Duas alunas egressas e uma
futura formanda da Engenharia de Computação do Cefet/RJ Uned Petrópolis tiveram
seus trabalhos aprovados em dois importantes eventos acadêmicos da área: o
Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC),
que será realizado em maio, na Praia do Forte (BA), e o 31st IEEE Symposium on
Computers and Communications (ISCC), que acontecerá em junho, em Portugal.
Isabela Alves e Júlia Souza
atuaram juntas desde a pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em
2025, e tiveram seus artigos aceitos em ambos os simpósios: “Uma ferramenta
adaptativa para detecção de ataques Cross-Site Scripting no lado do cliente”,
no SBRC, e “An Adaptive Client-Side Tool for Detecting XSS Attacks”, versão em
inglês do estudo, no ISCC.
Caroline Braga, que está no
último período do curso, apresentará no SBRC o artigo “Análise de
Vulnerabilidades em Configurações Padrão de Serviços em Provedores de
Computação em Nuvem”, também desenvolvido a partir de seu TCC. Todos os
trabalhos contaram com a orientação dos professores Dalbert Matos Mascarenhas
(Cefet/RJ Uned Petrópolis) e Igor Monteiro Moraes (UFF).
“Até faltam palavras para
descrever o sentimento”, comemorou Júlia. “É como se a ficha não tivesse caído
ainda. Às vezes, a gente não acredita que é capaz de alcançar resultados,
porque falta isso ou falta aquilo. Acontece que o primeiro passo é sempre fazer
e, depois de feito, a gente pode ir desenvolvendo”, afirmou.
Já Caroline frisou que ter o
trabalho reconhecido pelo SBRC representa um presente de formatura antecipado.
“É uma felicidade enorme. A gente passa meses focando no TCC, anos se dedicando
aos estudos, e às vezes nem tem dimensão de onde isso pode chegar. Para mim,
isso demonstra que o trabalho desenvolvido aqui na faculdade tem relevância
real e científica”, ressaltou.
Isabela celebrou a conquista
das três e reforçou a importância da presença feminina na Engenharia, área
ainda majoritariamente masculina. “Conto nos dedos as mulheres que estudaram
comigo na graduação e que vejo em nossa área no mercado de trabalho. Vejo que
as mulheres têm força, intelecto e capacidade para estarem cada vez mais
presentes nesses ambientes”, declarou.
Ela também destacou o papel de
referências históricas na área: “assim como mulheres como Ada Lovelace
(primeira programadora), Marie Curie (radioatividade) e Hedy Lamarr (Wi-Fi)
pavimentaram o caminho, nosso papel agora é continuar essa jornada de construção”.
Saiba mais sobre os trabalhos:
O artigo propõe uma ferramenta
para detecção de ataques do tipo Cross-Site Scripting (XSS), executada
diretamente no lado do cliente e baseada em técnicas de inteligência
artificial. A ferramenta foi implementada como uma extensão de um navegador web
e combina engenharia de atributos, vetorização textual e o algoritmo Random
Forest, resultando em um modelo robusto capaz de identificar padrões maliciosos
com baixo tempo de resposta e alta acurácia.
“Então, a nossa ferramenta
fica ‘vigiando’ enquanto você navega na internet e usa uma IA para determinar
se você está sofrendo um ataque ou não. Nós tivemos resultados muito
interessante em ambientes controlados, e agora estamos pensando em maneiras de
testar em ambientes reais”, explicou Julia.
Os resultados superam 99% nas
principais métricas de desempenho, indicando a viabilidade da proposta para
proteção contra ataques XSS.
• Análise de Vulnerabilidades em Configurações Padrão de
Serviços em Provedores de Computação em Nuvem, de Caroline Braga
O trabalho apresenta uma
análise comparativa das vulnerabilidades de segurança originadas por configurações
padrão (default settings) nos principais provedores de nuvem (AWS, Azure e
GCP). A adoção acelerada de serviços em nuvem introduziu desafios complexos no
Modelo de Responsabilidade Compartilhada.
“Para investigar este cenário,
desenvolveu-se um framework de auditoria automatizada utilizando Infraestrutura
como Código (Terraform) e orquestração via CI/CD no GitHub Actions com
estratégia de execução matricial paralela. Esta automação submeteu 15 cenários
de infraestrutura distintos à auditoria de 165 controles de segurança via
análise estática (Checkov)”, explicou Caroline.
Os resultados revelaram uma
taxa global de falha de 60,6% nos recursos recém-criados, apontando que a
segurança em nuvem exige a transição para guardrails automatizados integrados às
esteiras de desenvolvimento.

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