Revisitar o passado também é uma forma de compreender as marcas que permanecem no presente. É com essa perspectiva que a Casa Stefan Zweig, em Valparaíso, promove neste sábado (12) uma programação dedicada à memória do exílio e aos impactos deixados pela ditadura militar no Brasil. A partir das 15h, o público poderá acompanhar a apresentação do livro Sobrado, de Isabel Lins, seguida, às 16h30, pela exibição do documentário Anistia 79, de Anita Leandro.


A primeira atividade será conduzida pela própria Isabel Lins, psicanalista e autora de Sobrado, obra em que narra a experiência de quem precisou deixar o país durante a ditadura. No caso da autora, o exílio se estendeu de 1964 a 1979.


A partir das 16h30, o Cineclube Casa Stefan Zweig apresenta Anistia 79, documentário lançado em 2026 e dirigido pela documentarista, pesquisadora e professora de cinema da UFRJ Anita Leandro. O filme foi vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Tiradentes de 2026.



Um registro guardado por quase cinco décadas

O ponto de partida do documentário são imagens registradas em 1979 durante a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, realizada em Roma. O encontro reuniu centenas de opositores da ditadura, intelectuais e brasileiros que viviam no exílio, às vésperas da votação da Lei da Anistia no país.


As imagens foram registradas em película de 16 mm pelo jovem exilado Hamilton Lopes dos Santos, que tinha como intenção preservar aquele momento para que seus filhos, que cresceriam fora do Brasil, pudessem conhecer aquela história. Os negativos permaneceram guardados durante quase 50 anos em um sótão em Paris, até serem recuperados.


A partir desse material, Anistia 79 recupera discussões travadas naquele período sobre a abertura política conduzida pelos militares e os receios em torno de uma transição que pudesse resultar em uma “democracia negociada”. O documentário também coloca em diálogo as imagens de 1979 e depoimentos atuais de participantes da conferência.


O resultado é uma reflexão sobre memória, impunidade e os debates que permanecem relacionados à anistia e à responsabilização pelos crimes cometidos durante a ditadura.


Depois da sessão, haverá debate com mediação de Comba Marques Porto, advogada, ativista feminista e juíza do Trabalho aposentada.



Pesquisa e memória no cinema

Anita Leandro desenvolve pesquisas relacionadas aos registros da repressão durante a ditadura brasileira. Seu trabalho com acervos fotográficos produzidos pelas agências de repressão deu origem ao documentário Retratos de Identificação, lançado em 2014.


O filme recebeu o prêmio do júri oficial do Cachoeira Doc e o Prêmio Arco-íris do Festival del Cinema Latino-Americano de Trieste, além de ter participado de festivais e mostras no Brasil e no exterior, como FIDMarseille, États Généraux du Film Documentaire de Lussas, Forumdoc.BH, Mostra de Cinema de Tiradentes, CineOP e EDOC de Quito.


Desde 2006, a diretora também desenvolve um trabalho de registro de narrações de trechos da obra de João Guimarães Rosa no sertão mineiro.


A programação deste sábado integra as atividades culturais da Casa Stefan Zweig e propõe um encontro entre literatura, cinema e memória histórica, aproximando experiências individuais de acontecimentos que marcaram a trajetória política brasileira.



Serviço

Cineclube Casa Stefan Zweig

Sábado, 12 de setembro de 2026

15h – Apresentação do livro Sobrado, com Isabel Lins

16h30 – Exibição do filme Anistia 79, de Anita Leandro, seguida de debate

Local: Casa Stefan Zweig Rua Gonçalves Dias, 34, Valparaíso, Petrópolis

Entrada franca.


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