Os estudantes Jórdan Ferreira,
Laísa Ferreira e Michele Ferreira, do 8º período do curso de Bacharelado em
Turismo do Cefet/RJ Petrópolis, conquistaram destaque nacional ao colocar o
projeto “Entrementes” entre os 10 melhores do país no Desafio LED – Me Dá Uma
Luz Aí 2026. A iniciativa esteve entre as 3.820 propostas inscritas na edição
deste ano, que reuniu participantes de diferentes regiões do Brasil.
O Desafio LED é uma iniciativa
da Globo e da Fundação Roberto Marinho, em parceria com g1, que busca
incentivar soluções inovadoras voltadas para educação, tecnologia, inclusão e
transformação social. Em 2026, o desafio propôs a seguinte pergunta: “que solução
você desenvolveria para prevenir a evasão escolar?”.
Sob orientação dos professores
Roberta Dalvo e André Felipe, os estudantes propuseram então a plataforma
“Entrementes”, que busca capacitar, certificar e conectar mediadores escolares
às instituições de ensino. A proposta pretende ampliar o suporte oferecido a
alunos com necessidades específicas e fortalecer a inclusão educacional.
“Estar entre os 10 melhores
projetos do Brasil no Desafio LED – Me Dá Uma Luz Aí 2026 é uma sensação
indescritível de felicidade, gratidão e superação. Para mim, essa trajetória
representou muito mais do que uma competição; foi uma experiência de
enfrentamento dos meus próprios limites como autista”, ressaltou Jórdan.
A professora Roberta Dalvo
destacou que a conquista reforça o protagonismo dos alunos do curso de Turismo
do Cefet/RJ Petrópolis no cenário nacional da inovação educacional. Segundo
ela, o reconhecimento “demonstra como a educação, aliada à tecnologia e ao
compromisso social, pode transformar vidas e criar soluções com potencial de
impacto em todo o país”.
Saiba mais sobre o “Entrementes”
A ideia do “Entrementes”, de
acordo com Jórdan, surgiu a partir da sua própria vivência escolar e da falta
de acessibilidade em instituições de ensino, seja pela ausência de mediadores,
seja pela falta de preparo de profissionais para lidar com pessoas com
deficiência.
O estudante também contou como
a sua família teve papel fundamental em sua trajetória acadêmica, oferecendo
apoio e suprindo a ausência de suporte institucional adequado. Segundo ele, sua
mãe (Michele Ferreira) e sua irmã (Laísa Ferreira) atuaram como mediadoras
informais, oferecendo acolhimento, orientação e auxílio. A experiência
fortaleceu ainda mais os laços entre os três e, juntos, eles desenvolveram o
projeto.
“A iniciativa demonstra como a
criatividade e o empreendedorismo social podem transformar experiências
individuais de exclusão em soluções coletivas, sustentáveis e replicáveis,
capazes de gerar desenvolvimento humano e social duradouro”, destacou Jórdan.
O estudante explicou que o
objetivo do aplicativo vai além de suprir a carência de mediadores nas
instituições de ensino. A iniciativa também busca combater a evasão escolar de
pessoas com deficiência e contribuir para que escolas estejam mais preparadas
para lidar com diferentes necessidades e realidades.
Além disso, a plataforma
promove a mobilização da comunidade local, criando oportunidades de
capacitação, geração de renda e fortalecimento das redes de apoio educacional.
“Projetos como o ‘Entrementes’
demonstram que a inovação não se limita à tecnologia, mas também pode estar
presente na maneira como as pessoas se conectam, cooperam e constroem redes de
apoio capazes de gerar inclusão e dignidade”, afirmou o discente.
Confira a entrevista completa com Jórdan Ferreira
1) Como surgiu a ideia de criação do aplicativo
“Entrementes”?
Jórdan: A iniciativa surgiu a
partir da minha vivência diante da recorrente falta de acessibilidade nas
instituições de ensino, evidenciada tanto pela ausência de mediadores quanto
pelo despreparo de parte do corpo docente para lidar com pessoas com
deficiência. Essa realidade, longe de ser apenas estrutural, revelou-se
profundamente humana, pois impactou diretamente o processo de aprendizagem, o
sentimento de pertencimento e a permanência no ambiente acadêmico.
Nesse percurso, a ausência de
suporte institucional adequado foi, em grande medida, suprida pelo apoio
familiar. Minha mãe e minha irmã desempenharam o papel de mediadoras informais,
oferecendo acolhimento, orientação e auxílio que não me foram garantidos pelas
instituições educacionais ao longo da minha trajetória acadêmica. De acordo com
dados do INEP, o número de ingressantes com deficiência no ensino superior
aumentou significativamente; entretanto, a taxa de conclusão desses estudantes
pode ser até 50% menor. Além disso, cerca de 80% das dificuldades enfrentadas
não são intelectuais, mas estruturais e atitudinais.
Essa experiência pessoal e
coletiva evidenciou que a questão não se resume apenas ao acesso à
universidade, mas, sobretudo, à permanência. Quando o suporte necessário não é
assegurado pelo sistema educacional, essa responsabilidade recai, muitas vezes,
sobre a família, que nem sempre dispõe de recursos, tempo ou preparo para
assumir essa função.
2) Qual a importância de ideias criativas, empreendedoras e
inclusivas como o “Entrementes” para uma instituição de ensino e para a
sociedade em geral?
Jórdan: A criação de ideias
inovadoras é fundamental para o progresso da sociedade, pois é por meio da inovação
que surgem soluções capazes de transformar realidades, superar problemas
históricos e ampliar oportunidades para diferentes grupos sociais. Ideias
criativas não apenas modernizam processos e instituições, mas também promovem
desenvolvimento humano, tecnológico, econômico e social.
Em um mundo marcado por
constantes mudanças, inovar significa adaptar-se às novas demandas da sociedade
e buscar formas mais eficientes, humanas e sustentáveis de enfrentar desafios
coletivos. Nesse sentido, projetos como o “Entrementes” demonstram que a
inovação não se limita à tecnologia, mas também pode estar presente na maneira
como as pessoas se conectam, cooperam e constroem redes de apoio capazes de
gerar inclusão e dignidade.
O espírito empreendedor
desempenha papel essencial nesse processo, pois transforma ideias em ações
concretas. Empreender significa identificar problemas e desenvolver soluções
que gerem valor para a sociedade. Quando alguém empreende, cria oportunidades,
movimenta a economia, estimula a geração de empregos e fortalece a circulação
de renda dentro das comunidades. Em escala nacional, o empreendedorismo
contribui diretamente para o crescimento econômico do país, uma vez que amplia
a produtividade, incentiva a inovação, promove competitividade e reduz
dependências estruturais.
Além disso, iniciativas
empreendedoras voltadas ao impacto social possuem a capacidade de alcançar
áreas onde, muitas vezes, o poder público ou as estruturas tradicionais não
conseguem atuar de maneira suficiente.
Posto isso, o aplicativo
“Entrementes” objetiva não somente amenizar a insuficiência de mediadores nas
instituições de ensino, mas também reduzir a evasão escolar de estudantes com
deficiência. Para as instituições educacionais, iniciativas dessa natureza
fortalecem a inclusão, promovem a permanência dos alunos e estimulam a
construção de ambientes mais humanos, acessíveis e preparados para lidar com as
diferenças, superando barreiras pedagógicas, estruturais e atitudinais.
Além disso, ao integrar
escola, família e comunidade em uma rede colaborativa de apoio, o projeto
amplia a corresponsabilidade pelo processo educativo e contribui para a
melhoria do desempenho acadêmico e socioemocional dos estudantes.
Para a sociedade em geral, o
“Entrementes” gera impacto social positivo ao criar oportunidades de
capacitação, emprego e participação comunitária, especialmente para famílias em
situação de vulnerabilidade e mães solo, fortalecendo vínculos sociais,
reduzindo desigualdades e promovendo dignidade, pertencimento e inclusão
efetiva.
Dessa forma, a iniciativa
demonstra como a criatividade e o empreendedorismo social podem transformar
experiências individuais de exclusão em soluções coletivas, sustentáveis e
replicáveis, capazes de gerar desenvolvimento humano e social duradouro.
3) Qual a sensação de estar entre os 10 melhores projetos do
Brasil no Desafio LED – Me Dá Uma Luz Aí 2026?
Jórdan: Estar entre os 10
melhores projetos do Brasil no Desafio LED – Me Dá Uma Luz Aí 2026 é uma
sensação indescritível de felicidade, gratidão e superação. Para mim, essa
trajetória representou muito mais do que uma competição; foi uma experiência de
enfrentamento dos meus próprios limites como autista.
Durante o processo, tive
muitas dificuldades para realizar um bom pitch, conduzir entrevistas e lidar
com situações que exigiam comunicação constante, sobretudo em ambientes que
demandavam grande exposição social, o que tornou cada etapa um grande desafio
pessoal e emocional.
Contudo, nada disso teria sido
possível sem o apoio da minha equipe, dos meus amigos, dos meus familiares, do
Diretor Felipe e dos meus orientadores, Roberta Dalvo e André Felipe, que
abraçaram o nosso projeto e vestiram a camisa, permanecendo ao meu lado em
todos os momentos e nos incentivando a continuar avançando mesmo diante das
dificuldades.
Sou profundamente grato a cada
um deles por acreditarem em nós e no potencial do projeto. Acima de tudo,
agradeço a Deus, pois reconheço que foi por meio da fé, da força e das
oportunidades concedidas por Ele que conseguimos chegar até aqui.
Eu e minha equipe estamos
extremamente felizes e orgulhosos de tudo o que conquistamos até agora. Essa
conquista simboliza não apenas o reconhecimento do esforço coletivo e da
relevância social do “Entrementes”, mas também demonstra que o projeto possui
potencial para se tornar um aplicativo de grande impacto e sucesso, capaz de
transformar vidas por meio da inclusão, do acolhimento e da educação.

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