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A dificuldade para engravidar ainda costuma ser vista como um problema restrito ao sistema reprodutivo. Mas, na prática, o corpo pode estar dando sinais de que a fertilidade está sendo impactada por um desequilíbrio bem mais amplo, que envolve metabolismo, hormônios, inflamação e composição corporal.

 

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo enfrenta infertilidade em algum momento da vida. Nesse cenário, cresce a atenção para fatores que vão além dos ovários e do útero, como resistência à insulina, excesso de gordura abdominal, inflamação crônica e alterações hormonais que podem comprometer a ovulação e dificultar a gestação.

 

Para a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, um dos erros mais comuns é investigar a fertilidade de forma fragmentada. “A fertilidade depende de um organismo metabolicamente equilibrado. Quando há resistência à insulina, gordura abdominal, inflamação persistente e alteração hormonal, o corpo pode ter mais dificuldade para ovular e sustentar uma gravidez”, explica.

 

A resistência à insulina aparece como um dos principais pontos dessa relação. Quando o organismo deixa de responder adequadamente à insulina, aumenta a tendência ao acúmulo de gordura, à fome mais intensa e à desregulação hormonal. Em quadros como a Síndrome Metabólica Ovariana Poliendócrina (SOMP), essa associação se torna ainda mais evidente e pode dificultar a ovulação.

 

A inflamação crônica de baixo grau também entra nessa equação. Embora nem sempre dê sinais claros no início, ela pode afetar o funcionamento do organismo e contribuir para alterações metabólicas e hormonais que repercutem diretamente na saúde reprodutiva.

 

Segundo a Dra. Mariana, alguns sinais do corpo merecem atenção antes mesmo da tentativa de engravidar. “Ciclos menstruais irregulares, acne persistente, queda de cabelo, gordura abdominal, dificuldade para perder peso e alterações de energia podem indicar que a mulher precisa de uma avaliação mais ampla”, afirma.

 

O impacto da infertilidade, porém, não é apenas físico. Ansiedade, culpa, frustração e desgaste emocional costumam fazer parte da experiência de muitas mulheres, especialmente quando as tentativas se prolongam sem resposta. Esse sofrimento também pode afetar sono, alimentação e adesão ao tratamento, criando um ciclo que agrava ainda mais o quadro.

 

Para a especialista, é justamente por isso que o cuidado precisa ser integrado. “Não existe cuidado efetivo com a fertilidade sem olhar para alimentação, sono, composição corporal, saúde emocional, hormônios e resistência à insulina. Quando o tratamento é fragmentado, a paciente continua sem resposta”, diz.

 

A avaliação, segundo ela, deve considerar histórico clínico, exames laboratoriais, análise hormonal e composição corporal, além da investigação de outras alterações que podem agravar ou limitar a fertilidade, como distúrbios da tireoide, alterações da prolactina e doenças da adrenal.

 

“Entender o que o corpo está dizendo antes de partir para tratamentos mais complexos faz diferença no desfecho”, conclui Dra. Mariana Wogel.



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