A tradição musical de Petrópolis segue encontrando espaço para renovação e formação de novos talentos na Escola de Música Santa Cecília. Com mais de 130 anos de atuação na cidade, a instituição mantém viva a proposta de democratizar o ensino da música e ampliar o acesso a diferentes estilos e instrumentos, incluindo modalidades consideradas mais regionais, como o acordeon e a sanfona. 


Reconhecida historicamente pela qualidade técnica de sua formação musical, a escola vem reforçando a diversidade de seu portfólio pedagógico ao oferecer aulas voltadas tanto para instrumentos clássicos quanto populares, atendendo diferentes perfis de estudantes e objetivos profissionais.


A presidente voluntária da instituição, Janine Meirelles, destaca que a pluralidade musical sempre foi um dos pilares da Escola de Música Santa Cecília. “Temos muito orgulho de manter uma instituição com um portfólio tão amplo de instrumentos. A Escola de Música Santa Cecília entende a diversidade dos alunos, dos interesses musicais e também a importância da qualidade técnica que Petrópolis possui na formação de carreira na música. Não trabalhamos apenas com os instrumentos populares e clássicos, mas também valorizamos instrumentos considerados mais regionais, porque eles fazem parte da nossa identidade cultural e artística”, afirmou.


Entre os cursos oferecidos pela instituição estão as aulas de acordeon diatônico, popularmente conhecido como sanfona, ministradas pelo músico e professor Breno Sanches, que há três anos integra o corpo docente da escola. Além da atuação como educador, ele também desenvolve carreira profissional em bandas de sertanejo e forró, levando para a sala de aula a experiência prática dos palcos e da música regional brasileira. 


A relação de Breno com a música começou ainda na adolescência, aos 14 anos, quando iniciou os estudos em instrumentos de corda, como violão e guitarra. Mais tarde, aprofundou-se na viola caipira, até descobrir na sanfona o instrumento que se conectava diretamente às suas referências culturais e musicais ligadas ao interior, à música sertaneja e à tradição regional brasileira. 


O primeiro contato com o instrumento aconteceu aos 20 anos, durante um aniversário de família, quando pediu emprestada a sanfona de um tio para começar a aprender sozinho. A partir da teoria musical já adquirida anteriormente, passou a estudar de forma autodidata e, em pouco tempo, começou a atuar profissionalmente em bandas da região. 


Atualmente, Breno atua como sanfoneiro do cantor sertanejo Fred Pontes, da banda de forró “Os Mezenga’s”, além de manter trabalhos solo voltados ao sertanejo e ao forró. 


Na Escola de Música Santa Cecília, o professor desenvolve uma metodologia voltada especialmente para facilitar o aprendizado dos iniciantes. Segundo ele, o primeiro passo é fazer com que o aluno conheça o instrumento e compreenda o funcionamento das teclas, baixos e do fole antes de iniciar exercícios mais avançados de coordenação motora. 


Breno também utiliza material didático próprio, criado para tornar o entendimento mais intuitivo e acessível. A teoria musical é trabalhada em conjunto com a prática instrumental, permitindo que o aluno compreenda a música de maneira gradual e integrada. 


Outro desafio comum enfrentado pelos estudantes é a coordenação entre as mãos direita e esquerda, especialmente nos primeiros contatos com a sanfona. Por isso, os exercícios iniciais são direcionados justamente para o desenvolvimento dessa independência motora. “O primeiro obstáculo do iniciante é justamente a coordenação. Somente após vencer essa etapa é que começamos a nos aprofundar”, explicou. 


A construção da chamada “memória muscular” também faz parte do processo pedagógico. O professor afirma que exercícios específicos e a repetição constante ajudam o estudante a desenvolver segurança e naturalidade na execução musical. 


Outro ponto trabalhado nas aulas é o domínio do fole, considerado um dos principais elementos de expressividade do instrumento. “O fole é o que faz a dinâmica do som da sanfona, o que mais o diferencia do teclado”, destacou o músico ao explicar que as técnicas mais avançadas são introduzidas após o domínio do básico. 


Nas aulas, os estudantes têm contato com ritmos tradicionais brasileiros como baião, xote, arrasta-pé, guarânia, toada e vaneira. Depois das primeiras etapas de aprendizado, o repertório passa a ser personalizado conforme o gosto musical e os objetivos individuais de cada aluno. 


Além da prática instrumental, o desenvolvimento do ouvido musical e da improvisação também integra o processo de formação. Segundo Breno, os estudos de escalas e campo harmônico ajudam o aluno a conquistar maior autonomia para tocar sem depender exclusivamente de partituras ou tablaturas. 


A escola ainda incentiva apresentações e performances públicas como parte do aprendizado, entendendo que a vivência prática diante do público contribui para o amadurecimento artístico dos estudantes. 


Além da formação musical, os alunos recebem orientações sobre conservação e manutenção do acordeon, incluindo limpeza, controle de umidade e cuidados com peças de couro, fundamentais para garantir a durabilidade e a qualidade sonora do instrumento.


Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).



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