O número de
brasileiros inadimplentes voltou a crescer e chegou a 73,7 milhões de
consumidores em fevereiro de 2026, o equivalente a 44,11% da população adulta
do país. Os dados são do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de
Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil e reforçam um cenário que também preocupa o
comércio em cidades como Petrópolis. A pesquisa foi divulgada esta semana e um
dos dados que mais chama a atenção é o atraso de pagamento de contas relativas
a serviços básicos: as contas de água e luz lideraram o aumento, com alta de
27,28%.
Na comparação
com fevereiro do ano passado, o número de devedores no país aumentou 10,22%,
enquanto na passagem de janeiro para fevereiro deste ano houve crescimento de
0,71%. O aumento anual foi puxado principalmente por dívidas antigas, com tempo
de inadimplência entre quatro e cinco anos.
Para o
presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), Cláudio
Mohammad, o cenário nacional ajuda a explicar um ambiente de consumo mais
cauteloso também no comércio local. “O aumento da inadimplência impacta
diretamente o varejo. Quando o consumidor perde o acesso ao crédito ou precisa
priorizar dívidas antigas, ele reduz as compras e isso se reflete no movimento
do comércio. Em cidades como Petrópolis, onde o varejo tem forte presença na
economia e no emprego, esse efeito acaba sendo sentido de forma clara”, avalia.
Segundo o
levantamento, cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 4.992,43, com
pendências junto a 2,29 empresas credoras. Ao mesmo tempo, uma parcela
significativa das dívidas é de baixo valor: 29,9% são de até R$ 500, percentual
que chega a 42,5% quando o valor não ultrapassa R$ 1 mil.
Para Cláudio
Mohammad, esses números mostram que muitas vezes pequenas dívidas acabam se
acumulando e tirando o consumidor do mercado de crédito. “Muitas vezes são
valores relativamente baixos que, por falta de planejamento ou por dificuldades
no orçamento doméstico, acabam se transformando em uma barreira para o consumo.
Por isso, iniciativas de renegociação e educação financeira são fundamentais
para ajudar o consumidor a recuperar o crédito e voltar a movimentar a
economia”, afirma.
Outro dado que
chama atenção é o avanço no número de dívidas em atraso. Em fevereiro de 2026,
o volume de pendências cresceu 17,76% em relação ao mesmo período de 2025. As
contas de água e luz lideraram o aumento, com alta de 27,28%, seguidas por
bancos (17,26%), comunicação (14,82%) e comércio (2,14%).
Para o
presidente da CDL Petrópolis, a recuperação do crédito do consumidor é um fator
essencial para manter o dinamismo da economia local e a falta de pagamento de
serviços básicos mostra a gravidade do problema. “Reflete na qualidade de vida
a inadimplência de água e luz por exemplo. Já no comércio, que é um dos
principais motores da economia de Petrópolis, o impacto é forte. É preciso dar
meios para a sanidade financeira e a permanência na adimplência, com educação
sobre as finanças pessoais e familiares. Quando o consumidor consegue
reorganizar sua vida financeira e recuperar o acesso ao crédito, ele volta a
consumir, o que movimenta as lojas, gera empregos e fortalece toda a cadeia
econômica da cidade”, conclui.


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