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A Câmara Municipal de
Petrópolis publicou no Diário Oficial do Legislativo a prorrogação dos
trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a
concessionária Águas do Imperador. A ampliação do prazo permitirá aprofundar a
apuração sobre a prestação dos serviços de abastecimento de água e saneamento
no município.
A CPI é presidida pela
Vereadora Professora Lívia (PCdoB), que vem conduzindo, junto com seus pares,
oitivas, diligências e análise documental. Até o momento, a comissão já realizou
oitivas para escutar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, lideranças
comunitárias da região do Alto Independência, a Comissão Técnica da Comdep —
responsável pela fiscalização da subconcessão dos serviços da Águas do
Imperador — além da própria presidente da Comdep.
A prorrogação ocorre em meio a
denúncias e questionamentos que ganharam força especialmente no bairro Alto
Independência e em meio a decisão judicial que suspendeu o reajuste da tarifa
de água e esgoto concedida pela Prefeitura.
Para a presidente da CPI, o
debate ultrapassa questões contratuais e toca no campo dos direitos
fundamentais. “Água e saneamento são direitos, não privilégios. O acesso à água
potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial, reconhecido pela
ONU e garantido pela Constituição Federal. São serviços indispensáveis à saúde
pública e à dignidade humana. Justamente por isso, a prestação não pode ser
tratada como mercadoria, submetida apenas à lógica do lucro, tampouco pode
ocorrer sem fiscalização, transparência e responsabilidade social”, afirmou a
Vereadora.
A vereadora destacou que
moradores do Alto Independência relataram a cobrança de taxa de esgoto sem a
efetiva prestação do serviço. “Cobrar por um serviço não prestado é injusto e
completamente irresponsável. A população é onerada mensalmente e precisa de
respostas claras”, declarou a Vereadora Profª. Lívia.
Também foram levantadas
suspeitas de irregularidades na instalação da tubulação de coleta de esgoto na
Rua Coronel Veiga, ponto que integra o escopo de análise da comissão. “A
ausência de informações claras sobre os procedimentos adotados, somada à falta
de transparência quanto ao cumprimento das leis ambientais, gera insegurança e
indignação. O saneamento básico não é apenas uma questão de conforto urbano,
mas de proteção à saúde coletiva e ao meio ambiente. Quando executado de forma
inadequada ou incompleta, transforma-se em risco”, afirmou.
A investigação também dialoga
com o Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que estabelece metas de
universalização e parâmetros para a prestação e fiscalização dos serviços até
2033. A Vereadora também analisa se o contrato de concessão e sua renovação
observaram integralmente as obrigações legais, ambientais e contratuais.
Sobre os valores cobrados, a
presidente da comissão foi enfática: “O custo do serviço entregue é altíssimo
frente à sua baixa qualidade. Tarifas elevadas não se justificam quando há
insuficiência no fornecimento, precariedade na infraestrutura e falhas
evidentes na execução do contrato de concessão. A população não pode pagar a
conta da ineficiência, muito menos financiar um serviço que não chega às suas
casas.”
A Vereadora Profª. Lívia
também questionou a renovação do contrato sem que as falhas apontadas fossem
previamente sanadas. “É inadmissível que o município tenha renovado o contrato
com a concessionária sem que essas falhas fossem devidamente resolvidas. A
renovação de uma concessão pública deve estar condicionada ao cumprimento
rigoroso das obrigações contratuais, legais e ambientais. Quando isso não
ocorre, o poder público falha em seu papel de fiscalizador e defensor do
interesse coletivo.”
Com o novo prazo, a CPI poderá
convocar novas oitivas, solicitar documentos complementares e aprofundar a
análise técnica. Ao final, será apresentado um relatório conclusivo, com
possíveis encaminhamentos aos órgãos competentes.
“A população do Alto
Independência — e de toda Petrópolis — tem o direito de exigir explicações,
reparação e responsabilização. Água e saneamento são direitos básicos, e não
favores. Garantir água e saneamento de qualidade é garantir vida digna”,
concluiu a presidente da CPI, Vereadora Profª. Lívia (PCdoB).
A prorrogação mantém o tema no
centro do debate público municipal e reforça a cobrança por transparência,
fiscalização efetiva e respeito aos direitos da população.


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