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| Max Leite, autor de “Bala perdida na noite”, reside em Petrópolis |
Uma queda de energia, um
e-mail que não pode ser enviado e um homem sozinho diante do escuro. É a partir
de uma situação aparentemente banal que Max Leite constrói a trama de “Bala
perdida na noite”, romance publicado pela editora Minimalismos. Escritor,
tradutor e estudante de Filosofia, o autor carioca, que vive em Petrópolis,
utiliza o episódio para conduzir o leitor por uma narrativa marcada por
memórias, inquietações e questionamentos sobre os relacionamentos
contemporâneos.
A história acompanha um
jornalista e aspirante a escritor que, impossibilitado de enviar uma mensagem
após o apartamento ficar sem luz, começa a percorrer não apenas os espaços
físicos ao seu redor, mas também os próprios pensamentos. O silêncio de Mônica,
sua companheira, ganha uma dimensão cada vez maior na mente do protagonista,
alimentando o temor de que a ausência de uma resposta seja o sinal de que a
relação chegou ao fim.
A escuridão do apartamento se
transforma, então, em uma espécie de território psicológico. Entre lembranças
corriqueiras e situações insólitas, o personagem revisita acontecimentos
recentes de sua vida, enquanto a narrativa alterna o presente e episódios do
passado.
Um romance entre realidade e ficção
Construído a partir de um
fluxo contínuo de consciência e de uma montagem paralela, “Bala perdida na
noite” acompanha simultaneamente a caminhada do protagonista pelo apartamento
às escuras e as experiências que ajudam a revelar sua maneira de enxergar o
mundo.
A narrativa também incorpora
referências filosóficas e literárias. O livro começa com um poema e apresenta
epígrafes que colocam em contraste o pensamento de Protágoras e uma situação
cotidiana relacionada ao consumo em uma fila de fast food. A combinação
antecipa uma das questões centrais da obra: o contraste entre a complexidade da
experiência individual e a superficialidade de determinadas relações na vida
contemporânea.
O prefácio é assinado por
Márwio Câmara, escritor, jornalista e professor, que destaca a ironia e a
metaficção presentes na estreia de Max Leite. Para ele, o romance também aborda
a própria condição do escritor em um ambiente em que a produção artística
convive com a lógica utilitarista e com a dinâmica das performances digitais.
A falta de luz funciona como
uma metáfora para o isolamento e para a dificuldade de estabelecer comunicação
genuína em uma sociedade permanentemente conectada. O livro investiga
justamente esse paradoxo: a tecnologia aproxima pessoas, enquanto os vínulos
afetivos podem se tornar cada vez mais frágeis.
Entre os episódios recuperados
pelo protagonista está o colapso nervoso e público do terapeuta de uma
bartender, personagem que ele conhece de maneira inusitada. As situações ajudam
a embaralhar as fronteiras entre aquilo que efetivamente aconteceu e aquilo que
pode estar sendo reconstruído, imaginado ou distorcido pela própria mente.
Da poesia à investigação filosófica
Nascido no Rio de Janeiro em
1987, Max Leite vive em Petrópolis e trabalha como escritor, tradutor e
revisor. Graduado em Letras, fez pós-graduação em Língua Inglesa e suas Literaturas
pela Universidade Estácio de Sá e atualmente cursa bacharelado em Filosofia na
Universidade Católica de Petrópolis (UCP).
A formação acadêmica dialoga
diretamente com sua produção literária, que transita entre a observação do
cotidiano e questões relacionadas à experiência humana. O autor aponta Kafka e
Fernando Pessoa como referências importantes para a construção de “Bala perdida
na noite”, especialmente pela relação complexa que os dois escritores tiveram
com a vida amorosa.
A experiência pessoal também
serviu como matéria-prima para o romance, embora transformada pela ficção.
“Apesar de não ser um livro
muito extenso, o gênero romance era o único que parecia comportar a
complexidade dos temas. Deixei minhas experiências e percalços com os aplicativos
de relacionamento e o que passa por romance nos nossos tempos serem sublimados
na escrita”, conta Max.
O próprio autor define sua
relação com a escrita a partir da ideia de concisão.
“Eu me considero um
minimalista, inclusive e talvez principalmente na escrita. Por vir da poesia,
sou atraído pelo adensamento na experiência de leitura: o dizer mais com
menos”, afirma.
Antes do romance, Max Leite
publicou o conto “Antes do pôr do sol” pela Amazon e teve um soneto selecionado
para a coletânea “Sonetos do Selo Off Flip”. Também escreveu resenhas para o
antigo portal HomoLiteratus.
Com 98 páginas, “Bala perdida
na noite” marca sua estreia na ficção em formato de romance e coloca em
primeiro plano personagens atravessados por dúvidas, silêncios e dificuldades
de comunicação. Em vez de respostas prontas, a narrativa aposta na instabilidade
da percepção e naquilo que pode acontecer quando uma situação aparentemente
simples abre espaço para que a mente revele seus próprios labirintos.
Ficha técnica
Livro: Bala perdida na noite
Autor: Max Leite
Gênero: Romance
Editora: Minimalismos
Ano: 2026
Páginas: 98
ISBN: 978-65-5305-487-5
Instagram: @max.g.leite
Onde adquirir: Editora
Minimalismos
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