Artistas e produtores se reuniram com Adenilson Honorato / Foto: Divulgação


Classe artística cobra prazo e transparência 


A reunião realizada na última terça-feira (4) entre representantes da Prefeitura de Petrópolis e produtores culturais para tratar das obras do Theatro Dom Pedro terminou com mais questionamentos do que respostas para parte da classe artística da cidade. O encontro foi conduzido pelo presidente do Instituto Municipal de Cultura de Petrópolis, Adenilson Honorato, e contou com a presença de representantes da Secretaria de Obras.


Durante a reunião, a Prefeitura apresentou um relatório com o andamento das intervenções realizadas no teatro, fechado há anos para obras de restauração. Entre os serviços citados estão as instalações elétricas e hidrossanitárias, recuperação de piso, paredes e telhado, implantação de sistema de combate a incêndio, instalação de elevador e plataforma de acessibilidade, pintura interna e externa, restauro das pinturas artísticas, além de melhorias nos camarins e nas salas de dança e música.


Segundo Honorato, a reabertura do espaço é tratada como prioridade pela gestão municipal. “Nosso compromisso é manter o setor informado, dialogando de forma aberta e responsável sobre cada avanço da obra. O Theatro Dom Pedro é um patrimônio histórico e cultural da cidade”, afirmou.


No entanto, artistas presentes no encontro avaliaram que as explicações apresentadas repetem falas feitas em gestões anteriores e não trouxeram novidades concretas sobre o futuro do teatro. Um dos principais pontos de insatisfação é a ausência de um prazo definido para a reabertura do espaço.


Outro tema levantado foi a falta de apresentação pública de uma planilha detalhada com os custos das obras realizadas ao longo dos últimos anos. Segundo integrantes do setor cultural, essa transparência é considerada essencial para compreender o andamento do processo de restauração.


De acordo com organizadores do ato cultural previsto para o próximo dia 10 de março, a reunião teria sido convocada justamente após a mobilização da classe artística em torno da manifestação.


 

Artistas defendem retomada do teatro

Durante o encontro, representantes do setor cultural também reagiram às dificuldades apontadas para o funcionamento do teatro após a conclusão das obras, como contratação de pessoal, aquisição de equipamentos de som e iluminação e custos de manutenção.


Para a atriz e produtora cultural Pita Cavalcanti, uma das organizadoras do ato “O Theatro é Nosso!”, é preciso evitar que esses obstáculos sejam usados como justificativa para adiar ainda mais a retomada das atividades.


“Se pensarmos apenas nas dificuldades, o teatro nunca vai funcionar. Nossa intenção não é apontar culpados, mas trazer essa discussão para a população e mostrar a importância do teatro para a cidade”, afirmou.


Ela explica que a mobilização busca ampliar o debate público sobre o tema e envolver a sociedade na defesa do espaço cultural. “A nossa ideia é mobilizar o maior número de interessados na abertura e funcionamento do Theatro e também dar visibilidade, às esferas estaduais e federais, dos problemas que estamos enfrentando há pelo menos sete anos”, completou.


A atriz e diretora teatral Iara Rocha, da Cia Língua de Trapo – Escola Popular de Teatro, também destacou o clima de insatisfação entre artistas da cidade.


“Há uma grande insatisfação quanto à não previsão de reabertura do teatro, assim como há anseio da classe artística em ter mais transparência quanto ao orçamento das obras do Theatro Dom Pedro nesses últimos sete anos”, ressaltou.


 

Ato público no dia 10

Como forma de ampliar a mobilização, artistas e produtores culturais convocam a população para o ato “O Theatro é Nosso!”, marcado para o dia 10 de março, às 17h, em frente ao Theatro Dom Pedro, na Praça dos Expedicionários, no Centro Histórico de Petrópolis.


A manifestação pretende reunir artistas, produtores e moradores da cidade em defesa da reabertura do espaço e por mais transparência nas informações sobre as obras, que já se estendem por cerca de sete anos.


Para Pita Cavalcanti, o ato também pretende fortalecer a mobilização do setor. “A nossa ideia é mobilizar o maior número de interessados na abertura e funcionamento do Theatro e também dar visibilidade, às esferas estaduais e federais, dos problemas que estamos enfrentando há pelo menos sete anos”, finalizou.


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