O Carnaval é sinônimo de alegria, fantasias e folia, mas também impõe desafios importantes ao organismo. A combinação de calor intenso, consumo de álcool e longas horas de esforço físico pode sobrecarregar o corpo e desencadear problemas que vão de uma simples dor de cabeça até situações mais graves, como arritmias e insolação.


Segundo o Dr. Bernardo Camargo, cardiologista do Hospital Santa Teresa, os riscos mais comuns nesta época do ano estão diretamente ligados à soma de altas temperaturas, ingestão de bebidas alcoólicas e privação de sono. “Calor intenso associado ao álcool e ao esforço prolongado aumenta significativamente o risco de desidratação, queda de pressão, exaustão térmica e até agravamento de doenças cardíacas”, explica.


O calor favorece quadros de desidratação, insolação e hipotensão. Já o álcool acelera a perda de líquidos, podendo provocar hipoglicemia e até arritmias cardíacas, popularmente conhecidas como “Síndrome do coração pós-feriado”. Além disso, as bebidas alcoólicas aumentam o risco de quedas e traumas, e podem causar interações perigosas com outros medicamentos. As longas horas de folia ainda contribuem para a privação de sono, sobrecarga cardiovascular, hipotensão postural e crises de ansiedade.


A desidratação é um dos problemas mais frequentes durante a folia. Ela pode causar dor de cabeça, tontura, fraqueza, taquicardia, confusão mental e cãibras. Em casos mais graves, pode evoluir para insuficiência renal aguda e desmaios. “A orientação é beber água regularmente, mesmo sem sede. O ideal é que o folião evite o consumo de bebida alcoólica. Caso negativo, uma estratégia prática é alternar uma bebida alcoólica com um copo de água e, se possível, utilizar soluções com eletrólitos”, orienta o médico. Ele também recomenda observar a cor da urina: quanto mais clara, melhor o nível de hidratação. A água de coco também pode ajudar, mas não substitui a ingestão de água.


Outro vilão do período é a ressaca. Do ponto de vista médico, ela é resultado de um conjunto de fatores, como desidratação, inflamação sistêmica, hipoglicemia, toxicidade do acetaldeído (substância gerada na metabolização do álcool) e distúrbios do sono. “O que realmente ajuda é hidratação vigorosa, alimentação leve com carboidratos e proteínas, repouso e, se necessário, analgésicos simples como dipirona ou paracetamol”, afirma. Por outro lado, o cardiologista alerta que beber mais álcool para aliviar os sintomas não resolve o problema e pode agravá-lo. Anti-inflamatórios em jejum também devem ser evitados pelo risco de complicações gástricas e renais.


Já pessoas com doenças crônicas precisam de cuidados redobrados. Pacientes hipertensos devem manter a medicação regular, evitar excesso de álcool e exposição prolongada ao sol. Os diabéticos não devem pular refeições, precisam estar atentos à hipoglicemia induzida pelo álcool e monitorar a glicemia com mais frequência. Já quem tem doenças cardíacas deve evitar esforço excessivo, manter hidratação rigorosa e ficar atento a sintomas como dor no peito, falta de ar e palpitações. “Quem usa diuréticos, betabloqueadores ou anti-hipertensivos precisa redobrar a atenção, pois o risco de queda de pressão e desidratação é maior”, destaca o Dr. Bernardo Camargo.


O especialista também chama atenção para sinais de alerta que exigem interrupção imediata da festa e busca por atendimento médico. “Confusão mental, desmaio, dor no peito, falta de ar, palpitações persistentes, vômitos incoercíveis, fraqueza intensa, pele quente e seca ou convulsões são sinais que não devem ser ignorados”, alerta.


Para aproveitar o Carnaval com segurança, a recomendação do cardiologista do Hospital Santa Teresa é simples: hidratar-se antes, durante e depois da folia, alimentar-se adequadamente, moderar o consumo de álcool, respeitar os limites do corpo e priorizar o descanso. Com essas medidas básicas de prevenção, é possível curtir a festa sem colocar a saúde em risco.

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