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Apesar de ainda serem frequentemente associadas aos homens, as doenças cardiovasculares são hoje a principal causa de morte entre mulheres no mundo todo, inclusive no Brasil. Problemas como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca são responsáveis por cerca de uma em cada três mortes femininas, superando inclusive o câncer de mama.
“Falar sobre a saúde do coração das mulheres é fundamental, especialmente em um mês que convida à reflexão sobre cuidado e autocuidado. Neste ano, essa discussão ganha ainda mais significado para nós, já que o Hospital Santa Teresa completa 150 anos de história, sendo um dos mais antigos do País. Ao longo desse tempo, acompanhamos de perto a evolução dos desafios de saúde feminina e sabemos que a informação ainda é uma das principais aliadas para mudar esse cenário”, afirma Vinicius Vieira do Amaral, Diretor Técnico do Hospital Santa Teresa.
De acordo com o cardiologista Dr. Nélio Gomes, do HST, a percepção equivocada de que se trata de um problema predominantemente masculino contribui para que o risco ainda seja subestimado pela população. “Muita gente ainda acredita que infarto é uma doença mais comum em homens, mas as doenças cardiovasculares também são um grande problema para as mulheres e precisam ser levadas a sério”, afirma o especialista.
Um dos fatores que ajudam a explicar essa subestimação é que os sintomas podem se manifestar de forma diferente no público feminino. Embora a dor no peito continue sendo o sinal mais comum, as mulheres têm maior probabilidade de apresentar sintomas considerados atípicos em homens, como cansaço extremo, falta de ar, náusea, dor nas costas, na mandíbula ou no pescoço, tontura e mal-estar inespecífico.
Segundo o especialista, essas manifestações muitas vezes são confundidas com ansiedade, estresse ou indisposição passageira, o que pode atrasar a busca por atendimento médico. “Muitas mulheres relatam apenas um mal-estar diferente ou um cansaço súbito. Como os sintomas nem sempre são clássicos, elas podem demorar mais para procurar ajuda”, explica o Dr. Nélio Gomes.
Outro fator que influencia o risco cardiovascular feminino são as mudanças hormonais ao longo da vida. Antes da menopausa, o estrogênio exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. No entanto, com a queda hormonal, o risco aumenta de forma significativa. “Após a menopausa, há aumento do colesterol ruim, da pressão arterial e maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal, o que eleva o risco de doenças do coração”, destaca o cardiologista.
Além dos fatores clássicos, como hipertensão, colesterol alto, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo, algumas condições específicas da vida da mulher também podem indicar maior risco cardiovascular no futuro. Complicações durante a gravidez, como pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional e diabetes gestacional, por exemplo, são consideradas sinais de alerta para problemas cardíacos ao longo da vida.
O especialista também chama atenção para o impacto do estresse e da sobrecarga emocional. Muitas mulheres enfrentam uma rotina marcada por dupla jornada de trabalho, responsabilidades familiares e pouco tempo para o autocuidado, fatores que podem favorecer hábitos prejudiciais à saúde. “O estresse crônico mantém o organismo em estado constante de alerta, aumentando a pressão arterial, a frequência cardíaca e a inflamação no corpo. Com o tempo, isso contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares”, afirma.
A boa notícia é que grande parte desses problemas pode ser evitada com medidas simples de prevenção. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, além de evitar o tabagismo, são atitudes fundamentais para reduzir o risco.
Segundo o cardiologista do Hospital Santa Teresa, os cuidados devem começar cedo. “A prevenção cardiovascular precisa fazer parte da rotina da mulher desde a juventude. Com acompanhamento médico e hábitos saudáveis, é possível reduzir significativamente o risco de infarto e outras doenças do coração”, conclui o Dr. Nélio Gomes.


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