A Orquestra de Câmara da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim (OSJB) se apresenta em Petrópolis nesta sexta-feira (12), às 20h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Sob a regência do maestro Knut Andreas, o concerto gratuito reunirá na acústica generosa deste templo, jovens músicos de 15 a 18 anos em um programa que atravessa o Atlântico, trazendo obras do barroco alemão de Händel e Telemann à pulsação rítmica brasileira do compositor petropolitano Guerra-Peixe.


O grupo veio ao Brasil para participar do Fasa - Festival de Artes e Saberes das Águas, em Campos e São João da Barra; e os solistas também se apresentaram no Soberano Jazz Club, em Itaipava.


A apresentação integra a temporada brasileira de 2026 da orquestra, que reúne talentos alemães e brasileiros no mesmo palco, em ensaios e concertos por diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro. Mais do que um espetáculo, o encontro é uma ponte cultural: a música como linguagem comum entre dois países.

 


Um programa que segue o curso das águas

O concerto abre sob o signo da água. A Suíte nº 1 em Fá maior da Música Aquática (HWV 348) de Georg Friedrich Händel (1685–1759), composta para ser ouvida ao ar livre, sobre o rio Tâmisa, encontra eco direto na Hamburger Ebb' und Fluth (TWV 55) de Georg Philipp Telemann (1681–1767), retrato sonoro do fluxo e refluxo das marés do porto de Hamburgo, com seus tritões brincalhões, o vento Éolo e os alegres barqueiros. À tradição barroca alemã soma-se o lirismo vienense de Josef Strauss (1827–1870) e sua valsa Aquarellen (op. 258), antes da viagem aportar no Brasil.


Na sequência, a orquestra faz uma homenagem e mergulha na inventividade do compositor  nascido em Petrópolis César Guerra-Peixe (1914–1993), um dos grandes nomes do nacionalismo musical brasileiro, com os Quatro Maracatus de Capiba — "É de tororó", "Navio da costa", "Vira a moenda" e "Cadê os guerreiros”;  e a peça Mourão. O encerramento celebra a vitalidade da música popular brasileira com Forrobodó, de Chiquinha Gonzaga (1847–1935), pioneira que ajudou a fundar a identidade sonora do país.

 


Uma orquestra-escola com vocação internacional


Com sede na escola pública especializada Georg-Friedrich-Händel-Gymnasium, em Berlim, a OSJB foi fundada em 1969 e dedica-se, desde então, à formação de jovens músicos entre 14 e 18 anos. Ao longo de mais de cinco décadas, seus egressos seguiram para carreiras como professores, terapeutas musicais, engenheiros de som, compositores, maestros e instrumentistas de algumas das principais orquestras europeias — entre elas a Staatskapelle Berlin, a orquestra da Deutsche Oper Berlin, a Rundfunk-Sinfonie-Orchester Berlin, a Akademie für Alte Musik Berlin, a Münchner Symphoniker, a Wiener Philharmoniker e a Gewandhausorchester Leipzig.


Nos últimos 25 anos, a orquestra consolidou-se também como agente de intercâmbio entre jovens de diferentes países e culturas, com turnês por Japão, Rússia, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Polônia, Albânia, Irlanda, Namíbia, Itália e França. A formação camerística que agora visita Petrópolis, a Orquestra de Câmara Georg-Friedrich-Händel, conquistou o 1º prêmio de melhor orquestra no 1º Festival Internacional Michelangelo, em Florença. Em fevereiro de 2019, uma turnê por Taiwan reuniu mais de 2.500 pessoas em Tainan, Hsinchu e Taipei; no mesmo ano, a ópera Three Billion Sisters, encenada na Volksbühne Berlin com a parte orquestral a cargo da OSJB, recebeu o prêmio Friedrich Luft, concedido à melhor produção operística de Berlim. No Brasil, a trajetória começou em 2016, com concertos em São Paulo e no Rio, e teve novo capítulo em 2023, com passagens por São Paulo, Taubaté, Paraty, Niterói e Rio de Janeiro.



Knut Andreas à frente da orquestra


Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica de Piracicaba desde 2022, Knut Andreas acumula as mesmas funções na Orquestra Sinfônica de Potsdam e na Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim, e é professor honorário de História da Música e Gestão Musical na Universidade de Potsdam. Como regente convidado, apresentou-se com orquestras como a Sinfônica da Rádio e TV da Eslovênia, a Deutsches Filmorchester Babelsberg e a Sinfonia Leipzig, e regeu nos festivais de Música Antiga e de Ópera de Potsdam e no Festival de Viena.


No Brasil, trabalhou com as sinfônicas do Espírito Santo, de Campinas, de Americana e de Ribeirão Preto, além da Orquestra da Unicamp, da OPUS de Belo Horizonte, da Sinfônica da USP e da Sinfônica Nacional do Teatro Cláudio Santoro. Regeu a OSJB em turnês pela Albânia, França, Brasil, Taiwan, Itália e China, foi premiado como Melhor Regente no Festival Internacional Michelangelo, em Florença, e recebeu a medalha Austregésilo de Athayde, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã. Em 2025, ao lado da Orquestra Sinfônica de Potsdam, foi laureado com o Prêmio Brasil – Ibermúsicas pelo trabalho de difusão da música brasileira na Alemanha, por meio do projeto Brandenburgo–Brasil.



Serviço:

Concerto de Câmara — Orquestra de Câmara da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim 

Regência: Knut Andreas 

Data: 12 de junho de 2026 (sexta-feira)

Horário: 20h 

Local: Igreja do Sagrado Coração de Jesus — Rua Montecaseros, 95, Centro, Petrópolis, RJ



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