A luta por políticas públicas
voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias tem sido marcada,
historicamente, por lacunas estruturais, descontinuidade administrativa e
dificuldade de acesso a direitos básicos. Em Petrópolis, esse cenário vem sendo
enfrentado por meio da articulação entre sociedade civil e o mandato popular do
deputado estadual Yuri Moura, que tem apostado na escuta direta como ferramenta
central para construção de soluções. Foi nesse contexto que foi realizado,
ontem, segunda-feira, 13 de abril, o encontro “Café com Famílias Atípicas”,
realizado em parceria com a Associação Nenhum Direito a Menos, reunindo cerca
de 30 pais e mães em um espaço de acolhimento, troca e encaminhamento de
demandas concretas.
O encontro evidenciou um
quadro preocupante relatado pelas famílias, que denunciaram falhas graves na
gestão municipal e os impactos diretos no cotidiano de crianças e adolescentes
com deficiência. Na educação, a ausência de mediadores escolares foi apontada
como um dos principais obstáculos, deixando estudantes fora das salas de aula e
comprometendo o direito à inclusão. Na saúde, os relatos indicaram um sistema
sobrecarregado e ineficiente, com falta de medicamentos na Farmácia Popular,
espera de até três ou quatro anos por consultas com neurologistas e casos de
encaminhamentos especializados aguardando resposta desde 2022.
As demandas apresentadas foram
acompanhadas pela equipe do mandato de Yuri Moura, que atua no suporte
jurídico, orientação sobre benefícios e articulação institucional para garantir
que os casos avancem. A proposta, segundo o deputado, é transformar a escuta em
ação contínua. “Não se trata apenas de ouvir, mas de assumir responsabilidade
sobre cada uma dessas demandas e garantir que elas avancem até a solução. Essas
famílias não podem continuar invisibilizadas”, afirmou.
Outro ponto central do
encontro foi a crítica à atual estrutura administrativa do município no que diz
respeito às políticas para pessoas com deficiência. Participantes destacaram a
importância da reativação da Secretaria da Pessoa com Deficiência, apontando
que a fusão da pasta com outras áreas enfraqueceu a pauta, reduziu a
transparência na aplicação de recursos e comprometeu a efetividade das
políticas públicas. “Quando a pauta perde espaço institucional, quem perde são
as famílias. É preciso reconstruir essa política com prioridade e estrutura
própria”, declarou Yuri Moura.
Além de consolidar as demandas
locais, o encontro também serviu como prestação de contas do mandato e
atualização das ações já em andamento. Entre os destaques está o avanço das
discussões da audiência pública “Pessoas com deficiência também crescem”,
realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que
resultou na criação de um Grupo de Trabalho permanente voltado à construção de
políticas para a vida adulta das pessoas com deficiência, incluindo propostas
de moradia assistida, autonomia e garantia de direitos ao longo da vida.
Outro instrumento apresentado
foi a “Carteirada do Bem”, iniciativa desenvolvida no âmbito da Comissão de
Legislação Participativa que organiza, de forma acessível, informações sobre
direitos, legislações e caminhos para reivindicação. A ferramenta tem como
objetivo ampliar a autonomia das famílias, permitindo que mães e pais atípicos
tenham acesso facilitado às políticas públicas e possam cobrar sua efetivação
com mais segurança.
A parceria com a Associação
Nenhum Direito a Menos também foi reforçada como um dos pilares da atuação do
mandato. A articulação conjunta já resultou em agendas institucionais
importantes, como a reunião com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
que tratou de denúncias sobre interrupção de terapias, descredenciamentos e
falhas no atendimento por planos de saúde.
Ao reunir famílias,
sistematizar demandas e fortalecer redes de apoio, o encontro consolida uma
estratégia política baseada na participação popular e na construção coletiva.
Mais do que um espaço de escuta, o “Café com Famílias Atípicas” se afirma como
instrumento de pressão e organização social, transformando experiências
individuais em pautas estruturadas e cobrando do poder público respostas
efetivas para garantir dignidade, inclusão e acesso a direitos.


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