Pesquisa divulgada nesta quarta (01) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que, nesta Páscoa, o consumidor brasileiro está equilibrando a balança entre o desejo impulsionado pelas redes sociais e a necessidade rigorosa de autocontrole financeiro. O levantamento destaca o poder das plataformas digitais na decisão de compra. Seis em cada dez consumidores (61%) afirmam ser influenciados por tendências de sabores e formatos de ovos que viralizam nas redes.


De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis, Cláudio Mohammad, o dado revela uma mudança importante no comportamento de consumo. “As redes sociais passaram a ter um papel decisivo na construção do desejo, especialmente em datas sazonais como a Páscoa. O desafio para o consumidor é equilibrar esse impulso com a realidade do orçamento, e para o comércio, entender esse movimento e se posicionar de forma estratégica”, avalia.


A pesquisa mostra que 24% são “compradores por impulso viral”, aqueles que decidem a compra puramente pelo desejo de experimentar o que está em alta. Já, para a maioria (37%), embora exista a curiosidade despertada pelo digital, o valor final do produto atua como um limitador, podendo vetar a compra da tendência. Na contramão da viralização, 34% ignoram completamente os fenômenos virais, mantendo-se fiéis aos sabores tradicionais, como ao leite, crocante e branco.


Apesar da pressão orçamentária, a pesquisa revela que a Páscoa permanece como um ritual social prioritário. Para 59% dos brasileiros, o preço é irrelevante quando o presente é destinado a alguém especial. O público infantil é o maior motor dessa tendência: 20% dos pais admitem que comprarão o que os filhos pedirem, independentemente do valor.


Segundo Cláudio Mohammad, esse comportamento reforça o caráter afetivo da data. “A Páscoa tem um componente emocional muito forte, ligado à família e, principalmente, às crianças. Isso faz com que, muitas vezes, o consumidor relativize o preço, priorizando a experiência e o simbolismo do presente”, destaca.


A pesquisa mostra ainda que 41% dos consumidores precisarão fazer ajustes nas finanças para encaixar os chocolates no orçamento. Entre as estratégias, 24% pretendem reduzir gastos com saídas e deliveries, enquanto 12% afirmam que podem substituir itens da cesta básica para garantir o chocolate.


Diante da falta de limite no cartão ou dinheiro à vista, 30% recorrem a estratégias mais arriscadas, como o uso do cheque especial ou empréstimos (16%) ou cartões de terceiros/parentes (14%). Por outro lado, 52% optam por produtos de menor valor para manter a celebração dentro do orçamento. Já 26% interrompem a jornada de compra por falta de dinheiro ou crédito, sinalizando que, para três em cada quatro brasileiros, a data é considerada inegociável.


O levantamento também aponta que 67% dos entrevistados fazem compras fora do planejado, sendo que 41% escondem o valor real da compra da família ou do cônjuge para evitar conflitos. As táticas vão desde minimizar o preço (“foi baratinho”, citado por 12%) até o chamado “consumo secreto” (10%), quando o produto é consumido sem que outros saibam.


“A combinação de forte apelo emocional com estímulos visuais e digitais cria um ambiente propício ao consumo por impulso. Por isso, é fundamental que o consumidor tenha clareza do seu limite financeiro antes de ir às compras”, orienta Cláudio Mohammad.




Impulso de última hora é forte entre consumidores

Embora 43% tentem manter rigor no planejamento, 31% acabam cedendo a estímulos de última hora no ponto de venda. O apelo visual, como o chamado “túnel de ovos” (19%), e o “efeito choro” — influência dos filhos para evitar conflitos na loja (12%) — aparecem como os principais gatilhos de compra.


Por outro lado, 26% adotam uma postura mais racional, atuando como “caçadores de promoções”, ignorando a compra caso não identifiquem uma vantagem clara de preço.


Pensando na Páscoa dos últimos anos, 80% afirmam raramente ou nunca se arrepender do gasto, indicando que a satisfação imediata e o cumprimento do ritual social compensam o aperto financeiro posterior para a maioria. Ainda assim, 15% admitem arrependimento frequente por ceder ao impulso e comprometer a fatura.


Outro dado relevante é a mudança no comportamento em relação às marcas: 26% dos consumidores priorizam o custo-benefício e estão dispostos a trocar sua marca favorita por outra mais barata e saborosa. Esse movimento é reforçado pela aceitação da imperfeição estética: 37% aceitam ovos quebrados ou danificados em troca de economia de até 50%.


Por fim, a pesquisa indica que 42% dos consumidores são conservadores e não pagam mais por novidades. As exceções ficam por conta de produtos com temas infantis (21%) e opções diet, light ou funcionais (19%), que ainda conseguem justificar um preço mais elevado.


Para a CDL Petrópolis, o cenário exige atenção do varejo. “O lojista que conseguir equilibrar preço competitivo, apelo visual e presença digital tende a sair na frente. Ao mesmo tempo, é importante que haja transparência e responsabilidade na comunicação com o consumidor, especialmente em um momento em que muitos já estão com o orçamento pressionado”, aponta Cláudio Mohammad.

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