As fortes chuvas registradas em Petrópolis provocaram infiltrações e alagamentos na UPA de Cascatinha e levantaram questionamentos sobre as condições estruturais da unidade. O episódio ganhou repercussão após o relato da ativista social Daniela Freitas, que acompanha a internação da mãe, Maria Virgínia Maciel, de 89 anos, no local.


Segundo Daniela, a idosa está internada há cinco dias e inicialmente aguardava vaga em CTI. Com a melhora do quadro clínico após resposta ao tratamento com antibióticos, passou a necessitar apenas de um leito para continuidade da assistência. No entanto, durante o temporal, a estrutura da unidade não suportou o volume de água.


“Choveu dentro da sala amarela, onde minha mãe estava internada. A água caiu sobre a cabeça dela. Foi preciso removê-la às pressas e colocá-la perto da porta de entrada do setor”, relatou. “Foi uma situação extremamente constrangedora e dolorosa. Estamos falando de uma senhora de quase 90 anos.”.


De acordo com a filha, outros setores também apresentaram problemas, incluindo alagamento no banheiro feminino. Ela afirma que tentou falar com a coordenação da unidade no momento do ocorrido, mas não havia responsável disponível. “Os profissionais estão se esforçando e nos atendem com dedicação. Minha crítica não é à equipe, mas à falta de manutenção adequada da estrutura. Não pode faltar um plano emergencial para situações como essa”, declarou.


Após insistência, Maria Virgínia foi transferida para um espaço mais reservado. Ainda assim, Daniela afirma que o sentimento é de vulnerabilidade. Integrante do movimento Reage Mãe e atuante na defesa de cuidados e direitos das mulheres, ela diz que nunca imaginou vivenciar situação semelhante com a própria família. “Eu sempre lutei por dignidade e cuidado. Hoje me sinto vulnerável vendo minha mãe exposta a esse risco dentro de uma unidade de saúde.”.


A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) é um equipamento público do Sistema Único de Saúde (SUS) destinado ao atendimento de urgência e emergência, funcionando 24 horas por dia. As UPAs têm como objetivo prestar assistência imediata a casos de média complexidade, estabilizar pacientes e, quando necessário, encaminhá-los para hospitais. Não são estruturadas para internações prolongadas, mas, diante da escassez de leitos hospitalares, muitos pacientes acabam permanecendo por dias nas unidades à espera de transferência.


O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de manutenção preventiva e intervenções estruturais nas unidades de saúde, especialmente em períodos de instabilidade climática. Para familiares de pacientes, a preocupação agora é com o que pode ocorrer caso novos temporais atinjam a cidade enquanto pessoas seguem internadas no local.



Post a Comment

Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.

Postagem Anterior Próxima Postagem

PUBLICIDADE