O avanço das compras
internacionais pela internet já faz parte dos hábitos de consumo dos
brasileiros e coloca um novo desafio para o comércio de Petrópolis: disputar a
atenção do consumidor com plataformas globais que oferecem preços baixos,
grande variedade e forte presença nas redes sociais. Pesquisa realizada pela
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em
parceria com a Offerwise, mostra que 61% dos consumidores digitais compraram ao
menos um produto importado nos últimos 12 meses. O número representa 81,2
milhões de pessoas, 13,1 milhões a mais do que no levantamento anterior.
Para o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas de Petrópolis, Cláudio Mohammad, o cenário exige que o
comércio local esteja atento às mudanças no comportamento do consumidor, mas
também evidencia características que podem favorecer as empresas brasileiras.
“O consumidor está cada vez mais conectado, pesquisa preços e compara opções
antes de decidir. O comércio de Petrópolis precisa entender esse comportamento
e mostrar que comprar localmente também significa ter acesso rápido ao produto,
atendimento próximo, possibilidade de troca e, muitas vezes, uma experiência de
compra que o comércio eletrônico internacional não consegue oferecer”, afirma.
Roupas lideram a lista de
produtos importados, com 45% das citações, seguidas por acessórios de moda, com
28%, calçados e cosméticos e perfumes, ambos com 25%, e acessórios para celular
e informática, com 22%. O preço reduzido aparece como o principal fator de
influência na escolha de uma plataforma internacional, citado por 39% dos
consumidores.
Na sequência estão a
confiabilidade da plataforma e o valor do frete, ambos com 37%, além da variedade
de produtos que não são encontrados no Brasil, apontada por 32%. As redes
sociais são o principal caminho para descobrir essas lojas, mencionadas por
41%, seguidas pelos anúncios na internet, com 40%, e pelos buscadores, como o
Google, com 37%.
Apesar da força das
plataformas internacionais, a pesquisa mostra que existe espaço para o comércio
nacional recuperar parte dessas compras. Se encontrassem preço e variedade
equivalentes, 61% dos consumidores afirmam que dariam preferência a sites
brasileiros. Além disso, 53% sempre verificam se o produto está disponível no
Brasil antes de comprar no exterior, enquanto 33% fazem essa consulta às vezes.
Outros 49% pesquisam o preço em sites nacionais antes de concluir uma compra
internacional.
“Esse é um dado muito
importante para o comércio de Petrópolis. Ele mostra que o consumidor não está
necessariamente escolhendo o exterior por preferência, mas muitas vezes por uma
combinação de preço, variedade e conveniência. Quando conseguimos oferecer uma
condição competitiva e, ao mesmo tempo, agregamos atendimento, confiança,
facilidade de troca e entrega rápida, temos argumentos concretos para trazer
esse consumidor de volta para as empresas locais”, destaca Cláudio Mohammad.
O ticket médio reforça outra
característica desse mercado. A última compra internacional teve valor médio de
R$ 188, enquanto nas compras em sites brasileiros o valor chegou a R$ 225. A
frequência também é significativa: 41% dos consumidores fazem compras
internacionais mensalmente, com média de quatro pedidos nos últimos três meses.
O PIX é o principal meio de pagamento, utilizado por 61%, sete pontos
percentuais a mais do que em 2025, superando o cartão de crédito, com 52%.
Para Cláudio Mohammad, os
números mostram que a concorrência digital precisa ser encarada pelo comércio
local como uma mudança permanente no comportamento do consumidor. “Não existe
mais uma separação tão clara entre loja física e comércio eletrônico. O consumidor
pesquisa no celular, compara preços, vê um produto nas redes sociais e pode
decidir onde comprar em poucos minutos. Para o lojista de Petrópolis, estar
presente nesse ambiente, conhecer o seu público e valorizar os diferenciais do
comércio local deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade”, avalia.


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