Uma noite de reencontros, emoção e reconhecimento de uma história construída ao longo de sete décadas. Assim foi a celebração dos 70 anos do Teatro Experimental Petropolitano (TEP), realizada na última semana, no Teatro Imperial, em Petrópolis. A apresentação reuniu artistas de diferentes gerações, antigos integrantes e pessoas que ajudaram a construir a trajetória da companhia, em um espetáculo que revisitou momentos importantes da história do teatro petropolitano.

 

A programação contou com a exibição de um documentário sobre a trajetória do grupo e a apresentação de sete cenas curtas de montagens que marcaram diferentes períodos de sua história. A proposta foi proporcionar ao público uma viagem pela memória teatral da cidade, recuperando personagens, textos e espetáculos que fizeram parte da formação artística de diversas gerações. A noite também foi marcada pela homenagem a Shirley Meirelles dos Santos, que dedicou aproximadamente cinco décadas ao TEP, trabalhando na criação de figurinos, cenários e caracterizações.

 

Um dos momentos mais significativos da celebração foi a possibilidade de reunir novamente artistas que participaram de diferentes fases da companhia. Mais de 20 profissionais estiveram envolvidos na programação comemorativa, em uma demonstração da força dos vínculos construídos pelo grupo ao longo de sua existência.

 

Para Janine Meirelles, a realização do evento representou muito mais do que uma comemoração institucional. Foi a oportunidade de testemunhar a emoção de quem acompanhou de perto a construção dessa história, especialmente Joaquim Eloy Duarte dos Santos, fundador do TEP e responsável pela preservação de um importante acervo documental da companhia.

 

“Foi uma alegria imensa realizar essa celebração e, principalmente, poder olhar para tudo o que construímos e ver a felicidade do meu pai, Joaquim Eloy, que esteve presente nessa história desde a criação do TEP. É muito emocionante perceber quantas pessoas fizeram parte dessa trajetória, quantas histórias foram construídas e quantas gerações foram alcançadas pelo teatro. Foi uma noite de grandes realizações, encontros e reconhecimento. Temos muitos motivos para comemorar”, destaca Janine.

 

A celebração também proporcionou a antigos integrantes a oportunidade de retornar ao palco e reviver experiências que marcaram suas trajetórias artísticas. Para Vania Moreira, que construiu parte de sua carreira profissional a partir do trabalho desenvolvido no TEP, participar da programação comemorativa teve um significado especial.

 

A programação comemorativa também contou com a participação do grupo Pessoal Aí, que celebra 40 anos de trajetória. Sylvio Costa Filho e Pita Cavalcanti subiram ao palco para apresentar uma cena de “O Santo Milagroso”, texto de Lauro César Muniz que marcou a história do Teatro Experimental Petropolitano e foi um dos grandes sucessos da companhia na década de 1970. A apresentação trouxe de volta ao palco uma obra emblemática do teatro petropolitano, valorizando a memória artística da cidade e reforçando o encontro entre diferentes gerações de artistas.

 


“Foi uma alegria enorme e um orgulho muito grande participar desse projeto. Poder voltar ao palco e apresentar trechos de espetáculos dos quais fiz parte há tantos anos, alguns há décadas, é uma experiência emocionante. São lembranças que permanecem muito vivas e que fazem parte da minha história. Rever essas cenas, reencontrar pessoas e compartilhar tudo isso com outras gerações foi uma alegria imensa. É muito significativo perceber a importância que o TEP teve e continua tendo na formação de tantos artistas”, afirma Vania.

 

A história do Teatro Experimental Petropolitano começou a ser construída em 1950, quando a demolição do antigo prédio da Escola de Música Santa Cecília deixou sem espaço diferentes grupos teatrais que ensaiavam e se apresentavam no local. A partir da inauguração do novo Teatro Santa Cecília, em 1955, surgiu a oportunidade de reunir esses artistas em uma grande montagem. A iniciativa de união dos grupos e criação do TEP partiu de Paulo Gomes dos Santos e Ernesto Pereira. A estreia aconteceu em maio de 1956, com a montagem de “A Canção dos Indigentes”, de Reynaldo Heitor de Souza.

 

Nas décadas seguintes, a companhia ampliou seu repertório, conquistou reconhecimento em festivais e contribuiu para a formação de artistas que posteriormente construíram carreiras profissionais. Entre as montagens que marcaram sua trajetória estão “O Santo Milagroso”, “Um Tigre no Banheiro”, “A Noite de Teresa Cibalena” e “Transas, Troças, Tragédias e Trombadas”. O grupo também desenvolveu trabalhos voltados ao público infantil, oficinas, contação de histórias, leituras dramatizadas e atividades educativas.

 

Outro patrimônio importante é o acervo preservado por Joaquim Eloy Duarte dos Santos, que reúne mais de três mil fotografias, vídeos, livros de atas e registros manuscritos das produções realizadas desde 1956. O material documenta a trajetória da companhia e representa uma importante fonte de pesquisa sobre a história das artes cênicas em Petrópolis.

 

A escolha do Teatro Imperial para a celebração também carregou um significado histórico. O espaço abrigava o antigo Teatro Santa Cecília, palco da estreia do TEP em 1956. Setenta anos depois, retornar ao local com artistas que participaram dessa trajetória transformou a apresentação em um encontro entre passado, presente e futuro.

 

Mas a comemoração não representa um ponto final. Pelo contrário, a perspectiva da companhia é intensificar suas atividades, retomar os ensaios e preparar novas montagens. A expectativa é estabelecer uma programação permanente de espetáculos, com a meta de produzir pelo menos uma montagem por ano.

 



“Estamos muito esperançosos e, acima de tudo, prontos para trabalhar. A celebração dos 70 anos nos mostrou a força que o TEP tem, a importância da nossa história e o quanto ainda temos a realizar. Queremos intensificar os ensaios, reunir novamente nossos artistas e, em breve, estrear um novo espetáculo. O TEP está mais vivo do que nunca. Essa noite foi de grandes realizações, grandes encontros e muita emoção. É um momento de olhar para tudo o que foi construído, agradecer a quem fez parte dessa caminhada e seguir em frente. Temos muito trabalho pela frente e muitos motivos para comemorar”, conclui Janine Meirelles.

 

Mais do que celebrar uma data, os 70 anos do Teatro Experimental Petropolitano reafirmam a importância da preservação da memória cultural, da valorização dos artistas locais e da continuidade de iniciativas que mantêm viva a produção teatral em Petrópolis. Uma história construída coletivamente, que atravessa gerações e segue encontrando no palco razões para continuar.

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