O El Niño, fenômeno climático
provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já
apresenta sinais de fortalecimento e pode se tornar um dos mais intensos das
últimas décadas. De acordo com o CPC (Centro de Previsão Climática) da NOAA
(Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há 81% de
probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria "muito forte"
entre outubro e dezembro deste ano. Para Robson Costa, engenheiro ambiental e
professor da Estácio, esse cenário tende a aumentar a frequência e a
intensidade de eventos climáticos extremos, como os vendavais registrados recentemente
em São Paulo e no Rio de Janeiro, além dos tornados que atingiram o Rio Grande
do Sul.
"O El Niño não é o
responsável direto por cada tempestade ou tornado, mas modifica a circulação da
atmosfera e cria um ambiente muito mais favorável para que esses fenômenos
ocorram. Ele atua como um catalisador, intensificando sistemas meteorológicos e
aumentando a probabilidade de eventos severos, principalmente na Região
Sul", explica Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio.
Segundo o especialista, os
vendavais registrados no Sudeste foram resultado do encontro entre uma massa de
ar quente e seco e uma frente fria vinda do Sul, formando uma frente de rajada.
"Esse tipo de contraste atmosférico é potencializado durante episódios de
El Niño, que favorecem a permanência e a intensificação das frentes frias sobre
a Região Sul. Isso aumenta as condições para linhas de instabilidade, rajadas
de vento, chuvas intensas e, em alguns casos, até tornados", afirma.
As previsões indicam que os
impactos devem se tornar mais evidentes durante a primavera e o verão. “Entre
os efeitos esperados estão chuvas acima da média na Região Sul, temperaturas
elevadas em grande parte do país, maior ocorrência de ondas de calor e aumento
do risco de incêndios florestais. A combinação de um Pacífico excepcionalmente
aquecido com temperaturas elevadas também no Atlântico pode ampliar ainda mais
os extremos climáticos. Por isso, é fundamental investir em monitoramento
constante, planejamento e ações preventivas para reduzir riscos à população, à
agricultura e ao abastecimento de água", destaca Robson Costa.
Embora não seja o único fator
responsável pelos eventos extremos, o super El Niño de 2026 já é considerado um
dos principais elementos que devem influenciar o clima nos próximos meses. A
expectativa é de que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027, tornando
essencial o acompanhamento das previsões meteorológicas e a adoção de medidas
de prevenção por parte das autoridades e da população.


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