Petrópolis esteve representada na primeira reunião técnica promovida pelo Ministério da Educação (MEC) para debater a criação da Escola Nacional da Cultura Hip Hop, política educacional que busca fortalecer o sucesso escolar de estudantes da educação básica, especialmente jovens negros e periféricos, a partir do diálogo com a cultura hip hop.


O encontro aconteceu na segunda-feira, 26 de janeiro, em Brasília, e reuniu representantes do movimento hip hop de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A iniciativa integra a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), que tem como foco o combate ao racismo estrutural e a redução das desigualdades educacionais.


A política, que ainda está em fase de construção pelo MEC, será organizada em quatro eixos: coordenação federativa; formação; materiais de apoio; e difusão, reconhecimento e valorização de saberes. A proposta da Escola Nacional da Cultura Hip Hop é fortalecer a identidade, o pertencimento e a representatividade de estudantes negros no ambiente escolar, ampliando as possibilidades pedagógicas a partir das culturas urbanas.


Representando Petrópolis, o dirigente da Nação HipHop Petrópolis e integrante do Grupo de Trabalho do MEC responsável por articular políticas públicas para a juventude, Guilherme Barcelos, destacou a relevância do reconhecimento institucional do hip hop como ferramenta educacional.


_“Reconhecer o Hip Hop como ferramenta educacional é reconhecer os saberes das periferias, das juventudes negras e das culturas urbanas como parte legítima do processo de aprendizagem. O Programa Educacional Hip Hop nas Escolas fortalece uma educação conectada com a realidade dos estudantes, promove pertencimento, combate o racismo estrutural e contribui diretamente para o sucesso acadêmico, especialmente em territórios historicamente marcados por desigualdades.”_


Petrópolis, cultura urbana e políticas públicas


A participação de Petrópolis na articulação nacional reforça o protagonismo da cidade nas pautas ligadas à juventude, à cultura e aos direitos humanos. Nesse contexto, a vereadora Professora Lívia (PCdoB) destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento da cultura urbana como política pública.


_“O hip hop é educação, é identidade e é direito. Quando o poder público reconhece a cultura urbana, ele reconhece a juventude periférica, combate o racismo e fortalece uma escola mais democrática e conectada com a realidade dos estudantes”,_ afirmou a vereadora.


Lívia é presidente da Comissão de Direitos Humanos e vogal da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Petrópolis. Em seu primeiro ano de mandato, a parlamentar fez questão de entregar o Título de Utilidade Pública Municipal à Nação HipHop Petrópolis, reconhecendo a atuação histórica da entidade na cidade.


A Nação HipHop Petrópolis é responsável pela construção da Roda Cultural do CDC, iniciativa que movimentou a cena cultural local, ampliou o acesso da juventude à arte e colocou na agenda pública os direitos da cultura urbana em Petrópolis.


Hip hop no orçamento da educação


Durante a reunião no MEC, o secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini, ressaltou que a proposta acompanha o fortalecimento do orçamento voltado à inclusão e à equidade na atual gestão federal.


_“Temos muito orgulho de dizer que, hoje, podemos colocar o hip hop no orçamento da educação”,_ afirmou.


Já a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, Zara Figueiredo, destacou o impacto simbólico e pedagógico da iniciativa.


_“Chegou a hora de termos outros heróis, outras musas que inspirem esses adolescentes. Essa identidade negra passará a ser posta dentro das escolas”,_ disse, ressaltando também que a pedagogia do hip hop pode contribuir para o engajamento estudantil e para a ocupação educativa do tempo escolar.


Educação antirracista e valorização dos saberes periféricos


A Pneerq, criada pela Portaria nº 470/2024, tem como objetivo implementar ações educacionais voltadas à superação das desigualdades étnico-raciais, à promoção da educação escolar quilombola e ao enfrentamento do racismo nos ambientes de ensino. A política envolve gestores, profissionais da educação, estudantes e toda a comunidade escolar.


Para representantes do movimento hip hop e lideranças locais, a criação da Escola Nacional da Cultura Hip Hop representa um passo histórico no reconhecimento da cultura urbana como ferramenta de educação, cidadania e transformação social, com reflexos diretos para cidades como Petrópolis, onde a juventude organizada já constrói práticas culturais e educativas nos territórios.

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