A Prefeitura de Petrópolis, o Governo do Estado e o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (Unifase) promoveram um simulado de desocupação de áreas de risco neste sábado (21/03), na Estrada da Saudade. O exercício teve como foco o deslocamento de pessoas com deficiência e hipervulnerabilidade para locais seguros em dias com previsão de chuva ou eventos climáticos. A intenção é construir um protocolo para ações de remoção dessas pessoas de modo antecipado, uma vez que elas possuem mobilidade reduzida, demandando um tempo maior para o atendimento.


"Essa é uma preocupação compartilhada por todos nós do município, do Estado e da universidade: o cuidado com as pessoas mais vulneráveis, que enfrentam ainda mais dificuldade em momentos de eventos climáticos. Essa união entre Prefeitura, Governo do Estado e Unifase vai permitir a construção de um protocolo focado na segurança e na vida dessas pessoas. O trabalho é longo, temos muito ainda para pensar e organizar, mas nosso objetivo principal é esse: trabalhar de forma preventiva, atendendo essas pessoas de forma antecipada e cuidadosa", apontou o prefeito Hingo Hammes. 


Nos últimos meses, a Secretaria de Estado de Saúde vem se reunindo com diversos órgãos da Prefeitura, como as secretarias de Saúde, Defesa Civil, Pessoa com Deficiência, Assistência Social, entre outros, para debater a construção de um plano de remoção focado nas pessoas com deficiência e hipervulnerabilidade. A Unifase entrou nessa união pela expertise obtida por meio do projeto de Extensão "Comunidade que Cuida da Vida". 


A ideia é que esse protocolo seja acionado partir do momento em que houver um aviso meteorológico antecipado, com horas de antecedência para chuva ou eventos climáticos previsto, o que permite a mobilização das equipes de socorro de Saúde para realizar o transporte para locais seguros – unidades de saúde, pontos de apoio ou acolhimento na rede de contatos das próprias pessoas (por exemplo, casa de familiares). 


O assessor da Secretaria de Estado de Saúde, Sérgio Simões, destacou que essa iniciativa tem potencial para se tornar referência para o país no atendimento dessa população. 


"O trabalho que vem sendo feito aqui na cidade de Petrópolis é um modelo que precisa ser apresentado ao Sistema Nacional de Defesa Civil pela objetividade, assertividade e avanço para uma ação de resposta que antecipe a eclosão de eventos críticos provocados por chuvas fortes", disse Simões.


A realização desse simulado na Estrada Saudade ocorreu em virtude do projeto "Comunidade que Cuida da Vida", desenvolvido pela Unifase, em conjunto com a Defesa Civil na comunidade. Esse projeto busca mapear pessoas com dificuldades de mobilidade e hipervulneráveis e identificar rotas de fuga de forma articulada com a comunidade para entender as necessidades locais e criar estratégias de proteção. 


"Depois de mapearmos a microárea dos hipervulneráveis, buscamos algumas soluções para essas pessoas antes da chuva. Estamos fazendo isso em diálogo com a população, porque este projeto é construído junto com os moradores. A ideia é que essas pessoas possam ser retiradas antes desse momento de chuva. Em conversa com as secretarias de Saúde do Estado e do município e com a Defesa Civil, vimos a possibilidade dessa retirada", explicou a coordenadora do projeto "Comunidade que cuida da vida", professora Livia Teixeira. 


Durante a atividade, duas pessoas foram transportadas para hospitais, uma para casa de um parente e outra para o ponto de apoio na comunidade, a Escola Municipal Jorge Amado.  Todas moram na comunidade do Fragoso. 


"O nosso papel é informar a população frente a um evento climático extremo. Com o aviso da Defesa Civil, será possível programar o sistema de saúde para poder levar essas pessoas hipervulneráveis para um lugar seguro", afirmou o secretário de Defesa Civil, Guilherme Moraes.


"Com esse simulado, a gente consegue identificar quais são as dificuldades que se tem ao lidar com situações divergentes, já que são pessoas com deficiência ou hipervulnerabilidade, que a gente precisa identificar e trabalhar no sentido de antecipar a remoção dessas pessoas com segurança para um local adequado, para não ter o problema exatamente quando o desastre acontece. Esse simulado vai trazer todo conhecimento melhor do que acontece no território num dia de desastre", disse a superintendente de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Fabíola Heck.

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