| Fotos: Mitra Diocesana |
A Diocese de Petrópolis deu um passo importante no processo de beatificação e canonização do Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade (1837–1881). No dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, assinou os decretos de nomeação da Comissão Histórica e Tribunal Eclesiástico e Tribunal de Justiça da postulação do Pe. Siqueira responsáveis pela fase diocesana da causa.
A assinatura ocorreu na sede
da Mitra Diocesana e contou com a presença da vice-postuladora da causa, Irmã
Maria Aparecida Santana de Souza, CFA, além de sacerdotes e religiosos que
integram os trabalhos do tribunal e das comissões.
Sacerdote diocesano, o Padre
João Francisco de Siqueira destacou-se por sua profunda espiritualidade e por
uma atuação pastoral marcada pela caridade, especialmente no campo da educação
e do cuidado com meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Fundador da
Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo, deixou um legado
que permanece vivo na Igreja e na sociedade.
A sessão de abertura oficial
do Inquérito Diocesano está prevista para o dia 10 de abril. Concluída essa
fase, a documentação será enviada ao Dicastério para as Causas dos Santos, no
Vaticano.
Caminho de fé e dedicação
Pe. João Francisco de Siqueira
Andrade nasceu em Jacareí, São Paulo, em 16 de julho de 1837, filho de Miguel
Nunes de Siqueira e Claudina Maria de Andrade. Ingressou no Seminário Diocesano
de São Paulo, concluindo seus estudos antes de seguir para a Província de São
Pedro, no Rio Grande do Sul. Lá, foi acolhido pelo bispo Dom Sebastião Dias
Laranjeiras e ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1864.
Desde o período de seminário,
demonstrava forte preocupação com a educação juvenil. "Como estudante,
minha grande preocupação era a educação da juventude brasileira. Decidi que,
depois de ordenado, fundaria uma casa para educar meninos pobres",
escreveu.
Pe. Siqueira estudou a
realidade do país e concluiu que o bem-estar social e religioso dependia de uma
educação acessível ao povo. Durante a Guerra do Paraguai, atuou como voluntário
da pátria e, ao retornar, buscando aliviar os efeitos da tuberculose, fixou-se
em Petrópolis.
A realidade da orfandade
gerada pela guerra e a falta de oportunidades para mulheres chamaram sua
atenção. Em 1866, diante dos primeiros debates sobre a emancipação dos escravizados
e a necessidade de trabalho livre no Brasil, percebeu que era o momento de
iniciar sua missão educacional. "Minha convicção de que era chegado o
tempo e de que a obra era de Deus, que nunca deixou de velar sobre este país,
era tão forte que minha divisa única foi e é: 'Ou a morte, ou o triunfo de uma
empresa que considero divina'", declarou no documento Apelo ao País,
de 1877.
O projeto foi apresentado ao
imperador Dom Pedro II em 15 de julho de 1868. Dois meses depois, recebeu
aprovação, com o monarca enfatizando que a ideia era "boa e humanitária,
porém dificílima".
A missão que transcendeu o tempo
Determinado, Pe. Siqueira percorreu fazendas no interior do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo para arrecadar apoio à sua iniciativa. Cavalgar sob o sol e a chuva, enfrentar críticas e desafios nunca foram empecilhos para sua missão. "Caminharei de rua em rua, de casa em casa, até percorrer a cidade toda… com ânimo, disposto a aceitar, em nome de Deus, qualquer escola que me queira dar", declarou ao Jornal Mercantil em 5 de maio de 1875.
Consciente de sua vocação,
escreveu: "É justo que, tendo feito o voto mais firme de minha existência
em prol da infância desvalida e me consagrado ao bem da Igreja e da nossa
pátria, use de toda a franqueza para com o público, confessando diante de Deus
a sinceridade e a abnegação com que trabalho".
O legado de Pe. Siqueira
permanece vivo. Sua obra ultrapassou séculos e continua impactando a vida de
inúmeras crianças e adolescentes. As Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do
Amparo seguem dando continuidade à missão do sacerdote, reafirmando sua
dedicação ao ensino e ao acolhimento dos mais vulneráveis. Seu exemplo de fé e
serviço reforça a importância da educação e inspira gerações.
*Conteúdo produzido por Rogério Tosta, assessor de imprensa da Mitra Diocesana

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