Sessão terá debate com diretor
O que a arquitetura pode
revelar sobre as escolhas políticas e culturais de um país? Essa é uma das
questões colocadas por “Quando o Brasil era moderno”, documentário de Fabiano
Maciel que será exibido pelo Cineclube Stefan Zweig no sábado (10), às 16h30, na
Casa Stefan Zweig, em Petrópolis. A sessão tem entrada franca e será seguida de
um debate com o diretor e o arquiteto e urbanista Bernardo Vieira.
Lançado em 2025, o filme
utiliza a arquitetura moderna brasileira como fio condutor para percorrer
disputas estéticas e políticas que marcaram o país ao longo do século XX. A
narrativa parte dos debates sobre os rumos da arquitetura nos anos 1930 e chega
à construção de Brasília, em 1960, mostrando como a definição de um estilo
arquitetônico estava relacionada também a diferentes projetos de país.
Arquitetura como projeto de país
O documentário acompanha uma
disputa que envolveu arquitetos, artistas, intelectuais e representantes do
poder público. Um dos momentos centrais dessa história é o concurso realizado
em 1935 para definir o projeto da sede do então Ministério da Educação e Saúde,
no Rio de Janeiro.
A partir desse episódio,
“Quando o Brasil era moderno” amplia o olhar para as transformações que
ocorreram na arquitetura brasileira e suas relações com áreas como as artes
plásticas, a educação e a saúde. A inauguração de Brasília aparece como um dos
pontos culminantes desse processo.
A arquitetura moderna
brasileira, posteriormente reconhecida por sua influência internacional, é
apresentada no filme dentro de um contexto de conflitos e escolhas que
ultrapassavam questões puramente estéticas.
O longa tem 93 minutos, foi
produzido pela Ocean Films e tem roteiro de Fabiano Maciel, Guilherme
Vasconcelos e Lauro Cavalcanti. A narração é de Ana Maria Magalhães.
Filme recebeu menção honrosa
“Quando o Brasil era moderno”
integrou a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens da 30ª edição do
festival É Tudo Verdade, realizada em 2025. O filme recebeu menção honrosa do
júri pela extensão e profundidade de sua pesquisa
A pesquisa também dialoga com
o livro “Moderno e Brasileiro”, de Lauro Cavalcanti, uma das referências
utilizadas na construção do documentário. O trabalho anterior de Fabiano Maciel
sobre Oscar Niemeyer também está relacionado à origem do projeto. O diretor
realizou “A Vida é um Sopro”, documentário dedicado ao arquiteto brasileiro.
Em entrevista à Folha de
S.Paulo durante o lançamento do filme, Maciel explicou que a produção parte do
Palácio Capanema, no Rio, mas amplia a discussão para compreender o modernismo
como um projeto que envolvia questões políticas, sociais e culturais.
Debate após a sessão
Depois da exibição, Fabiano
Maciel participa de uma conversa com o público ao lado de Bernardo Vieira,
arquiteto e urbanista e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da
Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ.
A presença dos dois permite
ampliar a discussão proposta pelo filme a partir de diferentes perspectivas
sobre arquitetura, patrimônio e os caminhos da modernidade brasileira.
O Cineclube da Casa Stefan
Zweig vem promovendo sessões seguidas de debates com diretores, pesquisadores e
outros convidados. A programação integra as atividades culturais da instituição
e tem contemplação na Chamada Pública 02/2025 – Linhas Livres, por meio da
Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com realização do Governo Federal e do
Ministério da Cultura, apoio da Prefeitura de Petrópolis e recursos do Fundo
Municipal de Cultura. Sessões anteriores do cineclube também foram realizadas
com entrada gratuita e debate após os filmes.
Serviço
“Quando o Brasil era moderno”
Direção: Fabiano Maciel
Data: sábado, 10 de outubro de 2026
Horário: 16h30
Local: Casa Stefan Zweig
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 34, Valparaíso, Petrópolis
Entrada: gratuita
Após a sessão: debate com Fabiano Maciel e Bernardo
Vieira.
Classificação indicativa: livre.


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