito bom e traz algumas facilidades no dia-dia, mas isso é conseqüência. O problema mais sério do meio artístico se define em uma pequena palavra: EGO. Temos que prestar atenção a isso também. E, aos que estão começando, estudem. E tentem se formar em alguma coisa que não seja artística, mas que possa te ajudar na carreira artística. Tipo marketing, administração, sei lá. Ter uma outra opção de trabalho sempre é bom. Eu me considero um privilegiado e, ainda assim, muitas vezes me pego pensando: “Meu Deus, se esse projeto não der certo, o que eu faço da minha vida?!”.
  

 
 
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