Conhecida como uma das
principais ameaças à saúde cardiovascular, a hipertensão arterial segue
avançando de forma silenciosa no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e da
Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que cerca de 32,5% dos adultos
convivem com a doença, índice que pode ultrapassar os 60% entre pessoas com
mais de 65 anos. No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial,
celebrado em 26 de abril, o alerta dos especialistas se volta à conscientização
sobre diagnóstico precoce, controle rigoroso e mudanças no estilo de vida.
De acordo com o cardiologista
Dr. José Kawazoe Lazzoli, do Hospital Santa Teresa, a hipertensão pode ser
ainda mais fatal e perigosa por ser uma doença silenciosa. “A maioria dos
pacientes hipertensos não apresenta nenhum sintoma, por isso é uma ‘doença
silenciosa’”, afirma. Ainda assim, os riscos são elevados: sem controle
adequado, a condição está diretamente associada ao aumento das chances de
infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e
insuficiência renal.
O cenário atual reforça a
preocupação. O especialista destaca que fatores comportamentais têm papel
central no crescimento da doença. Sedentarismo, excesso de peso e alimentação
rica em sal e alimentos ultraprocessados estão entre os principais
vilões. “O sedentarismo, por exemplo, pode aumentar em até cinco vezes o
risco de desenvolver hipertensão, enquanto o histórico familiar também
contribui como fator de predisposição”, destaca.
Na prática, a prevenção passa
por mudanças consistentes na rotina. A adoção de hábitos saudáveis, como a
prática regular de atividade física, o controle do peso corporal e a redução do
consumo de sal, são medidas essenciais para reduzir o risco da doença e
melhorar a qualidade de vida.
Como não costuma apresentar
sinais claros, o diagnóstico depende da aferição regular da pressão arterial.
Consultas de rotina e check-ups cardiológicos são fundamentais nesse processo.
A medição em casa pode ser uma aliada, mas deve ser interpretada com cautela.
“A medida periódica da pressão arterial ou mesmo um check-up cardiológico
acabam sendo uma forma de diagnosticar a hipertensão. A medição domiciliar é
válida, porém apresenta limitações, devido à baixa confiabilidade dos medidores
digitais de pressão arterial. Havendo medidas casuais alteradas, convém
procurar um cardiologista para uma avaliação e o correto diagnóstico”, explica
o médico. Em caso de alterações, a recomendação é procurar um especialista para
avaliação adequada.
Uma vez diagnosticada, a
hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada de forma eficaz. O tratamento
envolve, na maioria dos casos, o uso contínuo de medicamentos, definidos
conforme o perfil de cada paciente, além de mudanças no estilo de vida. “É
necessário haver o critério adequado para diagnosticar hipertensão arterial, já
que habitualmente resulta em um tratamento de longo prazo. Uma vez tratada, é
importante haver um controle rigoroso, pois a redução do risco de complicações
associadas é resultado do estrito controle dos níveis tensionais. O objetivo é
não somente o bem-estar do paciente, mas também, e principalmente, a redução do
risco cardiovascular”, destaca Lazzoli.
Para o cardiologista do
Hospital Santa Teresa, a data reforça a importância da informação e do cuidado
contínuo com a saúde. “Mesmo sendo uma doença silenciosa, a hipertensão pode
ter consequências muito graves quando não é diagnosticada e tratada
corretamente. Por isso, é fundamental que as pessoas adotem hábitos saudáveis,
façam acompanhamento regular e estejam atentas aos níveis de pressão arterial,
como forma de prevenir complicações e garantir mais qualidade de vida”,
conclui.


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