Viajar para descansar já não
significa apenas trocar a rotina por alguns dias de hotel. Para um número
crescente de viajantes, a viagem passou a ser também uma oportunidade de cuidar
do corpo, desacelerar, dormir melhor, estar em contato com a natureza e voltar
para casa renovado. Esse movimento transformou o turismo de bem-estar em um dos
segmentos mais promissores do mercado mundial e encontra em Petrópolis um
destino naturalmente alinhado a essa tendência.
Segundo o Global Wellness
Institute (GWI), o turismo de bem-estar movimentou US$ 893,9 bilhões em 2024 e
deve alcançar US$ 1,38 trilhão em 2029. No ano passado, foram 1,24 bilhão de
viagens domésticas e internacionais ligadas ao segmento, que representaram 8,3%
dos deslocamentos turísticos globais, mas responderam por 17,6% dos gastos,
indicando um viajante disposto a investir mais em experiências de saúde,
qualidade de vida, alimentação, natureza e descanso. No Brasil, a oportunidade
também é expressiva: o país ocupa a 11ª posição entre os maiores mercados
mundiais da economia do wellness (turismo de bem-estar), com movimentação
estimada em US$ 125 bilhões em 2024.
“Petrópolis tem algo que
muitos destinos precisam construir artificialmente: a combinação entre
natureza, clima, gastronomia, cultura, tranquilidade e uma hotelaria que já
trabalha experiências de cuidado. O nosso desafio é transformar esses ativos em
um produto turístico cada vez mais estruturado”, afirma Fabiano Barros,
presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau.
Na cidade, a oferta vai muito
além do spa tradicional. O Saison Resort & Spa, em Itaipava, trabalha há
décadas com programas de reeducação alimentar, atividades físicas e tratamentos
voltados ao bem-estar. Na Posse, o Spa Posse do Corpo combina hospedagem,
atividades físicas, terapias e estrutura de relaxamento.
Em Corrêas, a Casa Marambaia,
em parceria com o Amana SPA, aproxima o conceito de wellness da hotelaria
boutique e do contato com a natureza. A proposta inclui experiências de
relaxamento e autocuidado em meio ao verde, em sintonia com uma tendência
internacional de transformar a própria hospedagem em parte da experiência de
bem-estar.
Na rede Locanda Bela Vista,
passeios de bicicleta, à cavalo e aulas de tênis fazem parte da programação na
hospedagem instalada na fazenda histórica. Já na Locanda Villa Mimosa, na
Fazenda Inglesa, além de academia e spa, o espaço oferece imersão na
adega subterrânea com aulas de vinho e sabragem de espumantes.
“Aquilo que hoje aparece como
tendência internacional já faz parte da identidade turística de Petrópolis.
Temos empreendimentos especializados, mas também temos uma paisagem que convida
à pausa, trilhas, cachoeiras, gastronomia, produção rural e uma atmosfera
completamente diferente da rotina dos grandes centros”, destaca Fabiano.
Petrópolis é wellness por natureza
O Parque Nacional da Serra dos
Órgãos, com sua sede em Petrópolis, oferece trilhas como a do Véu da Noiva e
Circuito das Bromélias e contato direto com a Mata Atlântica, enquanto destinos
como o Vale do Amor trabalham uma proposta de contemplação e conexão com a
natureza. No Vale das Videiras e em outras áreas rurais, o visitante encontra
ainda possibilidades de ecoturismo, cicloturismo e experiências ligadas à
produção local.
A gastronomia também entra
nessa equação. O Sítio do Moinho, em Itaipava, reúne produção de alimentos
orgânicos e experiências ligadas ao campo, enquanto restaurantes e
empreendimentos da região como o Gaiatri incorporam ingredientes frescos,
produtos locais e propostas mais leves aos seus cardápios.
Para o Petrópolis Convention,
essa diversidade permite trabalhar o wellness não como um produto isolado, mas
como uma experiência que pode atravessar diferentes segmentos da economia
turística, beneficiando hotéis, restaurantes, spas, atrativos, produtores
rurais e serviços especializados.
Para Petrópolis, a tendência
representa uma oportunidade de reposicionar atributos que já fazem parte de sua
identidade. “Não precisamos transformar Petrópolis em outra cidade para
disputar esse mercado. Precisamos mostrar ao visitante que aquilo que ele
procura - tempo, natureza, cuidado, boa gastronomia e experiências que façam
bem - já existe aqui, com charme e autenticidade. Esse é um ativo turístico e
econômico que merece ser cada vez mais valorizado”, analisa o presidente do
PC&VB, Fabiano Barros.
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