Uma proposta para reorganizar a circulação viária em Itaipava, construída desde 2018 por moradores, entidades e profissionais ligados ao distrito, foi apresentada nesta quarta-feira (7) à Elovias, concessionária responsável pela BR-040. O estudo, desenvolvido ao longo dos últimos anos com participação de diferentes atores da comunidade e contribuição expressiva do arquiteto Zinho Martinho, reúne alternativas para melhorar a conexão entre a rodovia federal, a Estrada União e Indústria e o sistema viário local. A concessionária recebeu da Unita (Unidos por Itaipava) e NovAmosanta o material para estudar as possibilidades de aproveitamento das soluções apresentadas.
A reunião acontece em um momento especialmente relevante para a mobilidade de Itaipava. A Elovias prevê a antecipação da implantação da chamada Ponte Diamante, intervenção prevista em contrato que fará a conexão entre a BR-040 e a BR-495, estrada que liga Petrópolis a Teresópolis. Localizada próxima à região da chamada rotatória do Bramil, a nova ligação deverá contribuir para melhorar a conexão entre as duas rodovias e retirar parte do tráfego de passagem da União e Indústria, principal artéria de circulação do distrito.
O estudo apresentado pela comunidade, desenhado desde 2018, foi elaborado antes da proposta de antecipação da Ponte Diamante e ganha, agora, uma nova perspectiva diante do cenário que será criado pela intervenção. A avaliação dos participantes é de que a nova conexão entre as rodovias pode representar uma importante ferramenta de mobilidade para Itaipava, desde que sua implantação seja acompanhada de soluções capazes de organizar também os fluxos urbanos no entorno.
Entre as alternativas apresentadas está a criação de um novo acesso ao “Centro Comercial” de Itaipava pela BR-040, com pistas de desaceleração e aceleração, além de uma nova ponte sobre o Rio Piabanha, paralela à estrutura existente. A proposta prevê ainda a implantação de um sistema binário de circulação, reorganização da rotatória, travessias elevadas para pedestres e intervenções na Estrada União e Indústria, com previsão de pista lenta e rápida, canteiro central, baias e ponto de ônibus.
Na prática, o estudo procura distribuir melhor os diferentes fluxos que hoje se concentram na União e Indústria, criando alternativas para o trânsito de passagem, o acesso ao comércio, o transporte coletivo e a circulação de pedestres. A intenção é que a futura configuração da BR-040 e da BR-495 seja pensada de forma integrada ao cotidiano de quem vive, trabalha e circula por Itaipava.
“A proposta que estamos apresentando não nasceu agora. É resultado de uma discussão que começou em 2018 e foi sendo construída ao longo dos anos, com a participação de moradores, entidades e profissionais que conhecem a realidade de Itaipava. A chegada da Ponte Diamante cria uma oportunidade para retomarmos essa discussão em um novo momento, porque uma intervenção dessa dimensão pode mudar os fluxos de toda a região”, afirma Alexandre Plantz, presidente da UNITA. O empresário João Carlos Souza Costa, do ramo imobiliário, aponta a qualidade de vida para todos: “são quase 10 anos após a primeira mobilização e essa é a chance mais concreta de avançarmos”, classifica.
No encontro, Alcimar Pena, gerente de Conservação e Manutenção da Elovias, classificou as propostas como “obra de interesse para Itaipava que age ‘internamente’ no problema de mobilidade e que, por isso, precisa ser consenso entre os demais envolvidos”. Jorge de Botton, presidente da NovAmosanta e Carlos Eduardo Pereira, vice-presidente da entidade, pontuaram sobre a funcionalidade das propostas que vêm sendo levantadas não apenas para o trecho, mas outros setores: “as intervenções vão funcionar pontualmente, mas o combo que ainda prevê a Agante Moço e acesso em Bonsucesso, vai transformar o trânsito sobremaneira”, pontua Jorge de Botton.
Márcia Filgueiras, chefe da Divisão de Projetos da CPTrans, e Walmir Osorio, engenheiro de tráfego da companhia, participaram e a presença deles também permitiu discutir a proposta sob a perspectiva do trânsito urbano de Petrópolis. Embora a União e Indústria seja uma rodovia federal, ela exerce, no cotidiano, uma função essencialmente urbana em Itaipava, concentrando deslocamentos de moradores, trabalhadores, usuários do transporte público, visitantes e acesso a estabelecimentos comerciais.
Para Zinho Martinho, a discussão precisa considerar o conjunto do sistema e não apenas intervenções isoladas. “A proposta é aproveitar a transformação prevista para a região para criar um sistema de circulação mais articulado, capaz de conectar as rodovias federais ao tecido urbano sem concentrar todo o tráfego em um único eixo”, aponta.
O grupo vai levar a discussão ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), considerando a necessidade de articulação em torno da União e Indústria e das diferentes responsabilidades envolvidas na infraestrutura viária da região. A proposta é que as intervenções sejam analisadas de maneira integrada pelo município, DNIT e Elovias, aproveitando o momento de transformação do sistema rodoviário para buscar soluções que também atendam à mobilidade urbana de Itaipava.
Os principais pontos da proposta de mobilidade para o “centro” de Itaipava

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