A Câmara Municipal de
Petrópolis realizou, nesta terça-feira (03), a segunda oitiva da CPI da Águas
do Imperador. Participaram da ocasião a presidente da comissão, vereadora
Professora Lívia, o vice-presidente Léo França, o relator Júnior Paixão, além
dos vereadores Júnior Coruja, Júlia Casamasso, Octavio Sampaio e Domingos
Protetor. Foram ouvidos os representantes comunitários Flávio Roberto de
Andrade (Independência), Simone Izídio Cesário (Taquara) e Luciana Marçal, que
denunciaram o impacto financeiro das novas tarifas e a precariedade do serviço
prestado pela concessionária nas regiões.
Os depoimentos dos líderes
comunitários apontam que as contas dobraram de valor após a inauguração da nova
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), sem que os moradores sentissem o
benefício real do serviço.
Dentre as denúncias,
destaca-se a cobrança abusiva da Águas do Imperador, atingindo valores
incompatíveis com a renda das famílias. Além disso, apontam que o serviço é
inexistente ou incompleto, já que em muitos locais o esgoto ainda corre a céu
aberto. Disseram ainda que a estrutura existente no bairro foi feita pelos
próprios moradores há anos. Os líderes comunitários também chamam a atenção
para a falta de comunicação, já que não houve consulta prévia sobre a obra nem
esclarecimento adequado sobre as tarifas. Somam-se a isso reclamações sobre a
qualidade da água, descrita como excessivamente clorada, de gosto desagradável
e, em dias de chuva, com aspecto barrento.
Lívia revelou um cenário de
indignação popular com cobranças consideradas abusivas e serviços de saneamento
incompletos.
A vereadora enfatizou que a
empresa tem falhado gravemente no diálogo com a população e no cumprimento das
condicionantes ambientais presentes na licença. "A empresa não avisou a
todos os moradores com antecedência necessária quando iniciaria a cobrança e
quanto seria o valor cobrado pelo esgoto. Vale dizer que a Educação Ambiental é
uma obrigação da empresa, mas ela está descumprindo elementos que foram
condicionados na licença. Os relatos dessa oitiva popular são importantíssimos
para registrar nos documentos da CPI o quanto a população sente seus direitos
violados pela empresa em virtude dos péssimos serviços oferecidos.”, pontuou a
Vereadora Professora Lívia, lembrando que o lucro da empresa contrasta com a
falta de assistência aos moradores que não conseguem arcar com o custo do
serviço.
Júnior Paixão demonstrou
preocupação com o peso das faturas no orçamento das famílias e propôs medidas
práticas para aliviar a situação. "Vou fazer uma indicação legislativa
aqui na Casa para rever as ligações sociais, para que tenham uma taxa menor. É
uma forma da gente ajudar vocês da melhor maneira, porque se te cobra um pouco
menos, você tem condição de pagar. Precisamos chegar a um bom senso para que as
comunidades mais carentes tenham um valor mais justo".
O vereador Léo França fez
duras críticas à postura da concessionária e à ausência de fiscalização por
parte do Poder Executivo. “A empresa vem realizando cobranças de tratamento de
esgoto utilizando redes que foram construídas pelo próprio poder público ou
pelos moradores, sem garantir a devida manutenção do sistema. É preciso cobrar
responsabilidade da Águas do Imperador. Quem não tem o serviço de tratamento de
esgoto efetivamente prestado não pode ser cobrado por isso. A gestão municipal
precisa exigir o cumprimento rigoroso do contrato”, afirmou o vereador.
A CPI agora cruzará os relatos
das comunidades com os documentos técnicos da empresa e da prefeitura. O
próximo passo será ouvir representantes da COMDEP e da concessionária sobre as
falhas apontadas, nos dias 05 e 06 de fevereiro, respectivamente, às 10h.

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