O Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), participou da maior pesquisa brasileira sobre as chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), com o objetivo de avaliar o uso dessas práticas pela população brasileira durante o isolamento social em 2020, provocado pela pandemia de COVID-19.  

 

A pesquisa “Uso de Práticas Integrativas e Complementares no contexto da COVID-19 (PICCovid)” teve como base um questionário on-line, que foi respondido, entre agosto e dezembro de 2020, por pessoas maiores de 18 anos de todas as regiões do país. Apesar do recorte temporal, o estudo traçou um panorama sobre a utilização das terapias no Brasil.

 

“A pesquisa foi realizada através de um questionário eletrônico. Toda pessoa que recebeu a pesquisa foi convidada a compartilhar o questionário em suas redes de contatos, para que outras participassem. Assim, foi possível atingir pessoas de vários segmentos, diferentes classes sociais, regiões geográficas, faixas etárias, de gênero etc.”, explica Patrícia Boccolini, pesquisadora e professora da UNIFASE/FMP.

 

A UNIFASE/FMP, através do Núcleo de Informação, Políticas Públicas e Inclusão Social – NIPPIS, destaca a importância das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para promoção da saúde e do autocuidado. Esses recursos têm em comum a ênfase no modelo de atenção centrada na integralidade do indivíduo.

 

“As PICS ganharam mais visibilidade durante a pandemia, uma vez que auxiliam na melhoria da qualidade de vida, no autocuidado, no equilíbrio mental e emocional, não impondo ou propondo a substituição de condutas ou protocolos definidos pela comunidade científica para tratamento da COVID-19. No estudo, identificamos uma prevalência de 61% de uso das Práticas Integrativas e Complementares. Por região, a gente teve 52% de uso das PICs no Norte, 45% no Nordeste, 71% no Centro-Oeste, 63% no Sudeste e 70% no Sul. As PICs mais utilizadas no Brasil foram a meditação e as plantas medicinais (28,3%), seguidas por yoga, reiki e aromaterapia”, frisa a pesquisadora Boccolini.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) já reconhece oficialmente 29 dessas terapias e oferece atendimento utilizando várias delas, as mais conhecidas são: a acupuntura, a meditação, a yoga, a homeopatia, a musicoterapia, a fitoterapia, a quiropraxia, o reiki e a shantala.


“Esperamos que os resultados da investigação contribuam para fortalecer a rede de pesquisa multidisciplinar para estudo e uso das PICS, trazendo à luz algumas evidências sobre padrões de uso de determinadas práticas. Além disso, acreditamos que esse projeto estimula não só o uso dessas terapias pela população em geral, como também incentiva profissionais a se capacitarem. Muito antes da pandemia, o Ministério da Saúde já oferecia cursos de Educação a Distância (EAD) para vários tipos de PICS. Certamente, nesse período de distanciamento social, em que as pessoas precisaram ficar mais isoladas, sem poder receber parentes e amigos, as PICs auxiliaram muito na prática do autocuidado. Em breve, outros resultados preliminares da pesquisa serão divulgados em periódicos científicos”, finaliza Boccolini.

 

Para mais informações sobre a Pesquisa acesse: http://observapics.fiocruz.br/

 

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