Petrópolis recebe, no próximo dia 31 de janeiro de 2026, a Roda de Conversa sobre Educação Antirracista, que será realizada às 14h, no Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), localizado na Rua Monsenhor Bacelar, nº 400, no Centro da cidade.
A iniciativa busca fortalecer o debate sobre educação antirracista, o enfrentamento ao racismo estrutural e a promoção do respeito à diversidade cultural e religiosa, contribuindo para a construção de práticas pedagógicas mais justas, inclusivas e comprometidas com os direitos humanos.
O evento acontece em alusão ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
e ao Dia Mundial da Religião, celebrados em 21 de janeiro, reforçando a
necessidade de combater o racismo religioso e valorizar as tradições de matriz
africana e indígena, historicamente alvo de perseguições e discriminação.
Além da roda de conversa, a programação contará com lanche colaborativo e uma
apresentação cultural e musical da artista Nathália Quintella, valorizando a
expressão artística negra e a cultura afro-brasileira por meio do canto e da
performance. A proposta é integrar arte, ancestralidade, espiritualidade e
educação, ampliando o impacto simbólico e cultural do encontro.
A Roda de Conversa sobre Educação Antirracista é organizada pelo Coletivo Povo
do Santo, em parceria com o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
(CDDH) e o Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Governo Federal, por
meio do Instituto Caminho da Roça. A atividade é aberta ao público e convida
especialmente educadores, estudantes, lideranças religiosas, movimentos sociais
e toda a sociedade civil comprometida com a promoção da igualdade racial, da
liberdade religiosa e dos direitos humanos.
Convidados fortalecem o diálogo entre educação, cultura e ancestralidade
A roda de conversa contará com a presença de Bàbálórìṣà Márcio de Jagun,
advogado, professor, pesquisador da cultura iorubá, fundador do Instituto Ori e
referência nacional na defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos.
Também participa o Professor Nielson Bezerra, doutor em História, pesquisador
da Diáspora Africana e docente da UERJ, com atuação em projetos sobre memória,
educação nas periferias, ancestralidade e pós-abolição.
O encontro contará ainda com a Yakekerê Marta D’Oxum, doutora em Educação,
historiadora, pedagoga e liderança religiosa, com pesquisas sobre educação nos
terreiros, letramento racial, ensino da História da África, infâncias negras e
enfrentamento ao racismo religioso.
Pai Pedro Nogueira destaca educação e combate à intolerância religiosa
Pai Pedro Nogueira, sacerdote afro-ameríndeo, fundador e um dos coordenadores do Coletivo Povo do Santo em Petrópolis, além de Mestre em Ciências da Religião pela UFJF. Em sua mensagem, ele ressalta a importância do encontro:
“Makuiú, Kolofé, Motumbá, Salve, salve, Saravá, Aranauan, Axé! É com enorme satisfação que convidamos toda a comunidade afro-religiosa e a sociedade civil para nossa comemoração do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.”
Pai Pedro também chama atenção para as desigualdades históricas enfrentadas por
povos negros, indígenas e religiões de matriz africana, ressaltando a
importância do cumprimento das legislações educacionais:
“Povos marginalizados pela cor de sua pele ou pela fé que professam seguem
sendo vítimas de violências, inclusive quando o Poder Público deixa de
implementar políticas públicas ou de cumprir leis como a Lei 10.639/2003 e a
Lei 11.645/2008, que garantem o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira,
Africana e Indígena.”
Para ele, discutir o racismo estrutural é essencial para a transformação
social:
“Discutir o racismo estrutural e estruturante das relações sociais é fundamental se desejamos construir uma sociedade menos desigual, onde todas e todos, independentemente da pele que vestem, tenham seus direitos respeitados e valorizados. Sua presença é fundamental!”
Guilherme Freitas reforça papel da cultura e da educação na luta antirracista
O historiador Guilherme Freitas, conselheiro municipal de cultura, um dos coordenadores do Coletivo Povo do Santo em Petrópolis e integrante do Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Governo Federal, por meio do Instituto Caminho da Roça, destacou a relevância da realização do evento para a cidade:
“A realização desta roda de conversa sobre Educação Antirracista em Petrópolis representa um passo fundamental na luta por uma sociedade mais justa, plural e comprometida com a igualdade racial. Em um país marcado pelo racismo estrutural, não há transformação real sem que educação e cultura caminhem juntas como ferramentas de consciência, resistência e emancipação.”
Ele também enfatizou a importância do engajamento coletivo e da continuidade da
luta:
“A luta por uma sociedade antirracista exige ação coletiva, compromisso político e continuidade. Que este encontro inspire novas práticas, políticas públicas e mobilizações sociais em Petrópolis, reafirmando que cultura e educação são pilares centrais na construção de um futuro mais justo e igualitário.”
CDDH destaca importância do diálogo e da educação antirracista
Para Nathália Quintella, educadora popular no Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), sediar o evento reforça o compromisso da instituição com a luta antirracista e a promoção dos direitos humanos:
“Para o CDDH, que recebe as reuniões do Coletivo Povo do Santo e tem
participação ativa nas mobilizações e enfrentamentos, é de grande importância
também sediar essa roda de conversa. A educação antirracista está presente em
nossas atuações enquanto instituição e a promoção do diálogo é sempre bem-vinda,
já que enriquece nossa formação enquanto sociedade.”


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