A poucos dias do Dia das Mães,
o comportamento do consumidor revela um equilíbrio delicado entre planejamento
e impulso — cenário que também se reflete no comércio de Petrópolis.
Levantamento da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas,
mostra que 77% dos brasileiros pretendem pesquisar preços antes de comprar, em
um movimento cada vez mais antecipado e estratégico.
De acordo com o estudo, 73%
dos consumidores iniciam essa busca com pelo menos 15 dias de antecedência. A
internet lidera como principal ferramenta, utilizada por 87% dos entrevistados
— com destaque para sites e aplicativos (78%) e redes sociais (43%). Ainda
assim, o varejo físico mantém protagonismo: 69% também pesquisam em lojas,
especialmente em shoppings (45%) e no comércio de rua (37%).
Em Petrópolis, onde o comércio
de proximidade tem forte presença, esse comportamento híbrido reforça o papel
das lojas físicas na etapa final da compra. Para o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), Cláudio Mohammad, o consumidor está
mais atento, mas não abre mão da data.
“O que a gente vê é um
consumidor mais racional na pesquisa, mas emocional na decisão. Ele compara
preços, busca vantagens, mas mantém o desejo de presentear, o que é muito forte
no Dia das Mães. Isso se reflete diretamente no movimento do comércio local”,
afirma.
Na hora de pagar, o Pix deve
liderar as transações: 68% pretendem comprar à vista, sendo 52% via Pix e 21%
no débito. Ao mesmo tempo, 58% ainda recorrem ao parcelamento, principalmente
no cartão de crédito (36%), com média de quatro prestações.
O dado que chama atenção é o
nível de exposição financeira: 64% dos consumidores admitem parcelar compras
sem garantia de pagamento. Entre eles, há três perfis distintos — os
“calculados” (37%), que mantêm algum controle; os “preocupados/otimistas”
(37%), que contam com soluções futuras; e os “imediatistas” (27%), que
priorizam o presente sem planejamento.
Para Cláudio Mohammad, esse
cenário exige sensibilidade por parte do varejo. “O lojista precisa entender
esse momento. Facilitar o pagamento, oferecer opções e manter transparência nas
condições são fatores que ajudam o consumidor a tomar decisões mais seguras,
especialmente em uma data de forte apelo emocional”, destaca.
A pesquisa também mostra que a
decisão de compra é influenciada por múltiplos estímulos. As vitrines lideram
com 39% de impacto — empatadas com o Instagram (39%) — seguidas por indicações
(35%) e buscadores (33%), reforçando uma jornada cada vez mais integrada entre
o físico e o digital. Entre os fatores decisivos, qualidade do produto (41%) e
preço (40%) aparecem praticamente empatados, seguidos por promoções (35%) e
frete grátis (30%).
Outro movimento que ganha
espaço é a divisão de custos: 13% dos consumidores pretendem compartilhar o
valor do presente, principalmente com irmãos (50%), outros familiares (32%) ou
o pai (23%). Em muitos casos, a estratégia busca viabilizar um presente melhor
(38%), enquanto outros recorrem à divisão por necessidade diante dos preços
(21%).
Mesmo com contas atrasadas,
boa parte diz que “dará um jeito” de presentear
Ainda que o consumidor tenha
restrições financeiras, o apelo emocional da data segue determinante. Entre os
consumidores, 39% afirmam estar com contas atrasadas, mas ainda assim 87% dizem
que “darão um jeito” de comprar o presente. Esse esforço passa por diferentes
estratégias: 57% pretendem optar por produtos mais baratos, enquanto outros
buscam renda extra (23%), dividem o valor (14%) ou recorrem a crédito de
terceiros.
A reorganização financeira
também aparece como consequência direta desse comportamento. Para 63%, o
presente do Dia das Mães é prioridade frente a outras despesas, levando ao
corte de gastos com lazer (24%), adiamento de compras pessoais (24%) ou até
mesmo ao parcelamento consciente, mesmo com impacto nos meses seguintes (23%).
“É uma data que mobiliza muito
mais do que o consumo. Existe um valor afetivo muito forte, que faz o
consumidor se reorganizar para não deixar passar em branco. Para o comércio de
Petrópolis, isso representa uma oportunidade importante, mas também um chamado
à responsabilidade na relação com o cliente”, analisa o presidente da CDL.


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