A história da música em
Petrópolis começa a ganhar um importante reforço na preservação de sua memória.
A Escola de Música Santa Cecília, uma das instituições de ensino musical mais
antigas do Brasil em funcionamento ininterrupto, está realizando um amplo
trabalho de restauração preventiva, higienização, organização e digitalização
de seu acervo histórico, em parceria com a Academia Brasileira de Música (ABM).
O projeto tem como objetivo garantir a conservação de documentos centenários e
ampliar as possibilidades de pesquisa sobre a história da educação musical e da
cultura petropolitana.
Fundada em 1893, a Escola de
Música Santa Cecília reúne um dos mais relevantes acervos musicais do país.
Entre os materiais preservados estão manuscritos originais do maestro Paulo
Carneiro, fundador da instituição, documentos do século XIX, partituras de
importantes compositores brasileiros, livros de matrícula, atas
administrativas, fotografias históricas, álbuns de recortes de jornais e um
raro conjunto de partituras utilizadas nos antigos cinemas mudos de Petrópolis,
quando as exibições cinematográficas eram acompanhadas por músicos ao vivo.
O projeto conta com a
participação da Academia Brasileira de Música (ABM), instituição fundada em
1945 por Heitor Villa-Lobos e dedicada à preservação e valorização do
patrimônio musical brasileiro. Ao longo de sua história, a Academia reuniu
importantes compositores ligados a Petrópolis, como Octávio Maul, Raphael
Baptista, César Guerra-Peixe e Ernani Aguiar. A parceria com a Escola de Música
Santa Cecília amplia esse trabalho de preservação, contribuindo para a
organização, higienização e digitalização de um dos mais relevantes acervos da
história musical petropolitana.
A primeira etapa do trabalho
já foi concluída. Os documentos passaram por um criterioso processo de
higienização, utilizando equipamentos específicos para remoção de impurezas
acumuladas ao longo de décadas, foram organizados, acondicionados em pastas de
papel com pH neutro e digitalizados de acordo com as normas técnicas do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SiBIUFRJ), seguindo
os padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Ao final
do processo, todo o material foi devolvido à Escola de Música Santa Cecília
acompanhado de uma cópia digital organizada em arquivos identificados,
reduzindo a necessidade de manuseio dos documentos originais e contribuindo
para sua preservação.
Para o vice-presidente da
Academia Brasileira de Música, maestro André Cardoso, a iniciativa representa
muito mais do que a conservação física de documentos. “Sem preservação não há
memória. Um documento não preservado representa parte da memória que se perde.
O acervo privado da Escola de Música Santa Cecília não pertence apenas à
instituição, mas também aos petropolitanos, porque guarda parte da história e
da identidade da cidade.”.
O maestro ressalta ainda que a
digitalização democratiza o acesso ao patrimônio documental. “A digitalização
permite que os documentos sejam consultados sem que se manipulem os originais,
fator essencial para sua preservação. Além disso, possibilita que pesquisadores
tenham acesso ao acervo mesmo sem precisar se deslocar até Petrópolis.”.
Segundo André Cardoso, o conteúdo
preservado possui enorme valor histórico e científico. “A história da música em
Petrópolis ainda precisa ser contada. Para isso, é fundamental que
pesquisadores e musicólogos tenham acesso às fontes. O acervo da Escola de
Música Santa Cecília revela parte fundamental da história da cidade.”.
A presidente voluntária da
Escola de Música Santa Cecília, Janine Meireles, destaca que o projeto
representa um marco para a instituição e para a preservação da memória cultural
petropolitana. “É motivo de muito orgulho, durante nossa gestão, contribuir
para a realização de um trabalho dessa dimensão. Estamos preservando muito mais
do que documentos antigos; estamos protegendo a história da Escola de Música
Santa Cecília, valorizando a memória da educação musical brasileira e
garantindo que esse patrimônio permaneça disponível para pesquisadores,
estudantes, músicos e para toda a comunidade nas próximas gerações.”.
O trabalho terá continuidade
nos próximos meses. A segunda etapa já foi iniciada e contemplará a preservação
de novas obras do maestro Paulo Carneiro, partituras de outros compositores,
documentos administrativos e fotografias históricas. De acordo com André
Cardoso, trata-se de um projeto de longo prazo, em razão da dimensão do acervo,
mas considerado fundamental para assegurar a preservação de um patrimônio que
ajuda a contar a trajetória da música brasileira e a identidade cultural de
Petrópolis.
Mais informações podem ser
obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música
Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis,
pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais
@emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).
Serviço
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis
– RJ

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