Obelisco / Foto: Bruno Ferreira @reflexosdeumfotografo

 

Da inauguração aos dias atuais

Há monumentos que ajudam a contar a história de uma cidade. Em Petrópolis, poucos representam tão bem essa memória quanto o Obelisco, localizado na Rua do Imperador. Erguido para celebrar um momento decisivo da trajetória do município, ele atravessou gerações e permanece como uma das principais referências do Centro Histórico.

Em 29 de setembro de 2026, o Obelisco completará 69 anos, preservando a lembrança das origens de Petrópolis e da contribuição dos colonos germânicos para a construção da Cidade Imperial.


Uma homenagem ao centenário de Petrópolis

O monumento foi inaugurado em 29 de setembro de 1957, como parte das comemorações pelo primeiro centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade, ocorrida em 1857.


A construção foi uma iniciativa do então prefeito Flávio Castrioto de Figueiredo Mello, que idealizou um monumento permanente para marcar a data histórica e homenagear os imigrantes alemães que participaram da fundação e do desenvolvimento do município.


Foto: Américo Czaco (Restaurada por IA)


Como o Obelisco foi construído

O projeto arquitetônico ficou a cargo do engenheiro Glasl Veiga, enquanto a execução da obra foi conduzida pelo engenheiro Ellyr Allan Rodrigues.


Com 20 metros de altura, o monumento foi revestido em mármore e implantado em um dos pontos mais movimentados da cidade, onde permanece até hoje. Em sua base foram instaladas quatro placas de bronze com informações históricas e os nomes das famílias dos primeiros colonos germânicos que chegaram a Petrópolis. Há ainda uma quinta placa com o emblema do imperador Dom Pedro II.


O Obelisco é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), reconhecimento que reforça sua importância histórica e cultural para o Estado do Rio de Janeiro.


Foto: Wikimapiz / Riggo Ternes

Uma inauguração que entrou para a história


A cerimônia de inauguração reuniu milhares de pessoas no Centro de Petrópolis e contou com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que presidiu as solenidades comemorativas do centenário da cidade.


Também participaram o governador do antigo Estado do Rio de Janeiro, Miguel Couto Filho, o prefeito Flávio Castrioto, autoridades civis, militares e religiosas, além de representantes da sociedade petropolitana. Segundo registros da época, foi uma das maiores concentrações populares já vistas na Rua do Imperador.


Foto: Wikimapiz / Riggo Ternes


Uma cidade em festa

As comemorações do centenário foram muito além da inauguração do monumento. A programação incluiu desfile cívico-militar, apresentação da Banda do Corpo de Fuzileiros Navais, participação de escolas e diversas solenidades oficiais.


Um dos momentos mais lembrados foi a apresentação de acrobatas alemães, que atravessaram um cabo de aço entre o Edifício Arcádia e o Grande Hotel, atraindo a atenção da multidão. Também houve queima de fogos e outras atrações que transformaram o Centro Histórico em um grande palco de celebração.


Um símbolo que atravessa gerações

Ao longo de 68 anos, o entorno do Obelisco mudou profundamente. Os bondes desapareceram, o fluxo de veículos aumentou, novas construções passaram a compor a paisagem e o Centro Histórico acompanhou a expansão da cidade.


O monumento, entretanto, permaneceu praticamente inalterado, tornando-se um dos principais cartões-postais de Petrópolis. Além de servir como ponto de referência para moradores e visitantes, ele preserva a memória do centenário da cidade e presta homenagem às famílias que ajudaram a construir a identidade petropolitana.


Mais do que um elemento arquitetônico, o Obelisco continua representando um elo entre o passado e o presente, lembrando diariamente que a história de Petrópolis permanece viva no coração da Cidade Imperial.


@walkingpalace


Curiosidades sobre o Obelisco de Petrópolis


Foi inaugurado em um domingo

Embora o centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade seja lembrado em setembro de 1957, a inauguração do monumento aconteceu em 29 de setembro, um domingo, para facilitar a participação da população e das autoridades.


A placa principal explica o verdadeiro motivo da obra

A inscrição frontal do Obelisco deixa claro que o monumento não foi erguido apenas para homenagear os colonos alemães. Seu principal objetivo foi marcar o primeiro centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade, perpetuando a memória daqueles que ajudaram Júlio Frederico Koeler na construção do município.


Os nomes gravados já foram corrigidos

As placas originais continham erros de grafia e até nomes de pessoas que não pertenciam ao grupo dos primeiros colonos alemães. Após estudos genealógicos realizados pelo Instituto Histórico de Petrópolis, elas foram substituídas na década de 1990 por novas placas com a relação revisada das famílias colonizadoras.


O monumento é protegido por lei

O Obelisco é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), garantindo proteção oficial a um dos principais símbolos históricos da Cidade Imperial.


Passou por uma grande restauração em 2013

Após sofrer danos, incluindo a queda de sua ponta durante a retirada da decoração natalina, o monumento passou por um amplo processo de restauração. As obras recuperaram a estrutura, as placas de bronze, a pedra original e implantaram um novo projeto de iluminação cênica.



Você sabia?

O Obelisco reúne 361 nomes pertencentes às 457 famílias de colonos alemães que chegaram a Petrópolis entre 29 de junho de 1845 e 31 de dezembro de 1846. Como havia muitos sobrenomes repetidos entre os integrantes das famílias, nem todos os 457 núcleos familiares aparecem individualmente nas placas de bronze. 

 

 


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