A falta de um cronograma confiável para a coleta de lixo tem provocado
transtornos recorrentes em Itaipava. Segundo a UNITA (Unidos por Itaipava),
moradores e comerciantes convivem com um serviço irregular, que passa dias
funcionando e, de repente, deixa de atender determinadas áreas,
fazendo com que resíduos se acumulem até que a operação seja normalizada. Para
a entidade, mais do que uma questão de limpeza urbana, a situação revela a
necessidade de uma operação estável e planejada, especialmente em um distrito
cuja economia está também ligada ao turismo.
Para a UNITA, a situação deixou de ser um problema pontual e passou a
representar uma falha recorrente na prestação de um dos serviços públicos mais
básicos. Moradores relatam que a coleta deixou de seguir um padrão previsível e
funciona como uma espécie de “rodízio”. Em vez de obedecer a um cronograma
regular, o serviço apresenta oscilações constantes: há períodos em que a coleta
ocorre normalmente e, em seguida, deixa de passar por vários dias, provocando o
acúmulo de resíduos. Dias depois, o problema é resolvido naquele ponto, mas
passa a ser registrado em outras localidades. A justificativa da prefeitura em
muitos casos é despejo de entulho. Mas, lixeiras abarrotadas de lixo orgânico e
doméstico desmentem essa versão.
"A população não sabe mais quando o caminhão vai passar, e isso não
pode ser considerado normal. Um serviço essencial precisa funcionar com
regularidade e planejamento", afirma o presidente da UNITA, Alexandre
Plantz. Um dos exemplos é a Rua Almirante Fernandes, esquina com a via
principal, a União Indústria. Registro feito na manhã desta
terça-feira (28) mostra a lixeira “sumindo” embaixo de uma montanha de sacos
com resíduos.
Nos últimos meses, a coleta de lixo em Petrópolis passou a conviver com uma
sequência de impasses administrativos e jurídicos que acabaram impactando
diretamente a prestação do serviço. O município permaneceu por meses sem um
contrato regular para a operação da coleta e do transbordo dos resíduos e
voltou a recorrer a uma contratação emergencial para evitar a interrupção do
serviço. Publicado no Diário Oficial em maio, o novo contrato firmado tem valor
global de R$ 38 milhões, cerca de R$ 3,17 milhões por mês.
A solução emergencial, entretanto, não encerrou as discussões sobre a
ausência de uma licitação definitiva para o serviço nem as dúvidas sobre a
capacidade operacional do sistema. De acordo com a entidade, o problema ganha
proporções ainda maiores em Itaipava por se tratar de uma região que recebe
milhares de visitantes, especialmente durante o inverno e nos fins de semana,
quando aumenta significativamente a circulação de pessoas.
"Estamos falando de um distrito cuja economia depende fortemente do
turismo, da gastronomia e do comércio. Não é aceitável que moradores,
empresários e visitantes convivam com montes de lixo espalhados pelas ruas.
Além do aspecto visual, há riscos sanitários e ambientais que precisam ser
enfrentados com urgência", destaca o secretário da UNITA, Fabrício Santos.


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