O DJ MelherGui Selecta, nome artístico de Guilherme Barcelos, fará sua estreia no festival com duas apresentações programadas para os dias 31 de outubro e 7 de novembro, às 16h20, no Reggae Yard, no Parque Municipal de Itaipava, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.


As apresentações terão a sonorização do Digitaldubs, um dos nomes de referência da cultura sound system no Brasil, e contarão com a participação especial de Luan Barcellos no microfone. A combinação entre a seleção musical do DJ, a potência do sistema de som e a presença do MC remete à tradição jamaicana das festas populares, nas quais música, performance e interação com o público fazem parte de uma mesma experiência.


Para MelherGui, a participação no Rock The Mountain representa a oportunidade de compartilhar uma pesquisa musical construída ao longo de anos de envolvimento com a cultura urbana e as diferentes expressões da música negra.


“Participar do Rock The Mountain é muito especial, principalmente por acontecer em Petrópolis, uma cidade que faz parte da minha história e da minha trajetória cultural. O Reggae Yard é um espaço do festival dedicado à cultura jamaicana e à tradição dos sound systems, que vai muito além da música, reunindo diferentes expressões e vivências dessa cultura. É nesse ambiente que quero apresentar uma seleção que valorize a riqueza e a diversidade da música jamaicana, conectando diferentes épocas, artistas e sonoridades, do roots reggae às produções mais contemporâneas. Também quero aproveitar essa oportunidade para incluir no repertório artistas de Petrópolis, dando visibilidade à produção musical da cidade. E dividir esse momento com Luan Barcellos no microfone torna tudo ainda mais especial, trazendo a interação entre selecta e MC, tão característica da cultura dos sound systems.” afirma Guilherme Barcelos.




Uma viagem pela música jamaicana

Para as duas apresentações, MelherGui prepara um repertório dedicado à música da Jamaica, percorrendo diferentes períodos e vertentes de uma tradição que influenciou profundamente a música mundial.


A seleção transitará pelo ska, rocksteady, roots reggae, dub, ragga e dancehall, conectando artistas clássicos a produções locais da cidade. A proposta é apresentar diferentes caminhos da música jamaicana, destacando tanto suas raízes quanto suas transformações ao longo das décadas.


Mais do que reunir músicas de um mesmo gênero, o trabalho de um selecta envolve pesquisa, conhecimento de repertório, construção de sequências e leitura da pista. A escolha de cada faixa, a passagem de uma sonoridade para outra e a relação estabelecida com o público são elementos fundamentais para a experiência dos sound systems.


“A música jamaicana tem uma história enorme e continua se reinventando. O reggae, o ska, o dub, o dancehall e tantas outras vertentes dialogam com diferentes culturas e influenciaram movimentos musicais em várias partes do mundo. Minha ideia é explorar essas conexões, apresentar clássicos, trazer descobertas e construir uma experiência que faça o público sentir a força dessa música”, destaca o DJ.


A presença de Luan Barcellos no microfone acrescenta outra dimensão à apresentação, recuperando a dinâmica característica dos sound systems jamaicanos, nos quais o selecta conduz a seleção musical enquanto o MC interage com o público e estabelece diálogos com as bases instrumentais.





Mais de duas décadas de conexão com a cultura Hip Hop

A trajetória musical de Guilherme Barcelos está diretamente ligada à cultura Hip Hop, movimento que ampliou seu contato com a discotecagem, as expressões da música negra e as manifestações culturais urbanas.


Integrante da direção nacional da Nação Hip Hop Brasil desde 2005, Guilherme acumulou experiências na organização de atividades culturais, eventos e iniciativas relacionadas à cultura de rua. Essa vivência contribuiu para consolidar sua relação com os DJs, a pesquisa musical e a valorização das expressões artísticas produzidas pelas periferias e pelos territórios populares.


A conexão entre o Hip Hop e a música jamaicana é histórica. Os sound systems tiveram papel central na formação da cultura musical da Jamaica, reunindo equipamentos de som, seletores, MCs e festas populares. Essas práticas, assim como a cultura do DJ e as performances vocais, influenciaram o desenvolvimento do Hip Hop em Nova York, especialmente a partir da década de 1970.


Essa herança aparece na pesquisa de MelherGui, que encontra no reggae, no dub, no dancehall e em outras vertentes da música negra referências para a construção de suas apresentações.


“Minha relação com a música passa pela cultura Hip Hop e pela compreensão de que a música negra é feita de encontros, intercâmbios e continuidades. A Jamaica tem uma importância fundamental nessa história, e conhecer essas raízes ajuda a entender muita coisa que veio depois. Para mim, tocar também é uma forma de compartilhar essa memória e manter essas conexões vivas”, explica.



Da Jamaica às brasilidades: uma pesquisa musical sem fronteiras

Embora a música jamaicana ocupe um lugar central em sua identidade artística, MelherGui desenvolve um trabalho que ultrapassa as fronteiras de um único gênero.


Seus sets também percorrem samba, samba-rock, soul, funk, MPB, forró, afrobeat e diferentes expressões da música brasileira e internacional. Essa diversidade permite transitar entre épocas, territórios e linguagens, aproximando repertórios conhecidos de descobertas musicais.


A pesquisa de Guilherme parte da compreensão de que a música negra não se desenvolveu de maneira isolada. Pelo contrário, suas diferentes expressões estabeleceram diálogos ao longo do tempo, conectando tradições africanas, caribenhas, brasileiras e outras culturas musicais.


Em suas apresentações, a seleção das faixas é acompanhada pela preocupação com a sequência, a cadência e a sonoridade do conjunto. O objetivo é criar uma experiência que respeite a identidade de cada repertório, mas também revele suas possíveis conexões.


Essa versatilidade está presente tanto em festas dedicadas às brasilidades quanto em eventos voltados ao reggae, ao afrobeat e às sonoridades africanas.



Fela Day Petrópolis: música africana e memória cultural

Entre as iniciativas que expressam essa pesquisa está o Fela Day Petrópolis, evento do qual Guilherme Barcelos é realizador e DJ. Com edições em 2025 e 2026, realizadas no Sobrado 404, o projeto celebra o legado de Fela Kuti, músico nigeriano reconhecido como um dos principais criadores e difusores do afrobeat.


A programação valoriza o afrobeat, o funk africano e outras tradições musicais do continente, criando oportunidades para que o público petropolitano tenha contato com repertórios que nem sempre ocupam espaço nas programações convencionais.


Mais do que uma festa, a iniciativa evidencia a atuação de MelherGui como articulador cultural. Ao organizar o evento e conduzir a seleção musical, o artista contribui para ampliar a circulação da música africana e estimular o reconhecimento de sua influência sobre diferentes gêneros contemporâneos.


A experiência também reforça uma característica de sua trajetória: a combinação entre discotecagem, curadoria musical e produção de iniciativas que aproximam o público de diferentes tradições culturais.



Festivais, palcos e experiências culturais

Ao longo de sua trajetória, MelherGui Selecta participou de festivais, festas, projetos musicais e programações culturais em Petrópolis, na Região Serrana e em outros municípios do estado do Rio de Janeiro.


Entre as experiências de destaque estão sua participação no Festival Sesc de Inverno 2024, em Teresópolis, quando comandou o Bailinho do Furdunço ao lado de Durango Kid, na programação de abertura do show de Ney Matogrosso, e sua presença no Verão Sesc Quitandinha 2026, no Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis.


Sua trajetória inclui ainda apresentações no Teatro Popular de Niterói e na Lona Cultural da Maré, no Rio de Janeiro, além de participações em iniciativas de mobilização cultural, como o Ocupa MinC, em defesa do Ministério da Cultura e das políticas públicas para o setor, e o Ocupa Canecão, movimento relacionado à ocupação e à valorização daquele histórico espaço cultural carioca.


Como DJ residente, MelherGui integrou a Gotam Grooves, festa marcada pela diversidade de ritmos e vertentes da música negra, e a MoonDub, projeto dedicado à música jamaicana e à cultura reggae.


O conjunto dessas experiências revela diferentes dimensões de sua atuação: a pesquisa musical, a participação em circuitos culturais, a construção de eventos e o diálogo com públicos diversos.



Da discotecagem à produção cultural e ao audiovisual

A trajetória de Guilherme Barcelos também se estende à gestão cultural, à produção de projetos e ao audiovisual.


Bacharel em Ciências Sociais, com formação em Produção e Política Cultural, e pós-graduado em Gestão Cultural pelo Senac, ele reúne experiências em diferentes áreas do setor cultural. Entre suas atuações estão a administração cultural do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, da Funarte, em São Paulo, e a gestão do Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis.


Ao longo dos anos, participou da realização de festivais, circuitos culturais e projetos formativos, além de iniciativas dedicadas à valorização da memória, da cultura urbana e das manifestações artísticas.


No audiovisual, um dos destaques é sua atuação como produtor executivo do documentário Bira Rasta: Eu Sou a Onda, dirigido por Gregori Bastos. A obra aborda a trajetória do músico Bira Rasta e sua relação com o reggae e a cultura musical de Petrópolis.


O documentário recebeu o Prêmio Maestro Guerra Peixe de Cultura em 2025, na categoria Produção Audiovisual, e integrou a programação de mostras e festivais de cinema nacionais e internacionais como o IN-EDIT Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, um dos principais festivais de documentário musical do mundo, 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, referência nacional em preservação, história e memória do cinema e foi Selecionado para a Mostra Competitiva do 13th International Documentary Festival of Ierapetra & Awards, na Grécia.


Guilherme também esteve envolvido em projetos como o filme Hip Hop Serra: Resistência Cultural na Cidade Imperial e eventos como Conexão Serra, Festival de Cultura Urbana de Petrópolis entre outras iniciativas relacionadas à cultura, à memória e às expressões artísticas.


Em 2026, recebeu o título de Cidadão Petropolitano, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura e a vida social do município.



Petrópolis como território de criação e circulação cultural

A estreia no Rock The Mountain acontece em uma cidade que ocupa lugar central na história pessoal e profissional de MelherGui. Em Petrópolis, o artista desenvolveu parte significativa de suas atividades musicais e culturais, participando de iniciativas que contribuem para a circulação de diferentes expressões artísticas.


A presença no festival também amplia a visibilidade de uma produção que nasce do encontro entre pesquisa musical, cultura urbana e atuação cultural. Ao se apresentar no Reggae Yard, MelherGui se conecta a um circuito que reúne artistas, públicos e referências de diferentes lugares, sem perder o vínculo com o território onde construiu sua trajetória.


“É muito especial participar do Rock The Mountain, ainda mais em Petrópolis, cidade onde construí boa parte da minha trajetória cultural. O Reggae Yard é um espaço que valoriza a riqueza e a diversidade da música jamaicana, reunindo diferentes artistas e expressões dessa cultura. Poder contribuir com minha pesquisa musical, tão ligada à cultura negra, é muito significativo. Vejo também como uma oportunidade de trocar experiências, apresentar meu trabalho e dar visibilidade à produção cultural de Petrópolis, que tem tantos artistas e iniciativas que merecem reconhecimento.”, afirma Guilherme Barcelos.


A participação também reforça o papel dos DJs na construção de experiências culturais que vão além da reprodução de músicas. Por meio da pesquisa, da curadoria e da condução das apresentações, esses artistas ajudam a preservar repertórios, apresentar novas sonoridades e criar pontes entre gerações.



Rock The Mountain 2026: um novo capítulo na trajetória de MelherGui

A estreia de MelherGui Selecta no Rock The Mountain marca mais um capítulo de sua trajetória artística, construída entre a cultura Hip Hop, a pesquisa musical e a produção cultural. Ao integrar a programação do festival em sua própria cidade, Guilherme Barcelos também amplia a visibilidade dos artistas e das iniciativas culturais de Petrópolis, reafirmando a importância da cena local na diversidade musical que movimenta o município.


A sonorização do Digitaldubs e a participação de Luan Barcellos completam a proposta, aproximando a apresentação da dinâmica dos sound systems e valorizando a interação entre DJ, MC e público.


Para quem acompanha o trabalho de MelherGui, as duas datas representam mais um capítulo de uma trajetória que articula música, cultura Hip Hop, produção cultural e valorização das expressões negras. Para quem ainda não conhece o artista, será uma oportunidade de entrar em contato com uma pesquisa musical que conecta a Jamaica, a África, o Brasil e diferentes tradições sonoras.


Nos dias 31 de outubro e 7 de novembro, a partir das 16h20, MelherGui Selecta leva ao Reggae Yard não apenas um repertório de música jamaicana, mas também uma história construída por meio da pesquisa, da discotecagem e do compromisso com a circulação da cultura.



Serviço

Artista: MelherGui Selecta — Guilherme Barcelos
Evento: Rock The Mountain 2026
Datas: 31 de outubro e 7 de novembro de 2026
Horário: 16h20
Local: Parque Municipal de Itaipava, Petrópolis (RJ)
Espaço: Reggae Yard
Sonorização: Digitaldubs
Participação especial: Luan Barcellos (MC)
Repertório: ska, rocksteady, roots reggae, dub, ragga, dancehall e outras vertentes da música jamaicana.

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