Solução para cheias do Rio Quitandinha só em 2029


O adiamento da licitação para a construção dos sete piscinões na Bacia do Rio Quitandinha acende uma alerta para a economia da cidade. Com a nova data da concorrência marcada para 18 de janeiro de 2027 e previsão de início das obras apenas em abril, a cidade vai enfrentar mais três períodos de chuvas intensas — verões de 2027, 2028 e 2029 — sem contar com a conclusão de uma das principais intervenções estruturais previstas para reduzir os alagamentos em parte do município. O cronograma aponta para a entrega do conjunto de obras ao longo de 2029.


Para o movimento Petrópolis 2030, que reúne 32 entidades representativas da sociedade civil e de diferentes setores da economia petropolitana, a preocupação vai além do atraso no calendário. É preciso saber quais medidas serão adotadas pela prefeitura para minimizar os impactos das cheias nesse intervalo. Às vésperas do próximo verão, a prefeitura sinaliza apenas com medidas paliativas como interrupção do tráfego de veículos.  O colegiado de entidades empresariais teme, mesmo considerando apenas alagamentos, um novo 2022 quando a tragédia das chuvas ceifou vidas e afetou a economia da cidade. Empresas foram severamente afetadas, algumas levaram mais de três anos para recuperar suas atividades, outras conseguiram retomar apenas parcialmente suas operações e houve aquelas que não resistiram aos prejuízos e encerraram as portas.


As inundações do Rio Quitandinha afetam uma extensa área urbana, com consequências que se estendem da General Rondon à Rua do Imperador, passando pela Coronel Veiga e atingindo moradores, empresas, trabalhadores e milhares de pessoas que circulam diariamente pela região. O problema ganha uma dimensão ainda maior quando o volume de água ultrapassa a capacidade de escoamento do rio e chega à Rua do Imperador. Além dos alagamentos em imóveis e estabelecimentos comerciais, a situação compromete a fluidez do trânsito em uma das principais artérias da cidade, com reflexos sobre a circulação de veículos, o transporte e o funcionamento de diferentes atividades econômicas.


“Estamos falando de um problema que não atinge apenas quem mora ou tem um estabelecimento às margens do Quitandinha. Quando a água chega à Rua do Imperador, a cidade inteira sente os efeitos. É uma questão de segurança, mobilidade e economia. Uma inundação naquela região pode paralisar o Centro, prejudicar o comércio, comprometer o deslocamento de trabalhadores e colocar vidas em risco. Por isso, não podemos tratar essa obra como mais um projeto de infraestrutura. Ela é estratégica para Petrópolis”, afirma Cláudio Mohammad, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e liderança do movimento Petrópolis 2030.



Obra estratégica, mas com longo prazo de execução

O projeto de macrodrenagem da Bacia do Rio Quitandinha prevê a construção de sete reservatórios de amortecimento de cheias, com capacidade conjunta para armazenar 68 milhões de litros de água, além da implantação de aproximadamente 600 metros de galerias suplementares e adequações em pontes sobre o rio.


A iniciativa, aprovada em 2024 pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Seleções), do Governo Federal, tem como objetivo reduzir os picos de vazão durante chuvas intensas e diminuir o risco de transbordamentos em pontos historicamente afetados, especialmente nas ruas General Rondon, Coronel Veiga e Washington Luiz.


Inicialmente prevista para 22 de setembro de 2026, a licitação para escolha da empresa executora das obras foi suspensa após um dos concorrentes interessados apontar inconsistências na planilha de custos. A necessidade de revisão dos quantitativos pela Secretaria municipal de Obras levou à reformulação do edital e à remarcação da concorrência para 18 de janeiro de 2027. Com as alterações, o orçamento estimado passou de R$ 96,22 milhões para R$ 100,77 milhões.



O que será feito até 2029?

Enquanto os piscinões não ficam prontos, a cidade continuará exposta aos efeitos das chuvas intensas na Bacia do Quitandinha. Atualmente, entre as medidas adotadas em situações de elevação do nível do rio está a interdição do trânsito na Rua Coronel Veiga, como forma de evitar que veículos e ônibus sejam arrastados pela força da correnteza. Depois que o nível da água baixa, é necessário realizar a limpeza da via para restabelecer a circulação.


Para o Petrópolis 2030, essas providências são importantes para reduzir riscos imediatos, mas não resolvem os impactos das inundações sobre moradores, comerciantes e a mobilidade urbana. A entidade quer saber quais outras medidas preventivas e operacionais estão previstas para os próximos três períodos de chuvas, incluindo ações para minimizar os alagamentos, proteger estabelecimentos comerciais, organizar rotas alternativas e garantir a segurança da população.


“Petrópolis conhece muito bem o preço de uma tragédia. Em 2022, perdemos vidas e vimos empresas, empregos e histórias serem destruídos. Não podemos esperar que outra situação dessa dimensão aconteça para agir. Sabemos que as chuvas virão e que as obras estruturais não estarão prontas. Por isso, queremos saber qual é o plano da prefeitura para proteger a cidade nesse intervalo”, cobra Cláudio Mohammad.

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