O Brasil encerrou 2025 com um
recorde histórico de inadimplência, atingindo, pela primeira vez, 73,49 milhões
de consumidores negativados, o que corresponde a 44,02% da população adulta do
país. Em dezembro, o número de desenvolvedores cresceu 10,17% em relação ao
mesmo mês de 2024, acima do registrado em novembro. Na comparação mensal, de
novembro para dezembro, houve alta de 0,87%. Petrópolis, em relação ao cenário
nacional, teve um crescimento menor de inadimplentes, mas fechando 2025
com números que acenderam um sinal de alerta para o comércio e para a economia
local. Dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), com base nos
levantamentos da CNDL e do SPC Brasil, mostram que o número de consumidores
negativados na cidade passou de 128 mil em 2024 para 136 mil em 2025, um
crescimento de 6,25% em um ano.
Embora a alta registrada em
Petrópolis seja inferior à mídia nacional, o percentual preocupa quando
analisado em relação ao tamanho da população. Com cerca de 278 mil habitantes,
o município tem hoje 48,8% dos moradores com o nome negativo — o equivalente a
praticamente um em cada dois petropolitanos enfrentando algum tipo de
inadimplência.
Para o presidente da CDL
Petrópolis, Claudio Mohammad, os números ajudam a dimensionar o impacto direto
desse cenário no dia a dia do comércio local. “Mesmo crescendo menos do que a
mídia nacional, Petrópolis vive uma situação muito delicada. Ter quase metade
da população negativada compromete o consumo, reduz o giro de capital das
empresas e cria um ambiente de insegurança para novos investimentos.
Os dados do consumidor
nacional apurados pela CNDL e SPC Serasa mostram ainda que, em dezembro de
2025, cada negativo desviou, em média, R$ 4.832,98, somando todas as dívidas, e
possuía pendências com 2,24 empresas credoras. Quase três em cada dez
consumidores (30,98%) tinham dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para
43,82% quando consideram dívidas de até R$ 1.000.
“O fato de grande parte das
dívidas estar especificado em valores relativamente baixos indica que, com
políticas adequadas de renegociação e educação financeira, muitos consumidores
poderiam regularizar sua situação. Isso teria um impacto imediato na retomada
do consumo e no fortalecimento da economia local”, destaca Claudio Mohammad.
Outro dado que chama atenção é
o volume de dívidas em atraso. No Brasil, o número de dívidas cresceu 17,14% em
dezembro de 2025 na comparação anual, acima do registrado no mês anterior. Na
passagem de novembro para dezembro, houve aumento de 1,31%. Entre os setores
credores, o maior crescimento foi distribuído em Água e Luz (21,32%), seguido
por Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%). Os bancos
concentram 65,16% do total das dívidas, seguidos por Água e Luz (11,26%),
Outros (9,07%) e Comércio (8,95%).
Segundo a CDL Petrópolis, esse
contexto tende a tornar o crédito mais caro e restrito, dificultando tanto a
renegociação de dívidas quanto o acesso a financiamentos. "Quando o risco
aumenta, o crédito encarece e fica mais seletivo. Isso trava o consumo,
especialmente de bens de maior valor, e afeta diretamente o varejo. Precisamos
de medidas que incentivem o uso consciente do crédito e evitem que o
superendividamento se transforme em uma barreira estrutural ao crescimento
econômico de Petrópolis e do país", aponta Claudio Mohammad.


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