Casa Stefan Zweig / Divulgação

O Cineclube Casa Stefan Zweig apresenta neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, às 16h30, a exibição do documentário As cores e amores de Lore, dirigido por Jorge Bodanzky, seguida de conversa com o diretor, com moderação de Luiz Aquila. A sessão integra a Programação Cultural 2026 da Casa Stefan Zweig e é uma alternativa cultural para quem busca fugir da folia carnavalesca.

 

Fascinante, colorido e sensível, o filme retrata a trajetória pessoal e artística da pintora Eleonore Koch (1926–2018), conhecida como Lore, única discípula de Alfredo Volpi. Judia alemã, Lore refugiou-se com a família no Brasil pouco antes da Segunda Guerra Mundial e construiu uma obra singular, marcada pelo rigor cromático e pela pesquisa formal. O documentário foi realizado a partir de uma série de encontros entre Bodanzky e a artista e integrou a seleção oficial do Festival É Tudo Verdade de 2024.

 

Desde muito jovem, Lore demonstrava interesse pelas cores. Aos 17 anos, ingressou na Escola de Belas Artes de São Paulo, mas abandonou o curso antes de concluí-lo. Seguindo a orientação dos pais, estudou encadernação e, posteriormente, teve formação com nomes importantes das artes plásticas, como Yolanda Mohalyi, Elisabeth Nobiling, Samson Flexor e Bruno Giorgi. Em Paris, conviveu com o pintor Árpád Szenes, companheiro de Maria Helena Vieira da Silva, durante uma temporada decisiva para sua formação.

 

Antes de se dedicar integralmente à pintura, Lore trabalhou como cenógrafa na TV Tupi e atuou como secretária de personalidades como os físicos Mário Schenberg e César Lattes, na Universidade de São Paulo, além do designer Aloísio Magalhães, no Rio de Janeiro. Sua relação com Alfredo Volpi, com quem estudou a partir do final dos anos 1940, foi intensa e exigente. Considerada sua única discípula, aprendeu com o mestre a técnica da têmpera, em um processo marcado por silêncio, rigor e discussões cromáticas.

 

Após uma resistência inicial dos curadores, sua obra foi exibida em quatro edições consecutivas da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1959 e 1967. Participou ainda do Salão Paulista e do Salão Nacional de Arte Moderna, além de realizar exposições individuais em importantes galerias e no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na década de 1960, mudou-se para Londres, onde manteve produção constante com o apoio do colecionador Alistair McAlpine. Para complementar a renda, trabalhou por 13 anos na Scotland Yard, traduzindo depoimentos. Retornou ao Brasil em 1989 e encerrou sua produção artística em 2002. Após sua morte, em 2018, sua obra teve valorização expressiva no mercado de arte.

  

Jorge Bodanzky / Foto: Reprodução Facebook


Sobre o diretor

Jorge Bodanzky iniciou sua carreira como repórter fotográfico e colaborou com veículos como Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo e as revistas Manchete e Realidade. Como cineasta, realizou documentários e filmes em parceria com nomes como Hector Babenco, Antunes Filho e Maurice Capovilla. Seu trabalho mais conhecido, Iracema, uma transa amazônica (1975), tornou-se referência do cinema brasileiro. Em 2022, foi o grande homenageado do Festival de Brasília, ano em que também recebeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro pela série Transamazônica: uma estrada para o passado (HBO). 

O Cineclube Casa Stefan Zweig conta com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

  

Serviço

As cores e amores de Lore
Documentário | Brasil (SP) | 80 min | 2024
Classificação indicativa: 14 anos

Exibição seguida de debate com o diretor Jorge Bodanzky
Moderação: Luiz Aquila

Sábado, 14 de fevereiro de 2026

16h30
Rua Gonçalves Dias, 34 – Valparaíso
Entrada franca

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