Catedral São Pedro de Alcântara / Foto: André Carvalho


Imagens falam por si

Sinos que ecoam pelo centro histórico

Há imagens antigas que falam por si. Em uma delas, ainda em preto e branco, um grupo observa a chegada de grandes estruturas metálicas diante da Catedral São Pedro de Alcântara. À primeira vista, poderia ser apenas mais um registro de obra. Mas não é. Trata-se de um momento raro: a instalação dos sinos que, hoje, fazem parte da identidade sonora de Petrópolis.

 

Vindos da Europa, mais precisamente da cidade de Passau, os sinos foram fundidos em bronze e atravessaram o oceano até chegar à serra fluminense. O conjunto, formado por cinco peças e hoje situado na torre de 70 metros da fachada principal da Catedral São Pedro de Alcântara, soma cerca de nove toneladas — um dado que evidencia o desafio logístico de trazê‑lo ao Brasil em meados do século XX — embora algumas fontes apontem que o peso total possa chegar a aproximadamente 12 toneladas, considerando estruturas e componentes adicionais.


Foto: Reprodução / Grupo Eu Amo Petrópolis RJ (Facebook)


Uma torre que veio depois

Curiosamente, os sinos não integravam o projeto original da catedral. A construção do templo começou em 1884, em estilo neogótico inspirado nas igrejas do norte da França, e foi inaugurada em 1925, após décadas de obras e interrupções.

 

A torre principal, no entanto, só seria concluída muito tempo depois — entre as décadas de 1960 e 1969 —, quando finalmente foi possível instalar o carrilhão.


Esse intervalo ajuda a compreender por que os sinos representam um capítulo posterior na história da igreja.

 

A obra contou com nomes importantes da engenharia nacional, como Heitor da Silva Costa, responsável por uma das fases da construção, além do empreiteiro Manuel Pereira Jerônimo, ligado à execução do projeto original.

 

 

A engenharia que levou os sinos ao alto

É nesse contexto que a fotografia ganha valor histórico singular. O registro revela uma solução impressionante: uma grande rampa de madeira, construída da base até o topo da torre, funcionando como um plano inclinado para içamento.

 

Antes da popularização de guindastes de grande porte no Brasil, esse tipo de estrutura era utilizado em obras complexas. Trilhos, cabos e sistemas de tração permitiam que peças extremamente pesadas fossem conduzidas lentamente até o alto, com precisão e risco controlado.

 

A imagem sugere uma operação de engenharia minuciosa, quase artesanal, que transformou temporariamente a torre da catedral em um verdadeiro canteiro vertical. Um esforço coletivo que não costuma aparecer nos registros oficiais, mas que foi essencial para dar forma ao monumento que hoje se vê.

 

Subida dos sinos da Catedral / Foto: Acervo jornalista Sylvio de Carvalho
 


A chegada que virou memória

É nesse cenário que a fotografia, possivelmente pertencente ao acervo do saudoso jornalista Sylvio de Carvalho (Tribuna de Petrópolis), ganha ainda mais significado. Ela vai além do registro de uma etapa da obra e de um momento simbólico: captura o encontro entre diferentes tempos da própria Catedral.


A construção da Catedral São Pedro de Alcântara teve início em 1884, no século XIX, foi consolidada com a inauguração do corpo principal em 1925, e finalizada em detalhes apenas décadas depois. Registros institucionais da Diocese de Petrópolis indicam que a torre, que abriga os sinos, só foi concluída em 1969, fruto de campanhas e esforços da comunidade para completar o projeto original.

  

 

O som que atravessa o tempo

Hoje, quando os sinos da Catedral São Pedro de Alcântara ecoam pelo Centro Histórico, poucos imaginam a longa trajetória por trás daquele som. Mais do que instrumentos litúrgicos, eles são testemunhas de um processo que atravessou décadas, continentes e transformações urbanas.

 

A catedral que se vê hoje é resultado de tempos sobrepostos, do Império à modernidade, e os sinos ajudam a contar essa história a cada toque.



Curiosidades pouco conhecidas sobre os sinos da Catedral de Petrópolis:

  • O carrilhão da Catedral São Pedro de Alcântara foi afinado para execução de melodias litúrgicas, e não apenas para marcação de horas, seguindo tradição europeia de sinos harmônicos.
  • Cada sino possui uma inscrição própria, com referências religiosas e dedicatórias, além da identificação da fundição alemã responsável pela fabricação.
  • O funcionamento original do carrilhão incluía um sistema automático programado, capaz de executar sequências de badaladas em horários específicos ao longo do dia.
  • A estrutura interna da torre foi projetada para absorver vibrações intensas, evitando danos à alvenaria causados pelo impacto sonoro e pelo movimento dos sinos. 
  • Em dias de celebrações especiais, o toque dos sinos podia ser sincronizado com eventos litúrgicos, criando uma espécie de “trilha sonora” para a cidade, audível a grandes distâncias.
  • Em 2017, os sinos ficaram silenciados por alguns meses devido a danos causados por um raio. Após manutenção e instalação de um novo sistema de acionamento, voltaram a tocar oficialmente em 2019, retomando o som que hoje ecoa pela cidade.


Imagem: Canal Alexandre Hlenka



Visita que revela novos ângulos

Hoje, conhecer os sinos da Catedral São Pedro de Alcântara vai muito além da contemplação externa. O público pode acessar a torre por meio de um tour guiado com duração média de 40 a 50 minutos, mediante visitas em grupo em diversos horários. A experiência inclui a subida por escadas em espiral, passagem por áreas internas pouco conhecidas, acesso à parte superior da igreja e uma vista panorâmica privilegiada da cidade, além da proximidade com o mecanismo dos sinos. 


O percurso também contempla a Galeria Auto Expositiva Princesa Isabel, instalada no interior da torre, ampliando o mergulho histórico. As visitas acontecem em grupos, com saídas ao longo do dia, geralmente às 9h, 10h, 11h, 13h, 14h, 15h e 16h, de terça a sábado, e à tarde aos domingos, com ingressos vendidos na loja oficial ao lado da Catedral. Informações: (24) 2242-4300, (24) 2246-1223 e  (24)98829-1080 (WhatsApp).


Moradores de Petrópolis têm gratuidade às quartas-feiras, mediante comprovação. Como as vagas são limitadas, a recomendação é chegar com antecedência e evitar horários de missa. Informações atualizadas podem ser consultadas no site oficial da Catedral clicando neste link.


Fontes: Wikipedia, Diocese de Petrópolis, Gov.Br, livro "A Catedral de Petrópolis: Santuário da Memória da Cidade Imperial" (D. Gregório Paixão)

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