Depois de 208 dias internada no Hospital Santa Teresa, de Petrópolis, Delfina Rivas Asensio Canela, de 71 anos, teve alta hoje, dia 15 de outubro, recuperada da Covid-19 e continuará o tratamento em casa com home care. Delfina foi a paciente que ficou por mais tempo internada em um hospital da cidade com o novo coronavírus. Dos 208 dias, 189 foram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

 

Delfina Canela foi internada em 20 de março, quando já estava com mais de 50% do pulmão comprometido. Foi entubada assim que chegou ao HST. Por conta de comorbidades, como obesidade, diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca, seu quadro se agravou rapidamente. Durante o período de internação, sofreu duas paradas cardíacas e teve dez pneumonias.

 

Segundo a psicóloga Jociane Gatto Justen Coutinho, Coordenadora da equipe de psicologia do HST, a internação prolongada requer um cuidado pela equipe como um todo, que vai além do paciente, incluindo também a família. “Aqui no HST nós fazemos o acompanhamento psicológico não só dos pacientes, mas também dos familiares. Por não poderem visitar a paciente, e levando em conta como é difícil ficar tanto tempo sem ver o ente querido, a família é informada diariamente por telefone e videochamadas sobre o quadro clínico. Essa foi a maneira que encontramos de amparar os familiares e mantê-los perto dos pacientes. As chamadas de vídeo sem dúvida fizeram a diferença para todos, inclusive para nós que testemunhamos demonstrações de amor e fé”, comenta.

 

Delfina é viúva, dona de casa, mãe de dois filhos, avó de dois netos e vê sua recuperação como um milagre que precisa ser compartilhado para servir de exemplo de que a doença é muito séria, mas é possível sobreviver a ela. “Não tinha noção do tempo. Graças a Deus deu tudo certo. Os médicos e a minha família dizem que eu ter sobrevivido foi um milagre. Sair do hospital vai ser uma alegria muito grande. Tive momentos de muito medo. Pensava muito nos meus netos que são tudo para mim e nos meus filhos que fizeram de tudo para ficar por perto. Eles faziam as chamadas de vídeo com as psicólogas e isso me acalmava e me dava esperança. Foi muito importante para mim”, comentou a paciente.

 

Depois de passar a maior parte do tempo sedada na UTI, quando despertou, a paciente estava muito frágil e apresentava um desgaste físico e mental muito grande, mas o desejo de viver e voltar a ver a família sempre foi maior. “O reencontro dela com a família foi muito emocionante e especial. Eles confiaram muito no nosso trabalho e isso também foi fundamental para fazer a diferença no sucesso do tratamento, que é um conjunto do tratamento técnico dos médicos, mas também da vontade de viver da paciente. O caso dela foi bem-sucedido, porque reuniu todos esses elementos. A recuperação dela foi muito emblemática para todos nós”, comentou Dra. Jociane.

 

"A alta está sendo um momento de muita emoção. Foram meses terríveis, de muita luta e muito sofrimento. Agarrei-me muito em Deus e me joguei em muitos momentos ao chão em oração e sempre vinha uma resposta positiva. Eu ficava agarrada no telefone, aguardando o boletim e as chamadas de vídeo para poder vê-la", relata Fabiana Rivas Canela, filha de Delfina.

 

A saída da paciente foi comemorada com salva de palmas de familiares e profissionais do hospital. “Minha cura é inexplicável. Só Deus mesmo. Toda a equipe do hospital foi maravilhosa. Não pararam de me dar força e me ajudar. Só tenho a agradecer!”, conclui Delfina.

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