O mês de maio é marcado pela
campanha Maio Verde, iniciativa voltada à conscientização sobre doenças e
condições que impactam diretamente a alimentação, o desenvolvimento infantil e
a qualidade de vida das crianças e de suas famílias. Entre os principais temas
abordados estão a doença celíaca, as alergias alimentares e a esofagite
eosinofílica, quadros que vêm apresentando aumento significativo nos
diagnósticos pediátricos nos últimos anos.
Embora muitas vezes sejam
associadas apenas a sintomas digestivos, essas doenças podem interferir
profundamente na relação da criança com a alimentação. Em muitos casos,
provocam dor, desconforto, inflamações, episódios de engasgo e mal-estar
recorrente durante as refeições. Com isso, o ato de comer pode se transformar
em uma experiência negativa, favorecendo o surgimento de seletividade alimentar
intensa, recusa alimentar e outros problemas alimentares na infância.
A fonoaudióloga Juliana
Menezes, mestre em Ciências da Saúde, especialista em Distúrbio Alimentar
Pediátrico e diretora técnica da Affect Centro Clínico e Educacional, clínica
especializada no acompanhamento de crianças com TEA, explica que a doença
celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão do glúten, proteína
encontrada no trigo, aveia, cevada e centeio. “Quando a criança celíaca consome
alimentos com glúten, o organismo reage causando inflamação no intestino, o que
compromete a absorção adequada dos nutrientes. Os sintomas podem variar
bastante, incluindo dor abdominal, diarreia, constipação, distensão abdominal,
irritabilidade, perda de peso e dificuldade no crescimento e desenvolvimento”,
enumera.
Em relação às alergias alimentares,
Juliana destaca que elas acontecem quando o sistema imunológico reage de forma
inadequada a determinados alimentos, como leite, ovo, soja, trigo, peixe e
oleaginosas, entre outros. “Essas reações podem ser leves, mas também podem
evoluir para quadros graves, exigindo atenção constante das famílias e dos
profissionais de saúde. Em muitos casos, a criança passa a associar
determinados alimentos ao desconforto físico, à dor ou ao medo, desenvolvendo
comportamentos de evitação alimentar, o que prejudica bastante sua saúde e
qualidade de vida”, acrescenta.
Segundo a fonoaudióloga, outra
condição que merece atenção durante o Maio Verde é a esofagite eosinofílica,
doença inflamatória crônica do esôfago frequentemente relacionada a mecanismos
alérgicos. “São comuns sintomas como dificuldade para engolir, sensação de
alimento parado, refluxo, vômitos, engasgos frequentes e dor durante as
refeições. Crianças com esse quadro podem evitar determinadas texturas,
consistências ou grupos alimentares inteiros como forma de proteção diante do
desconforto sentido ao comer”, pontua.
Para Juliana, muitos pais
associam esses comportamentos à “manha” ou apenas uma fase da infância e
desconhecem que eles podem estar relacionados a causas clínicas importantes. “O
diagnóstico precoce é fundamental para reduzir os impactos físicos, emocionais,
sociais e nutricionais dessas condições. Quando essas doenças são identificadas
rapidamente, é possível dar início ao tratamento adequado, proporcionando mais
conforto e segurança durante a alimentação. Além disso, o acompanhamento
precoce por uma equipe multiprofissional aumenta significativamente as chances
de evolução positiva nos casos de seletividade alimentar e distúrbios
alimentares pediátricos”, alerta.
A fonoaudióloga lembra que o
cuidado integrado inclui acompanhamento de médicos, nutricionistas,
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais da
saúde que atuam de forma integrada, cada um dentro de sua especialidade, para
promover um desenvolvimento mais saudável à criança. “Todo tratamento visa
melhorar a qualidade de vida de toda a família. Esse trabalho conjunto permite
compreender não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos emocionais e
comportamentais envolvidos na alimentação”, destaca.
Juliana cita como exemplo de
tratamento integrado o acompanhamento às crianças com distúrbios alimentares
pediátricos realizado na Affect Centro Clínico, que contempla uma abordagem
multiprofissional e individualizada, considerando as necessidades específicas
de cada paciente e de cada família. “A equipe atua em constante alinhamento com
os médicos assistentes, realizando acompanhamento próximo, troca de informações
e construção conjunta das estratégias terapêuticas”, completa.
Para a especialista, a conscientização
promovida pelo Maio Verde também busca ampliar o olhar da sociedade sobre a
alimentação infantil. “Mais do que apenas comer, a alimentação envolve vínculo,
desenvolvimento, experiências afetivas, segurança e qualidade de vida. Quando
uma criança apresenta dificuldade persistente para se alimentar, é importante
investigar além do comportamento e considerar possíveis condições clínicas
associadas”, enfatiza.
Juliana reforça que
conscientizar também significa acolher, informar e incentivar o diagnóstico
precoce, garantindo tratamento adequado, acompanhamento especializado e mais
qualidade de vida para crianças e famílias.


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