O 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis apresenta a exposição “Guignard – Uma criança de Petrópolis”, em comemoração aos 130 anos de nascimento do artista. A mostra traz 12 tótens com 20 reproduções de obras de Guignard, com curadoria da pesquisadora e museóloga Ângela Gutierrez, está em cartaz nos jardins do Palácio de Cristal, com entrada gratuita, até o dia 15 de novembro.
Antes de se tornar um dos mais importantes nomes da arte brasileira, Alberto da Veiga Guignard, nascido em 1896, na vizinha Nova Friburgo, foi uma criança de Petrópolis. Chegou à cidade com menos de três anos e vivendo no município até os oito. Foi em Petrópolis que frequentou sua primeira escola, conheceu as festas populares e os balões das noites de junho e conviveu com as montanhas, a Mata Atlântica e a neblina da Serra — elementos que marcariam profundamente sua memória e sua sensibilidade artística.
Em Petrópolis também viveu experiências familiares profundas, entre elas a perda do pai. Essas imagens e lembranças permaneceram em sua memória e ajudam a compreender a sensibilidade de uma obra em que paisagem, afeto e imaginação se encontram.
O 3º Flipetrópolis tem o patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, patrocínio Prata da Zweiss, Itaú e Unifase e parceria da Prefeitura de Petrópolis e Academia Petropolitana de Letras. Todas as mesas de debate serão transmitidas ao vivo pelo YouTube @flipetropolis e contarão com audiodescrição e Libras. Todas as atividades são gratuitas. As ações do Flipetrópolis são acessíveis e estão alinhadas aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). O 3º Flipetrópolis acontece de 12 a 15 de novembro, no Palácio de Cristal.
Petrópolis na memória de Guignard
Nascido em Nova Friburgo, Guignard chegou ainda muito pequeno a Petrópolis. A família vivia em um casarão na antiga Avenida Sete de Setembro, atual Rua da Imperatriz, próximo ao Palácio Imperial. O menino frequentava o Colégio Franco-Brasileiro, localizado a poucos metros de casa. Era uma Petrópolis cercada de montanhas e Mata Atlântica, com rios, palmeiras, pinheiros, hortênsias e grandes residências.
Segundo o seu biógrafo, o jornalista Marcelo Bortoloti, autor de “O Anjo Mutilado”, foi também na cidade que Guignard teve contato com manifestações populares que permaneceriam em sua memória. Entre elas estavam os festejos juninos, com suas noites frias, fogos e balões de papel colorido. Os balões se tornariam, décadas depois, uma presença recorrente e imediatamente reconhecível em suas pinturas. Guignard em Petrópolis
Essa lembrança tinha ainda uma dimensão familiar. O pai, Alberto José Guignard, fazia aniversário no dia de São João e costumava comemorar a data soltando balões e fogos de artifício no quintal da casa em Petrópolis. Guignard tinha oito anos quando perdeu o pai, uma experiência que permaneceria profundamente ligada às suas recordações da infância. Guignard em Petrópolis
Paisagem, memória e imaginação
Montanhas, névoas, vegetação, construções que parecem flutuar e a delicada aproximação entre céu e terra se tornariam elementos marcantes da linguagem de Guignard. A geografia vertical de Petrópolis e a atmosfera da Serra ajudam a compreender algumas das primeiras referências visuais experimentadas pelo artista.
Guignard não precisava reproduzir literalmente um lugar. Sua pintura se construiu justamente no espaço entre memória, realidade e sonho, reorganizando paisagens, igrejas, casas, pessoas, montanhas, nuvens e balões por meio da imaginação. Guignard em Petrópolis
A exposição de reproduções pretende chamar a atenção para esse período ainda pouco conhecido de sua biografia e estimular novas pesquisas sobre a relação do artista com Petrópolis. Como demonstra a pesquisa de Marcelo Bortoloti que fundamenta a mostra, a cidade foi um núcleo formador da sensibilidade de Guignard, reunindo experiências de beleza, pertencimento, descoberta, afeto e perda que permaneceriam em sua memória. Com a exposição, o Flipetrópolis convida Petrópolis a reencontrar essa história e a reconhecer Guignard como parte de sua memória cultural.
Serviço
Exposição “Guignard – Uma criança de Petrópolis” - 130 anos de nascimento
Curadoria: Ângela Gutierrez
Até 15 de novembro de 2026
Local: Jardins do Palácio de Cristal – Petrópolis (RJ)
Entrada: gratuita
Realização: 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis
Informações: @flipetropolis



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