O cartão de crédito, principal
ferramenta de consumo dos brasileiros, está no centro do avanço da
inadimplência no país — que já atinge 74,31 milhões de consumidores. O alerta
vem de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do
Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, e
ganha reflexo direto em cidades como Petrópolis, onde o comércio já sente os
efeitos do descontrole financeiro.
O levantamento mostra que 58%
dos usuários de cartão de crédito não fazem qualquer controle ativo de seus
gastos. Em vez de monitoramento sistemático, parte significativa confia apenas
na tecnologia: 28% consultam o aplicativo do banco e 14% aguardam o fechamento
da fatura para saber quanto devem. Entre os 42% que mantêm algum tipo de
controle, métodos tradicionais ainda resistem, como o uso de caderno (18%) e
planilhas (14%), com maior adesão entre o público feminino.
Para o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), Cláudio Mohammad, o avanço da inadimplência
ligado ao cartão de crédito tem impacto imediato na economia local. “O cartão
facilita o consumo, mas também acelera o descontrole. Quando o cliente perde a
referência do quanto está gastando, o resultado aparece rapidamente na
inadimplência — e isso atinge diretamente o comércio, que passa a operar com
mais risco”, afirma.
A pesquisa revela ainda uma
mudança estrutural no mercado: 65% dos cartões são emitidos por bancos 100%
digitais, superando os tradicionais (60%). A facilidade de resolver tudo online
(44%), a rapidez na aprovação (36%) e a economia com taxas (33%) explicam essa
preferência.
Outro dado relevante é a
multiplicidade de cartões: 79% dos consumidores possuem ao menos um, com média
de duas unidades por pessoa. A busca por isenção de anuidade (36%) e aumento do
limite total (34%) impulsiona essa prática. “Mais cartões significam mais
limite disponível — e, sem controle, isso se transforma em um risco silencioso.
Em uma cidade como Petrópolis, onde o consumo no comércio local é fundamental,
esse cenário exige atenção redobrada”, avalia Cláudio Mohammad.
Apesar de 56% afirmarem pagar
o valor integral da fatura, os sinais de deterioração são claros. Entre os 15%
com contas em atraso, a média subiu para 2,2 faturas pendentes.
O estudo aponta ainda que 30%
dos consumidores foram negativados nos últimos 12 meses por dívidas no cartão,
enquanto 23% tiveram o cartão bloqueado por falta de pagamento. Além disso, 78%
desconhecem a taxa de juros do rotativo — fator que potencializa o endividamento.
Mesmo assim, 26% já recorreram ao pagamento mínimo da fatura, ainda que não
recentemente, e 11% utilizam essa alternativa quando necessário.
No uso cotidiano, o cartão
segue dominante: 61% dos consumidores o utilizam todos os meses, principalmente
pela possibilidade de parcelamento, citada por 53% como principal benefício.
Para 43%, inclusive, a impossibilidade de parcelar seria motivo para abandonar
o cartão.
Mas esse protagonismo começa a
ser ameaçado. O PIX Parcelado surge como concorrente direto, e 22% dos
consumidores afirmam que deixariam de usar o cartão de crédito caso a nova
modalidade oferecesse custos mais baixos. Para a CDL Petrópolis, o cenário
exige resposta rápida. “O crédito não é o problema — o problema é o uso sem
controle. Se esse comportamento não mudar, o cartão deixa de ser um aliado do
consumo e passa a ser um vetor de inadimplência crescente, com impacto direto
sobre o varejo”, aponta Cláudio Mohammad.


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