Desde o início das ações do projeto Conexão Verde, sucessivos casos de descarte irregular vêm comprometendo o reaproveitamento de materiais recicláveis em Petrópolis. Nos últimos dias, um novo episódio foi identificado no Ponto de Entrega Voluntária (PEV) de Pedro do Rio, onde uma caçamba exclusiva para vidro foi contaminada por resíduos orgânicos, tornando impossível a reciclagem de todo o volume depositado.
Ao todo, quatro caçambas já foram descartadas pela metade, somando aproximadamente 50 toneladas de vidro reciclável enviadas ao aterro sanitário, interrompendo um ciclo que poderia retornar integralmente à cadeia produtiva. Restos de comida e até animais mortos foram encontrados dentro da estrutura sinalizada exclusivamente para vidro. A contaminação impede a triagem segura e obriga o descarte total do material, mesmo sendo um produto 100% reciclável e reutilizável infinitas vezes sem perda de qualidade.
Segundo César Magno, gestor da Opensat Soluções e idealizador do Conexão Verde, a situação evidencia um problema coletivo. “Basta um descarte errado para perder todo o material. Não é apenas o vidro de quem descartou incorretamente, mas de todos que fizeram a separação correta. O que poderia voltar para a indústria acaba indo para o aterro”, afirma.
Além do impacto ambiental, o episódio gera custos operacionais. O conteúdo contaminado precisa ser retirado por caminhão, transportado até Três Rios, descartado no aterro sanitário e a caçamba passa por lavagem antes de retornar ao ponto de coleta. “O sistema depende da colaboração de todos. Quando parte da população faz certo e outra parte não, toda a cadeia é prejudicada. Desde quem separa em casa até quem trabalha com reciclagem”, explica César.
O problema ganha dimensão ainda maior pelo tempo de decomposição do material. O vidro leva milhares de anos para se degradar na natureza e, quando enviado ao aterro, deixa de ser matéria-prima para ocupar espaço permanente no meio ambiente. “Estamos falando de um material praticamente eterno. Ele poderia ser reciclado infinitas vezes, gerar renda e reduzir impactos ambientais, mas por falta de atenção se transforma em rejeito”, completa.
O projeto reforça que os PEVs possuem identificação clara sobre os materiais permitidos e que a separação correta começa dentro de casa. A contaminação recorrente das caçambas demonstra que o principal desafio não é estrutural, mas de conscientização. A orientação é que apenas o material indicado seja depositado nos pontos de coleta, garantindo que os resíduos retornem à cadeia produtiva em vez de se transformarem em passivo ambiental


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