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Foto Profissional. (Crédito:
freepik) |
O uso das "canetas
emagrecedoras", cresceu no Brasil e passou a fazer parte da rotina
de pessoas que buscam emagrecer mais rápido. Mas, segundo a médica nutróloga
Dra. Mariana Wogel, a atenção pública segue concentrada quase sempre no peso
perdido, enquanto os efeitos do tratamento sobre o corpo recebem menos atenção.
Para a especialista, a
medicação pode ter papel importante quando há indicação adequada e
acompanhamento profissional. O problema, segundo ela, aparece quando o uso
ocorre sem ajuste alimentar, sem treino de força e sem estratégia para
manutenção do resultado.
“Todo mundo fala sobre o
quanto de peso a medicação faz perder, mas quase ninguém fala sobre o que pode
vir junto nessa perda. Se a pessoa não come proteína suficiente e não preserva
massa muscular com treino, parte importante desse peso pode sair do músculo”,
afirma.
A perda de massa magra
preocupa porque altera mais do que a aparência. Com menos músculo, o
metabolismo tende a ficar mais lento, a sensação de fraqueza pode aumentar e a
flacidez se torna mais evidente. O emagrecimento, nesse caso, pode vir
acompanhado de um aspecto menos saudável e de menor estabilidade corporal.
Outro ponto destacado pela
médica é o que acontece quando o medicamento deixa de ser usado. Muitas pessoas
acreditam que o principal risco está apenas no retorno da fome. Mas, segundo
ela, o organismo também se adapta ao remédio, e a suspensão sem planejamento
pode favorecer reganho de peso.
“Não basta emagrecer por
alguns meses. O desafio real é sustentar o resultado sem adoecer depois”, diz.
Além da perda de músculo e da
dificuldade de manter o peso, a especialista chama atenção para efeitos menos
comentados, como náusea, desconforto intestinal, baixa ingestão alimentar
prolongada, deficiência nutricional, queda capilar, alterações intestinais,
pedra na vesícula, risco de perda óssea acelerada e alterações no pâncreas.
O alerta, segundo a Dra.
Mariana Wogel merece atenção especial em mulheres acima dos 40 anos, grupo mais
vulnerável a mudanças metabólicas e hormonais.
A médica ressalta que a
discussão não deve ser entendida como oposição ao uso da medicação. A
tirzepatida pode ser útil em situações específicas, desde que exista indicação
correta e acompanhamento médico. O ponto central, afirma, é que a perda de peso
não deve ser avaliada apenas pelo que aparece na balança.
“Saúde de verdade não se
constrói só com perda rápida de peso. É preciso proteger músculo, metabolismo,
hormônios e ossos. E também aprender a sustentar o resultado depois”, afirma.
Para a especialista, a
discussão sobre os análogos de GLP-1 e medicamentos semelhantes precisa avançar
para além do emagrecimento imediato. O foco, diz ela, deve estar na qualidade
da perda e nos impactos que o processo pode trazer no médio e no longo prazo.


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