As bandeirinhas entraram em cena e o comércio já percebe que o calendário junino tem fôlego para ir além. Em Petrópolis, as festas que se espalham por escolas, igrejas, condomínios, associações, bares, restaurantes e encontros familiares devem sustentar a movimentação do varejo até o fim de julho, abrindo espaço para vendas temáticas e ações capazes de aproximar os lojistas dos consumidores.


O período reúne alguns dos elementos mais favoráveis ao comércio: tradição, forte apelo afetivo, eventos comunitários e uma lista extensa de produtos associados à celebração. Alimentos típicos, roupas xadrez, chapéus, botas, acessórios, artigos de decoração, descartáveis e itens para confraternizações passam a ganhar maior visibilidade nas vitrines, gôndolas e cardápios.


Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam que as festas juninas movimentem R$ 7,4 bilhões na economia brasileira, com impacto concentrado especialmente nos setores de alimentação e têxtil, que inclui roupas e acessórios. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis, o cenário reforça a importância de o comércio aproveitar o período com planejamento, criatividade e boa comunicação.


“É uma época que conversa muito bem com o consumidor porque reúne memória afetiva, convivência e tradição. Para o lojista, isso representa uma oportunidade de transformar o clima das festas juninas em movimento para a loja, seja com uma vitrine temática, uma promoção especial, um produto sazonal ou uma ação nas redes sociais”, afirma o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad.


Um levantamento da Rock Encantech -  empresa focada em inteligência do mercado e que analisa o comportamento de mais de 130 milhões de consumidores - mostra que a cesta de produtos típicos das festas juninas registrou crescimento de 9,4% nas vendas. Mesmo diante de uma inflação de 8,1% na categoria, a pesquisa aponta que os consumidores adaptaram suas escolhas, priorizando produtos mais acessíveis.


Entre os destaques está o milho verde, que liderou o volume de vendas com alta de 39,9%, favorecido pela redução de 9,2% no preço médio. O vinho de mesa também apresentou desempenho positivo, com avanço de 30,6% no faturamento e de 21,3% no volume comercializado. Pipocas, curau, doces industrializados, canjica, cravo e canela também aparecem entre os itens que ganharam força no período.


Para Cláudio Mohammad, os números revelam que, mesmo em um cenário de orçamento mais apertado, o consumidor não abre mão das celebrações, mas faz escolhas mais calculadas. “O comércio precisa estar atento a esse comportamento. Há procura, mas há também uma maior sensibilidade a preço, promoções e condições de pagamento. Quem consegue oferecer variedade, qualidade e opções que caibam no bolso tende a ter melhores resultados”, observa.


A oportunidade se estende por diferentes segmentos. Supermercados, mercearias, padarias e lojas de conveniência podem reforçar a oferta de ingredientes e produtos prontos para as festas. Bares, restaurantes, cafeterias e lanchonetes encontram espaço para criar cardápios especiais, combos e experiências temáticas. Já lojas de moda, calçados, acessórios e decoração podem apostar em peças e elementos que ajudam a compor o clima dos arraiás.

 

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