70 mulheres em situação de vulnerabilidade são atendidas em cursos de capacitação de gastronomia e saboaria

 

O Instituto Açucena, projeto que promove a inclusão social de mulheres em situação de vulnerabilidade e vítimas de abuso em vários municípios brasileiros, deu início às primeiras turmas de capacitação e acolhimento em Petrópolis. 70 mulheres se matricularam nos primeiros dois cursos profissionalizantes oferecidos: 50 delas escolheram as aulas de gastronomia e 20 as classes de saboaria. Elas agora são beneficiadas com o PDI, Programa de Desenvolvimento Integral, metodologia estruturada em cinco pilares que acontecem de forma integrada, visando realizar uma verdadeira transformação na vida dessas mulheres e de suas famílias, através da geração de renda, autoconhecimento e empreendedorismo. A concepção do Instituto Açucena, organização sem fins lucrativos, é uma iniciativa do Instituto Jonas Masetti, braço social do Instituto VishvaVidya.

 

Transformação que já vem acontecendo com Janaína Martins de 25 anos. Sem trabalho por conta da pandemia, sempre teve o sonho de ter um diploma na área de culinária para, junto com a mãe, abrir um restaurante ou uma confeitaria. “Minha vida já está sendo transformada de uma maneira que nunca imaginei. Aqui a gente descobre que é possível realizar qualquer coisa, basta querer de verdade e ter comprometimento. Descobri uma capacidade guardada que nem eu imaginava que tinha. Esse é um sonho sendo realizado, porque os cursos nessa área são muito caros. Está superando minhas expectativas”, comemorou Janaína.

 

Impacto também sentido pela instrutora Jackeline Andrade, que é psicóloga da ONG Sal para Terra, instituição parceira aqui em Petrópolis, que possui o cadastro e encaminha as mulheres que se encaixam no programa. “As aulas têm sido uma descoberta pra elas. Elas querem reconhecimento de seus trabalhos e de seus esforços. Sentem falta desse suporte. Nós percebemos ainda que elas já começaram a olhar mais para si mesmas e estão correndo atrás de seus sonhos. Estão despertando! Algumas já se inscreveram em workshops fora da cidade, outras já conseguiram até emprego! Estão encontrando seus caminhos com tão pouco tempo de curso!”, contou Jackeline.

 

“Nossa ideia é realmente fazer a diferença na vida dessas mulheres e de suas famílias! Porisso trazer um programa inovador e que tem como diferencial o acompanhamento integral delas, ou seja, dando verdadeiras oportunidades de crescimento. Acreditamos que as transformações ocorrem de dentro para fora, por issoelas têm aulas de autoconhecimento, autoestima, organização, planejamento de objetivos e metas, profissionalização e empreendedorismo! A ideia é resgatar a força e a confiança para que elas atinjam suas potencialidades e que realmente transformem suas vidas!”, pontuou o professor Jonas Masetti, idealizador do Açucena e diretor do VishvaVidya.

 

Para Maria Sirlei Lima, de 55 anos, o curso tem sido um resgate. Não só para a parte profissional, mas também para sua saúde mental. “Estava me sentindo um pouco deprimida. Em um mês já melhorei meu modo de pensar. Meu foco era só os outros. Comecei a pensar mais em mim:gostar de mim em primeiro lugar! Porque quando estou bem, tudo a minha volta melhora. Antigamente tudo que eu começava, eu parava no meio. Agora vou seguir em frente. Meu sonho é abrir meu próprio negócio, mas nunca soube como fazer, por onde começar”, destacou Maria Sirlei.

 

Com duração de quatro meses, o Programa de Desenvolvimento Integral do Instituto Açucena conta com cinco pilares. A etapa “Nutrir” ocorre durante todo o curso e visa a segurança alimentar com uma cesta básica mensal mediante presença nas aulas. Além da “bolsa alimentação”, elas também recebem acolhimento emocional. A fase “Despertar” trabalha o autoconhecimento e a autoestima delas, mostrando o quanto elas são capazes, quando há vontade e dedicação.

 

O pilar “Inspirar” tem o objetivo de contar histórias de outras mulheres que também passaram por situações desafiadoras e conseguiram crescer, provando que é possível se tornar protagonista da própria história.A fase “Capacitar” é o curso profissionalizante em si, que aqui em Petrópolis são as aulas de culinária e saboaria. Por último, e de extrema importância, essas mulheres vão receber aulas de empreendedorismo na fase “Empreender”. Elas vão aprender a vender, terão noções de marketing, empreendedorismo e administração.

 

As aulas tiveram início há um mês e utilizam o espaço físico da ONG Sal para Terra para as aulas presenciais, respeitando o uso de máscaras e o distanciamento entre as participantes. “Com o término dessas turmas, a ideia é dar continuidade ao trabalho aqui em Petrópolis abrindo novas turmas e dando mais oportunidades a essas mulheres. Cercamos a mulher de todas as ferramentas e possibilidades para torná-la capaz de realmente empreender”, informou Caito Fortes Guimarães, diretor executivo do Instituto Açucena.

 

Hoje o trabalho promovido pelo Instituto Açucena com mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas vítimas de algum tipo de abuso, conta com doações espontâneas dos alunos do professor Jonas Masetti e também ocorre na Ilha do Governador e no bairro de Sepetiba na cidade do Rio de Janeiro; em Florianópolis, Santa Catarina; e em Ribeirão Preto, São Paulo.

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