A Unita – Unidos por Itaipava- cobra da prefeitura que a operação “Limpa Fios” iniciada em janeiro na Rua Teresa para a retirada de cabos sem uso dos postes chega a Itaipava, principal polo turístico e comercial da cidade, que segue à margem de uma política que deveria ser municipal. A entidade vai mais além: depois da primeira ação, no Centro Histórico, não foram divulgadas novas intervenções, ainda que administrativas, nem de punições às empresas, principalmente de provedores de Internet, telefonia celular e tevê a cabo, que localizam espaço nos postos de operações da Enel.
A cobrança ganha ainda mais
peso diante de episódios registrados ao longo de 2025 em Itaipava, com
postagens pegando fogo em diferentes pontos da Estrada União e Indústria —
ocorrências associadas, segundos relatos recorrentes, ao acúmulo desordenado de
fios e à sobrecarga da rede. Para a entidade, os casos deixam claro que o
problema já ultrapassou a esfera estética e se tornou uma questão de segurança
pública.
Existe uma base legal. A Lei
Municipal nº 7.870/2019, de autoria do então vereador Hingo Hammes, atualizada
em 2025, determina a retirada de cabos de telecomunicações sem uso ou em mau
estado. Ainda assim, segundo a UNITA, a aplicação da legislação não foi
divulgada.
Presidente da UNITA, Alexandre
Plantz afirma que não há nem a prestação de contas dessa fiscalização nem a
prática. As postagens continuam lotadas de fios. "Mas o risco aqui é
concreto, diário. Já episódios de mensagens pegando fogo. Não podemos esperar
uma tragédia para que a lei seja cumprida na prática", alerta.
Além da execução do serviço, a
entidade também cobra transparência sobre a fiscalização. A legislação prevê
multas que podem ultrapassar R$ 23 mil por infração, mas não há divulgação
sistemática sobre autuações, valores arrecadados ou destino dos recursos.
O secretário da UNITA,
Fabrício Santos, questiona a falta de prestação de contas. "A 'Lei Limpa
Fios' não pode ser apenas um argumento institucional. É preciso mostrar
resultados. Quantas empresas foram autuadas em Itaipava? Qual o volume de
multas aplicadas? E, principalmente, onde esse dinheiro está sendo investido?
Defendemos que esses recursos retornam diretamente em melhorias para o próprio
distrito", pontua.
Para uma entidade, a atual
lógica de atuação — baseada em respostas pontuais, geralmente após temporais ou
rompimentos de cabos — é insuficiente para enfrentar o problema estrutural. A
UNITA defende a implementação de um plano contínuo de reordenamento da rede
aérea, com metas, cronograma público e acompanhamento pela sociedade civil.
"Itaipava é um dos
principais motores da economia de Petrópolis, com forte vocação turística e
comercial. Não faz sentido continuar convivendo com um cenário de
desorganização, risco e poluição visual. A cidade precisa de um padrão único de
qualidade urbana — e começa isso pela infraestrutura básica", aponta
Alexandre Plantz.


Postar um comentário
Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.