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Foto / pexels.com
A dificuldade para engravidar
ainda costuma ser vista como um problema restrito ao sistema reprodutivo. Mas,
na prática, o corpo pode estar dando sinais de que a fertilidade está sendo
impactada por um desequilíbrio bem mais amplo, que envolve metabolismo,
hormônios, inflamação e composição corporal.
A Organização Mundial da Saúde
estima que cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo enfrenta infertilidade em
algum momento da vida. Nesse cenário, cresce a atenção para fatores que vão
além dos ovários e do útero, como resistência à insulina, excesso de gordura
abdominal, inflamação crônica e alterações hormonais que podem comprometer a
ovulação e dificultar a gestação.
Para a médica nutróloga Dra.
Mariana Wogel, um dos erros mais comuns é investigar a fertilidade de forma
fragmentada. “A fertilidade depende de um organismo metabolicamente
equilibrado. Quando há resistência à insulina, gordura abdominal, inflamação
persistente e alteração hormonal, o corpo pode ter mais dificuldade para ovular
e sustentar uma gravidez”, explica.
A resistência à insulina
aparece como um dos principais pontos dessa relação. Quando o organismo deixa
de responder adequadamente à insulina, aumenta a tendência ao acúmulo de
gordura, à fome mais intensa e à desregulação hormonal. Em quadros como a
Síndrome Metabólica Ovariana Poliendócrina (SOMP), essa associação se torna
ainda mais evidente e pode dificultar a ovulação.
A inflamação crônica de baixo
grau também entra nessa equação. Embora nem sempre dê sinais claros no início,
ela pode afetar o funcionamento do organismo e contribuir para alterações
metabólicas e hormonais que repercutem diretamente na saúde reprodutiva.
Segundo a Dra. Mariana, alguns
sinais do corpo merecem atenção antes mesmo da tentativa de engravidar. “Ciclos
menstruais irregulares, acne persistente, queda de cabelo, gordura abdominal,
dificuldade para perder peso e alterações de energia podem indicar que a mulher
precisa de uma avaliação mais ampla”, afirma.
O impacto da infertilidade,
porém, não é apenas físico. Ansiedade, culpa, frustração e desgaste emocional
costumam fazer parte da experiência de muitas mulheres, especialmente quando as
tentativas se prolongam sem resposta. Esse sofrimento também pode afetar sono,
alimentação e adesão ao tratamento, criando um ciclo que agrava ainda mais o
quadro.
Para a especialista, é
justamente por isso que o cuidado precisa ser integrado. “Não existe cuidado
efetivo com a fertilidade sem olhar para alimentação, sono, composição
corporal, saúde emocional, hormônios e resistência à insulina. Quando o
tratamento é fragmentado, a paciente continua sem resposta”, diz.
A avaliação, segundo ela, deve
considerar histórico clínico, exames laboratoriais, análise hormonal e
composição corporal, além da investigação de outras alterações que podem
agravar ou limitar a fertilidade, como distúrbios da tireoide, alterações da
prolactina e doenças da adrenal.
“Entender o que o corpo está
dizendo antes de partir para tratamentos mais complexos faz diferença no
desfecho”, conclui Dra. Mariana Wogel.
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