Improvisar. Para muita gente, a palavra ainda parece associada a erro, falta de preparo ou ausência de planejamento. Mas, dentro da música, especialmente no universo do saxofone, improvisar significa exatamente o contrário: domínio técnico, percepção, escuta, criatividade e capacidade de adaptação. Na Escola de Música Santa Cecília esse conceito vem sendo trabalhado diariamente nas aulas de saxofone ministradas pelo professor Alberto Magno, músico profissional com décadas de trajetória artística e pedagógica.
Mais do que ensinar escalas, notas e exercícios, as aulas têm despertado nos alunos algo que ultrapassa a técnica musical: a capacidade de reagir ao inesperado, desenvolver confiança e encontrar a própria voz.
“O improviso é uma liberdade muito grande dentro da música. O aluno começa entendendo as notas, a técnica, a respiração, mas chega um momento em que ele percebe que pode criar. Isso muda tudo”, afirma Alberto.
A fala do professor dialoga diretamente com pesquisas acadêmicas recentes sobre os impactos da improvisação musical no desenvolvimento humano. Um estudo publicado pela Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, aponta que práticas de improvisação musical estimulam criatividade, autonomia, flexibilidade cognitiva e desenvolvimento emocional, especialmente em crianças e adolescentes. A pesquisa destaca que o improviso ajuda o estudante a compreender que erros podem ser transformados em caminhos criativos e que nem sempre existe apenas uma única resposta correta.
E talvez seja justamente aí que a música encontre um paralelo tão forte com a vida. Porque o cotidiano raramente segue exatamente como planejado. As pessoas organizam rotinas, fazem planos, estabelecem metas, mas convivem constantemente com mudanças inesperadas, frustrações, adaptações e decisões tomadas em tempo real. Saber improvisar emocionalmente diante dessas situações se tornou uma habilidade importante dentro de uma sociedade marcada pela velocidade, pela ansiedade e pela necessidade constante de adaptação.
Segundo Alberto Magno, o saxofone trabalha isso o tempo inteiro. “A improvisação exige atenção, percepção e confiança. O músico aprende a ouvir o que está acontecendo ao redor e responder na hora. A vida também funciona assim muitas vezes”, destaca.
Natural do Rio de Janeiro e morando em Petrópolis desde a infância, Alberto começou sua relação com a música ainda adolescente, tocando flautim em banda de colégio. Influenciado pelos discos instrumentais ouvidos dentro de casa e por nomes históricos do jazz, como Charlie Parker e John Coltrane, construiu uma trajetória voltada especialmente aos instrumentos de sopro e à improvisação musical.
Hoje, além das apresentações profissionais, dedica parte importante da rotina à formação de novos músicos na Escola Santa Cecília.
As aulas acontecem com liberdade pedagógica, respeitando o ritmo individual de cada estudante. O processo começa pela formação da embocadura, controle respiratório e desenvolvimento da sonoridade. Aos poucos, os alunos passam a trabalhar interpretação, percepção musical e construção da própria identidade artística.
“O aluno precisa entender que música é algo sério, mas também prazeroso. Quando ele consegue tirar um bom som do instrumento pela primeira vez, aquilo encanta”, afirma o professor.
E o saxofone possui características que potencializam exatamente essa conexão emocional.
Segundo Alberto, o instrumento é considerado um dos mais expressivos justamente pela semelhança sonora com a voz humana. Não por acaso, tornou-se símbolo histórico do jazz e do blues, estilos profundamente ligados à emoção, interpretação e improvisação.
“O saxofone permite personalidade. Cada músico toca de um jeito, respira de um jeito, interpreta de um jeito”, explica.
Essa construção individual aparece diretamente no trabalho realizado com os estudantes. O repertório é adaptado conforme o gosto musical de cada aluno, permitindo experiências que passam pela música erudita, popular, jazz, blues e diversos outros estilos.
Além da questão artística, Alberto afirma que os impactos da música aparecem rapidamente também no comportamento e no desenvolvimento emocional. “A música ajuda em 100% na disciplina, na concentração e na autoestima”, afirma.
Essa percepção encontra respaldo em outra pesquisa acadêmica desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC), que analisou práticas de improvisação musical livre em ambientes educacionais. O estudo aponta que atividades ligadas ao improviso ajudam crianças e adolescentes a desenvolver criatividade, capacidade de escuta, sensibilidade e segurança emocional, justamente porque trabalham situações imprevisíveis e construção de respostas espontâneas.
Na prática, Alberto percebe esses efeitos diariamente dentro da sala de aula. “É revigorante acompanhar a evolução dos alunos”, afirma. “Quando eles começam a ganhar confiança, isso aparece não só na música, mas na postura, na comunicação e até na forma de lidar com os desafios.”
Na Escola de Música Santa Cecília, o saxofone acaba funcionando como muito mais do que um instrumento musical. Entre notas, respiração e improvisos, as aulas ajudam estudantes a desenvolver algo cada vez mais necessário fora da música: a capacidade de continuar criando caminhos mesmo quando a vida muda completamente o ritmo da partitura.
Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).


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