O aumento do consumo de alimentos registrado pelos supermercados brasileiros nas primeiras semanas de outubro abre espaço para uma discussão sobre os impactos da restrição às apostas on-line na economia e no orçamento das famílias. Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) aponta crescimento de 6,5% nas vendas entre os dias 5 e 11 de outubro e de 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), o movimento chama a atenção para a importância de estimular a circulação de recursos no comércio e fortalecer os estabelecimentos que fazem parte do cotidiano da população.


Os dados foram apresentados pela Abras nesta terça-feira (27), após um mês da publicação da medida provisória pelo governo federal que restringiu as apostas esportivas e os jogos on-line de quota fixa. Segundo a entidade, o aumento foi observado em diferentes formatos de negócio, incluindo supermercados, atacarejos e mercados de vizinhança, com destaque para produtos essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.


Para o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, o cenário reforça a importância de acompanhar como as mudanças nos hábitos de consumo podem repercutir no comércio local. “Quando o consumidor consegue direcionar mais recursos para a compra de alimentos e outros produtos essenciais, isso movimenta a economia e pode trazer benefícios para toda a cadeia comercial. É importante que esse dinheiro circule, porque o consumo gera oportunidades, fortalece os negócios e contribui para a qualidade de vida das famílias”, afirma.



Comércio de bairro também pode ser beneficiado

O crescimento apontado pela Abras não se restringe às grandes redes varejistas. A entidade identificou aumento nas vendas também em mercados de vizinhança, um segmento que tem papel importante no abastecimento cotidiano e na economia dos bairros. Na avaliação da CDL Petrópolis, esse movimento é especialmente relevante para os pequenos comerciantes, que atendem diretamente às necessidades da população e mantêm uma relação próxima com os consumidores.


“Não são apenas as grandes redes que podem se beneficiar de um cenário de maior consumo. O pequeno comércio, os mercados de bairro e os estabelecimentos que estão próximos das pessoas também têm um papel fundamental nessa movimentação. Quando o consumidor compra perto de casa, ele ajuda a fortalecer os negócios locais, mantém recursos circulando na própria comunidade e contribui para a geração de emprego e renda”, destaca Cláudio Mohammad.


O presidente da entidade ressalta que o fortalecimento do comércio de proximidade também tem reflexos na vida urbana. A presença de estabelecimentos nos bairros facilita o acesso a produtos e serviços, reduz deslocamentos e contribui para manter as comunidades economicamente ativas. “Uma economia mais forte precisa se traduzir em benefícios concretos para a população. O comércio de bairro oferece conveniência, proximidade e atendimento, além de gerar oportunidades de trabalho. Isso também é qualidade de vida. Quando os negócios locais prosperam, toda a comunidade ganha”, acrescenta Cláudio Mohammad.



Crescimento foi registrado em diferentes regiões

O levantamento da Abras mostra que o avanço das vendas ocorreu em todas as regiões pesquisadas, embora com diferenças de intensidade.


Na semana de 5 a 11 de outubro, as maiores altas foram registradas no Sul e no conjunto formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambos com crescimento de 10,6%. O Nordeste avançou 6,5%, enquanto os demais mercados apresentaram aumentos entre 1,2% e 5,6%.


Entre 12 e 18 de outubro, o Sul manteve a liderança, com alta de 9%, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%. O Grande Rio registrou crescimento de 6%, enquanto os demais mercados avançaram entre 3,5% e 5,6%.


A Abras também informou redução nas transações por Pix após a restrição às apostas, com queda inicialmente estimada em cerca de 10% e posteriormente em aproximadamente 7%. Para a entidade, o comportamento pode indicar mudanças na destinação dos recursos, mas os números não comprovam uma transferência direta do dinheiro das apostas para o consumo.


Para a CDL Petrópolis, o acompanhamento desses indicadores ajuda a compreender os hábitos das famílias e os desafios do varejo diante das mudanças econômicas. “É importante olhar para o consumo de forma ampla, considerando o orçamento das famílias, o acesso aos produtos essenciais e a capacidade de o comércio atender às necessidades da população. O fortalecimento dos pequenos negócios e a circulação de recursos na economia local são fundamentais para que os resultados positivos possam alcançar diferentes setores e contribuir para uma cidade mais dinâmica”, analisa Cláudio Mohammad.

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