Depois de um 2025 marcado por
crescimento tímido nas vendas, o comércio entra em 2026 sob expectativa de
retomada gradual. A avaliação é da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis
(CDL), que vê na sinalização de queda da taxa básica de juros um fator
determinante para reativar o consumo e destravar o crédito. Dados divulgados
pelo IBGE mostram que o varejo ampliado — que inclui veículos e materiais de
construção — cresceu apenas 0,1% em 2025, após avanço de 3,7% em 2024. No
varejo restrito, que foca em bens de consumo diário e imediato, a alta foi de
1,6%, também abaixo do ritmo anterior. Para a CDL, o desempenho confirma um
ambiente impactado por juros elevados, menor confiança do consumidor e aumento
da inadimplência.
Segundo o presidente da
entidade, Cláudio Mohammad, o resultado do ano passado não surpreende, mas
também não indica fragilidade estrutural do setor. "O comércio atravessou
2025 em um cenário de crédito caro e orçamento familiar mais urgente. Isso
naturalmente desacelerou decisões de compra, especialmente de bens de maior
valor. Ainda assim, não houve retração significativa, o que demonstra a
resiliência do setor", afirma.
A principal variável para
2026, segundo a entidade, é na política monetária. Em janeiro, o Comitê de
Política Monetária manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou possibilidade de
início do ciclo de cortes nos próximos meses. Para Cláudio Mohammad, a redução
dos juros pode representar um divisor de águas para o varejo.
“A queda da Selic tende a
reduzir o custo do crédito e melhorar as condições de financiamento, tanto para
o consumidor quanto para o empresário. Se esse movimento se confirmar de forma
consistente, 2026 pode ser um ano de recuperação mais firme das vendas,
principalmente no varejo ampliado”, destaca.
Apesar da desaceleração nas
vendas, o mercado de trabalho apresentou desempenho relevante em 2025. A taxa
de desemprego encerrou o quarto trimestre em 5,1%, uma das menores da série
recente, enquanto a renda média real cresceu 5% no ano. O comércio respondeu
por 247 mil das 1,28 milhão de vagas formais abertas no período, segundo o
Caged. Em Petrópolis, o setor registrou 40% dos 559 postos de trabalho de saldo
positivo no ano.
Na avaliação da CDL
Petrópolis, esse conjunto de fatores — emprego em nível elevado, renda maior e
perspectiva de juros menores — cria uma base mais favorável para o consumo ao
longo de 2026, ainda que o endividamento das famílias continue exigindo
cautela.
“O varejista precisa manter
uma gestão rigorosa de crédito e atenção ao fluxo de caixa, mas o ambiente
tende a se tornar mais estimulante. O comércio é um dos principais motores de
geração de emprego e renda no país e, historicamente, reage com rapidez quando
as condições macroeconômicas melhoram”, avalia o presidente da CDL Petrópolis.
Para a entidade, o cenário não é de euforia, mas de expectativa fundamentada.
“A confirmação do ciclo de queda dos juros poderá marcar o início de um novo
momento para o varejo brasileiro e também para o comércio local, que acompanha
de perto os desdobramentos da política econômica nacional”, aponta Cláudio
Mohammad.

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